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domingo, 13 de dezembro de 2015

O Abbé Grou responde à falsa misericórdia de Jorge Bergoglio


Neste dia funesto em que um falso papa abre um falso jubileu em nome de uma falsa misericórdia, sob a tríplice falsidade de uma doutrina que ousa afirmar que "deus" ama nossos pecados, faz-se urgente uma resposta cristã a tamanha iniquidade e traição.
Por isso publicamos hoje uma meditação do padre jesuíta (repito, jesuíta!) Grou, em seu maravilhoso livrinho La Science pratique de la Croix, hoje esquecido, mas uma joia da espiritualidade católica pós-tridentina.

Nela é exposta sem meias palavras a essência da verdadeira penitência, que é o ÓDIO ao pecado, o contrário exato do bergogliano amor ao pecado.

Aqui vai o texto, traduzido direto do original francês por este Vosso servo:

I. O pecado é o maior de todos os males, pois é o mal de Deus: mas ele não é para o pecador a maior de suas infelicidades, pois a misericórdia divina fez que até o pecado contribuísse para a sua santificação e entrasse na ordem de sua feliz predestinação. Sua maior desgraça é a impenitência no pecado; e, para os pecadores em que a fé desperta os remorsos da consciência e que fazem alguns esforços, dão alguns passo no sentido da conversão, sua desgraça, maior que todos os pecados deles juntos, é a falsa penitência, tão facilmente confundível com a verdadeira; essa penitência enganosa que os adormece no pecado e lhes inspira uma confiança presunçosa em meio ao perigo certo de uma eterna danação. Nada mais comum que a falsa penitência; nada mais raro que a verdadeira. Os demônios, todos os reprovados são penitentes no inferno: os cristãos que vivem no hábito do pecado são amiúde penitentes durante suas desordens. No leito de morte, os maiores pecadores a que resta alguma fé, apavorados com o medo dos juízos de Deus, abrem seus corações para os mais vivos sentimentos de penitência. Não são, em sua maioria, senão falsos penitentes, que parecem vivos aos olhos dos homens e que estão mortos aos olhos de Deus.

Ó Meu Salvador, Vós que sois a fonte e o modelo da verdadeira penitência, ensinai-me qual é o seu caráter essencial; não deixeis que eu pereça pelo uso de um remédio que deve curar-me e salvar-me; não permitais que uma falsa penitência se una a tantos outros pecados, para se tornar contra mim um novo artigo de condenação.

II. Um coração culpado, envergonhado de si mesmo e entregue à confusão decorrente da infâmia de seus pecados; um coração dilacerado pelos remorsos mais agudos nem sempre é um coração penitente. Uma alma a que nada escapa no exame de seus pecados, que faz deles uma confissão sincera, uma acusação humilhante, que se submete a uma reparação pública, a uma satisfação dura, nem sempre é uma alma penitente. Tudo isso são só exterioridades, o lado de fora da penitência: são, por assim dizer, os seus efeitos, seus frutos e suas obras; mas tudo isso pode ser separado da penitência cristã que nos justifica aos olhos de Deus; tudo isso pode vir de outra fonte do que o coração de Jesus, cuja penitência deve animar e santificar a nossa. Quem pareceu mais penitente que o ímpio Antíoco? Golpeado pela mão de Deus, ele reconhece a enormidade de seus crimes; seus olhos choram-nos, sua língua detesta-os; faz deles uma confissão pública e humilhante; quer reparar suas desordens. Ao vê-lo e ouvi-lo, é um homem humilhado, contrito, consternado diante do Senhor; no entanto, Antíoco morre como reprovado e não obtém a misericórdia que pede com tanta sofreguidão. Quem pareceu mais penitente que Judas? Ele sentiu toda a grandeza de seu crime; seu coração foi tocado por um arrependimento amargo; ele o confessou em voz alta: eu pequei, disse ele, ao entregar o sangue do Justo; ele o reparou por uma retratação pública; restituiu o preço indigno de seu deicídio; Judas, porém, tão contrito, tão humilhado, morreu na impenitência e no desespero.

III. Qual é, então, essa verdadeira penitência, tão importante para a minha salvação eterna, que não deve ser confundida com a falsa? Quem nos ensinará isso será a cruz de Jesus Cristo. Vem, minha alma, aos pés de Jesus crucificado, penetra em seu coração adorável, que se tornou penitente para todos os corações culpados. Para ser agradável a Deus, é com base nesse divino modelo que tua penitência deve ser formada; ela deve fluir e participar dele. Toda penitência que não flui dessa fonte, toda penitência que não é assinalada pelos traços da penitência de Jesus Cristo, que é o único Salvador, o único modelo dos pecadores penitentes, é uma penitência de reprovado.

