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sábado, 1 de agosto de 2015

O que os verdadeiros e santos prelados diziam aos heresiarcas

Como calar, quando a Fé está em perigo? Não compareceremos todos ao tribunal de Cristo? 
Não teremos de responder por nosso silêncio importuno, tendo recebido a missão de falar?
São Cirilo de Alexandria

Aqui vai um trecho de uma carta de São Cirilo de Alexandria ao heresiarca Nestório.
São estas as circunstâncias do texto. Nestório, patriarca de Constantinopla, vinha negando em seus sermões a maternidade divina de Maria, em nome de uma cristologia deturpada. Como os pentecostais e alguns bergoglianos de hoje, recusava a Maria o título de Mãe de Deus, limitando-se a chamá-la de Mãe de Jesus Cristo.
A notícia dessa negação vinha causando escândalo entre os monges do Egito. Para acalmá-los e confirmá-los na Fé da Igreja, São Cirilo, bispo de Alexandria, lhes escreveu uma carta, onde denunciava e corrigia os erros de Nestório.
O texto de São Cirilo chegou às mãos de Nestório, que não gostou nada do que leu e escreveu uma carta desaforada ao bispo egípcio, tomando satisfações.
Eis a resposta de São Cirilo, de evidente atualidade:

"Muito me admira que Vossa Santidade se zangue comigo. Pois aqui a perturbação existia antes da minha carta; ela teve origem em algumas palavras atribuídas a Vossa Santidade e, depois, em escritos que foram importados e não me deram pouco trabalho, pois tive de corrigir mentes iludidas. Alguns chegaram quase a não mais tolerar que se falasse da divindade de Cristo: Cristo seria apenas um instrumento da divindade, ou um homem porta-Deus. E isso não é tudo. Eu tinha, pois de me preocupar com as palavras pronunciadas, ou não, por Vossa Santidade, pois não confio em textos anônimos. Como calar, quando a Fé está em perigo? Não compareceremos todos ao tribunal de Cristo? Não teremos de responder por nosso silêncio importuno, tendo recebido a missão de falar? E agora, que fazer? Não posso deixar de comunicar a Vossa Santidade esses fatos, já que o bispo de Roma, Celestino, e os outros bispos do Ocidente me questionaram acerca de certos textos que chegaram, não sei como, até lá: eram eles, sim ou não, de Vossa Santidade? As cartas deles demonstram grande escândalo. E que responder a todos os bispos do Oriente, que aqui chegam murmurando contra esses mesmos escritos? A agitação é extrema. Se Vossa Santidade, de algum modo, deu origem a isso, haverá aí motivo de se queixar? E por que vociferar contra mim? Não seria melhor que Vossa Santidade se corrigisse a si mesma, para pôr fim a um escândalo universal - skandalon oikoumenikon? A voz pública pode ter deformado os fatos. Cumpre, porém, levá-la em consideração. Por exemplo, digne-se Vossa Santidade a dar satisfação aos fiéis escandalizados, chamando a Santa Virgem de Mãe de Deus. Com isso, Vossa Santidade curaria muitas dores e teria a alegria de celebrar as festas com boa fama em toda parte, na paz e na concórdia. Tenha a certeza de que, pela Fé de Cristo, estou disposto a tudo sofrer, até mesmo a prisão e a morte" (traduzido por este vosso servo a partir de A. d'Alès, le Dogme d'Éphèse, Paris, 1931, pp. 83-84).

Bons tempos aqueles.
A propósito, faz 139 dias que Bergoglio negou publicamente a punição eterna dos pecadores impenitentes e nossos prelados continuam calados. Só se ouve, aqui e ali, o frufru das peruquinhas sendo penteadas.

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