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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O que é heresia formal?

Segue abaixo a tradução das partes pertinentes do artigo Heresy da Catholic Encyclopaedia, que definem os diversos tipos de heresia. Para que não reste nenhuma dúvida de que Jorge Bergoglio é real e formalmente herege.
Segundo a límpida prosa do artigo, Bergoglio é herege de heresia de primeiro grau (o mais alto) e de heresia formal, pois consciente, deliberada e pertinaz.
Escusado é dizer que a forma hipócrita e dissimulada como foi declarada, via jornal, e a suposta autoridade de quem a propôs (a gravidade da heresia é diretamente proporcional à autoridade de que goza quem a formula) tornam ainda maior a malícia da heresia bergogliana.

Eis o texto:


Conotação e definição
A palavra heresia conota, etimologicamente, tanto a escolha quanto a coisa escolhida, sendo o significado, porém, limitado à escolha de doutrinas religiosas ou políticas, à adesão a partidos na Igreja ou no Estado.
Josefo aplica o nome (airesis) a três seitas religiosas existentes na Judeia desde o período macabeu: os saduceus, os fariseus e os essênios (Bel. Jud., II, viii, 1; Ant., XIII, v, 9). São Paulo é descrito pelo governador romano Félix como o líder da heresia (aireseos) dos nazarenos (Atos 24, 5); os judeus de Roma dizem ao mesmo Apóstolo: "Acerca dessa seita [airesoeos], sabemos que ela encontra oposição em toda parte" ( Atos 28, 22)). São Justino (Diálogo com Trifônio, 18) usa airesis no mesmo sentido.  São Pedro (II, ii, 1) aplica o termo às seitas cristãs: "Haverá entre vós mestres da mentira que levarão a seitas de perdição [aireseis apoleias]". No grego posterior, as escolas filosóficas e as seitas religiosas são “heresias”.
Santo Tomás (II-II:11:1) assim define a heresia: "uma espécie de infidelidade em homens que, tendo professado a fé de Cristo, corrompem seus dogmas". "A fé cristã correta consiste em dar o próprio assentimento voluntário a Cristo em tudo o que verdadeiramente pertence ao Seu ensinamento. Há, pois, duas maneiras de desviar-se do Cristianismo: uma pela recusa de crer no próprio Cristo, que é o caminho da infidelidade comum aos pagãos e aos judeus; a outra, pela limitação da crença a certos pontos da doutrina de Cristo selecionados e moldados à vontade, que é o caminho dos hereges. A matéria, pois, tanto da fé quanto da heresia é o depósito da fé, isto é, a soma total das verdades reveladas na escritura  e na Tradição tais como propostas à nossa crença pela Igreja. O crente aceita o depósito tal como proposto pela Igreja; o herege aceita só aquelas partes que recebem a sua aprovação. Os motivos do herege podem ser a ignorância da verdadeira crença, juízo errôneo, apreensão e compreensão errôneas  dos dogmas: em nenhum deles a vontade desempenha um papel relevante, portanto falta uma das condições necessárias da pecaminosidade – o livre-arbítrio – e tal heresia é meramente objetiva ou material. Por outro lado, a vontade pode inclinar livremente o intelecto a aderir a teses declaradas falsas pela Divina atividade magistral da Igreja. Os motivos que levam a isso são muitos: orgulho intelectual ou confiança exagerada na própria intuição; as ilusões do zelo religioso; os fascínios do poder político ou eclesiástico; os vínculos de interesses materiais e status pessoal; e, talvez, outros mais desonrosos. A heresia assim desejada é imputável ao sujeito e traz consigo vários graus de culpa; ela é chamada formal, porque ao erro material se soma o elemento informativo do “livremente desejado”.
É necessária a pertinácia, isto é, a adesão obstinada a uma tese particular para tornar formal a heresia. Pois enquanto a pessoa permanece disposta a submeter-se à decisão da Igreja, ela continua sendo um cristão católico de coração, e suas crenças errôneas são apenas erros passageiros e opiniões efêmeras. Levando-se em consideração que o intelecto humano pode dar seu assentimento apenas à verdade, real ou aparente, a pertinácia deliberada — enquanto distinta da oposição gratuita — supõe uma firme convicção subjetiva que seja suficiente para informar a consciência e criar “boa fé”. Tais convicções resultam ou de circunstâncias sobre as quais o herege não tem controle ou de delinquências intelectuais, em si mesmas mais ou menos voluntárias ou imputáveis. Um homem nascido e criado em ambientes heréticos pode viver e morrer sem sequer duvidar da verdade do seu credo. Por outro lado, um católico de nascença pode deixar-se perder nos meandros do pensamento anticatólico, dos quais nenhuma autoridade doutrinal pode resgatá-lo, e onde sua mente se vê imbuída de convicções ou considerações suficientemente poderosas para subjugar sua consciência católica. Não cabe ao homem, mas Àquele que escruta a mente e o coração julgar a culpa que afeta uma consciência herética.
Graus de heresia

Tanto a matéria como a forma da heresia admitem graus que encontram expressão nas seguintes fórmulas técnicas de teologia e de direito canônico. A adesão pertinaz a uma doutrina que contradiga um ponto de fé claramente definido pela Igreja é heresia pura e simples, heresia em primeiro grau. Mas se a doutrina em questão não tiver sido expressamente “definida” ou não tiver sido claramente proposta num artigo de fé no ensinamento ordinário e autorizado da Igreja, uma opinião oposta a ela é chamada de sententia haeresi proxima, ou seja, opinião próxima da heresia. Em seguida, uma proposição doutrinal, sem contradizer diretamente um dogma definido, pode ainda envolver consequências lógicas contrárias à verdade revelada. Tal sentença não é herética, é uma propositio theologice erronea, isto é, errônea na teologia. Ademais, a oposição a um artigo de fé pode não ser estritamente demonstrável, mas só alcançar certo grau de probabilidade. Neste caso, a doutrina é chamada sententia de haeresi suspecta, haeresim sapiens; isto é, uma opinião suspeita de, ou que sabe a heresia.

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