IV. Jesus Cristo, que se encarregara de todos os pecados do gênero humano, para destruí-los em nossos corações e deles fazer a Deus uma justa reparação, carregou em seu corpo inocente e em sua pessoa divina a sua pena exterior. Ele os expiou, satisfez à justiça divina com suas humilhações, seus sofrimentos e a efusão de todo o seu sangue. Mas nem os opróbrios, nem os sofrimentos, nem a morte sangrenta são a penitência que destrói o reinado do pecado em nossos corações e nele estabelece o de Deus. Os reprovados impenitentes no inferno são mais atormentados do que Jesus Cristo ao longo de sua penitência. Tudo isso é apenas a consequência da penitência do Salvador; são apenas seus efeitos salutares.

V. É no jardim da amargura, em que Jesus se retirou pouco antes de sua paixão exterior, que O vemos penitente, como devemos nós mesmos ser. É lá que uma dor viva e penetrante se apodera de sua alma. A tristeza, o langor, as penas mais cruéis dilaceram seu coração. Ele geme, suspira, sucumbe sob o peso de suas aflições. Trava em sua santa alma combates violentos que mal consegue suportar, que O jogam numa agonia mortal, que fazem jorrar de suas veias um suor de sangue.

Ó Jesus, Vós que sois o consolo dos aflitos, de onde vem essa desolação? Vós que sois a força dos fracos, de onde vêm esse abatimento e essa tristeza mortal? Não é da visão dos opróbrios nem dos suplícios que Vos prepararam; eles sempre foram o objeto de vossos ardentes desejos. Entre as mãos dos carrascos, preso à coluna, pregado na cruz, estareis tranquilo; uma paz suave e calma reinará em vosso semblante. O que é, então, que pode Vos perturbar, Vos afligir, Vos atormentar com tanta violência, no momento de realizar esse batismo de sangue que tanto desejastes?

Ah! O que afligia a Jesus é que, antes de expiar, pela efusão de seu sangue, todos os pecados do mundo, de que se encarregara, era preciso que o seu coração sentisse uma dor que igualasse a enormidade de tanta iniquidade, e que correspondesse à soberana majestade de Deus, por ela ofendida; era preciso que a alma inocente de Jesus sentisse, pela força de sua dor, o ódio que Deus tem ao pecado, para que ele passasse de seu coração para os nossos um arrependimento agudo, uma dor amarga, um ódio, uma detestação do pecado que fosse o caráter essencial da penitência cristã.

VI. Tomemos cuidado, num sacramento que, depois do batismo, é o único recurso dos pecadores, que é um remédio cujo uso nos cura ou nos envenena, que nos justifica aos olhos de Deus ou nos torna mais criminosos; tomemos cuidado para não tomarmos a aparência pela realidade. Toda penitência que não é a mesma que a de Jesus Cristo, nosso Salvador, nosso chefe e nosso modelo, é uma penitência inútil, uma penitência reprovada. A dilaceração do coração, a aflição profunda, o arrependimento amargo, em suma,a detestação do pecado foi a alma da penitência do Salvador, e deve ser a nossa. Assim foi a contrição que partiu o coração de Davi e que ele exprimiu por uma só palavra que escapou de sua alma aflita: peccavi Domino, pequei contra o Senhor. Foi assim a contrição da pecadora Madalena, que transformou seus olhos em duas fontes de lágrimas; foi assim aquela em que um olhar de Jesus penetrou no coração de seu apóstolo infiel. Tudo o mais, a triste visão dos pecados e sua enormidade, as confissões humilhantes, as confusões externas, as mortificações, a crucificação da carne, são frutos da penitência, são riachos que fluem dessa fonte de amargura em que o coração penitente deve mergulhar; são os ramos dessa árvore de vida arraigada no coração de Jesus penitente, para penetrar no coração dos pecadores penitentes e nele produzir obras de salvação.

Ó Jesus, que Vos tornastes penitente por mim, que sois o único modelo dos verdadeiros penitentes, que chorastes, que detestastes meus pecados antes mesmo que eu os conhecesse, fazei que eu os chore, os deteste convosco e como Vós. Minha contrição sem a vossa não teria nenhum mérito; seria apenas o movimento de um membro morto separado de sua cabeça. Vossa contrição sem a minha seria funesta para mim: ela me tornaria culpado do sangue que derramastes para apagar pecados que eu não detestaria. O abuso desse sangue precioso que a penitência fez correr de vossas veias gritaria vingança contra um pecador impenitente ou falsamente penitente.

Abbé Grou, La Science Pratique de la Croix, Paris, 1832, p. 29 a 36.

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