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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Mais sobre a invalidez da renúncia de Bento XVI: como estrangular o Vaticano



Caem as escamas dos olhos de cada vez mais gente. O blog francês Gloria Dei vivens homo acaba de publicar uma análise minuciosa do admirável caso dos caixas eletrônicos do Vaticano, que, bloqueados nos últimos meses do pontificado ativo do Papa Bento XVI, milagrosamente voltaram a funcionar no dia seguinte da famigerada "renúncia".

E mostra que tal bloqueio equivale a um autêntico ato de guerra, e foi proposto pela UE e pelos EUA contra a Rússia, no caso da Ucrania, e contra o Irã, em razão das supostas armas nucleares.

Claro que não foi só o bloqueio eletrônico do Vaticano que determinou a queda de Bento XVI. A ele se devem somar o caso Vatileaks, as ameaças de cisma, o lobby gay, os escândalos do IOR e o bombardeio mediático diário contra a figura do papa alemão. Tudo isso compunha o idílico quadro de paz absoluta que possibilitava a renúncia totalmente livre e sem pressões de Bento XVI. E tudo sumiu como por encanto assim que ele se demitiu (= foi deposto) e foi substituído pelo energúmeno antipapa argentino. Milagre!

Nada de muito novo para os hipotéticos leitores que acompanham este blog e tiveram em première mundial a constatação da invalidade da renúncia, mas sempre é bom ver que a luz aos poucos se vai fazendo, apesar da covardia e da cegueira voluntária de tantos.

Aqui vai a tradução do texto do blog francês. Bonne lecture!

Tudo parece ter sido dito sobre o assunto. E, no entanto, longe dos boatos, das hipóteses ou das interpretações apocalípticas do acontecimento, trata-se aqui de articular alguns fatos simples e verificáveis por todos. Dessa articulação, surgirá uma questão extremamente embaraçosa, mas que será preciso levantar. E já que o papa Francisco aprecia tanto o que ele chama de parresia, sem dúvida ele haveria de apreciar muitíssimo este pequeno texto, se viesse a lê-lo...
   Se tudo parece ter sido dito acerca da renúncia de Bento XVI, é principalmente porque este último fez questão de acabar com as especulações acerca da validade do ato.
« Não há dúvida nenhuma sobre a validez da minha renúncia ao ministério petrino. A única condição de validade da minha renúncia é a  plena liberdade no momento da minha decisão. As especulações sobre a sua validade são simplesmente absurdas, »  declarou ele em fevereiro de 2014.
O que é aqui mencionado por Bento XVI é uma das duas condições estipuladas pelo Código de direito canônico (cânone 332, § 2) para que a renúncia do papa ao seu cargo seja válida:
« Se acontecer de o Pontífice Romano renunciar ao cargo, é necessário para a validade que a renúncia seja feita livremente e que seja devidamente manifestada, mas não que ela seja aceita por quem quer que seja. »
   Convém agora lembrar um fato que passou amplamente despercebido, mas está longe de ser anódino, um fato divulgado sobretudo por Pierre Jovanovic. É o seguinte: no momento em que Bento XVI anuncia a sua demissão, em 11 de fevereiro de 2013, os pagamentos eletrônicos e as retiradas de dinheiro nos caixas automáticos estão suspensos no Vaticano desde o dia 1o de janeiro. Esta notícia foi objeto de alguns artigos jornalísticos na primeira metade do mês de janeiro de  2013:
Na época, os jornais ressaltavam principalmente o incômodo ocasionado para os turistas, obrigados a pagar suas visitas em dinheiro. Mas a situção era muito mais grave do que isso: com relação às entradas de dinheiro no Vaticano, já não era possível pagar eletronicamente o que quer que fosse sem efetuar uma transferência internacional desde a Alemanha; no que se refere às despesas do Vaticano, o pagamento de cheques vindos do banco vaticano não era mais possível no território italiano. Muito significativamente, o último artigo com link acima afirma que existe entre o Vaticano e o Banco da Itália um autêntico « braço de ferro »! Não se pode acreditar que esse bloqueio das facilidades de pagamento por parte do Banco da Itália não exerça forte impacto sobre a economia vaticana. Um blog do jornal La Stampa revelou em meados de janeiro de 2013 que o Vaticano estava perdendo então 30.000 € por dia! Se a partir desse número calcularmos o total das perdas em 43 dias de bloqueio, chegamos à soma de 1.290.000 €... Segundo outra estimativa, tal suspensão de pagamentos eletrônicos custou por dia 40.000 US$ à Cidade do Vaticano, ou seja, um total de 1.720.000 US$. No dia 1o de fevereiro de 2013, um artigo do site Inside the Vatican informa que o problema ainda não foi resolvido...
   E então, de repente, a situação se resolve: os pagamentos eletrônicos são de novo autorizados. Também então, os jornais não deixaram de dar a notícia:
Mas o acontecimento passou relativamente despercebido, por uma razão muito simples: a autorização de retomar as transações eletrônicas aconteceu no dia 12 de fevereiro de 2013, ou seja, exatamente no dia seguinte do anúncio da renúncia do papa! Simples coincidência?
   Acrescentemos mais um fato, igualmente indubitável. A rede SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), ligada às transações eletrônicas e da qual o Vaticano foi momentaneamente desconectado, exerce uma influência considerável sobre a vida de um Estado. A tal ponto que desconectar um país desse sistema constitui uma autêntica arma de guerra econômica, usada quando necessário. Prova disso é a decisão do Parlamento Europeu de 18 de setembro de 2014 sobre a situação na Ucrânia e o estado das relações UE-Rússia. Esta última, em seu artigo 13, « pede à União Europeia que considere a exclusão da Rússia da cooperação nuclear civil e do sistema Swift. » Daí os esforços que atualmente a Rússia tem efetuado para ganhar independência em relação ao sistema SWIFT, criando sua própria rede de pagamentos eletrônicos. Outra prova dessa utilização do SWIFT para fins políticos: em 2012, funcionários americanos aconselharam sancionar o Irã excluindo-o da rede.
   O que não se ousou fazer contra o Irã e a Rússia, foi, portanto, posto em execução contra o menor Estado do mundo. E foi nesse contexto preciso, um contexto de inédita tensão, que Bento XVI renunciou ao trono de São Pedro. É um fato indiscutível, maciço. Podemos, então, realmente afirmar que foi em total liberdade que o Papa, sujeito a tais pressões, pediu demissão de seu cargo? Há, é bem verdade, os protestos do mesmo Bento XVI, segundo os quais teria renunciado livremente à sua missão. Mas será que ele podia realmente declarar outra coisa?
   Levando-se em conta as graves circunstâncias em que aconteceu, a renúncia de Bento XVI é válida? Cumpre absolutamente medir a gravidade desta questão, que, se tiver resposta negativa, gera consequências em cascata. Voltemos ao nosso direito canônico: segundo o § 1 do cânone 332, « O Pontífice Romano obtém o poder pleno e supremo na Igreja pela eleição legítima aceita por ele, conjuntamente com a consagração episcopal. » Se a renúncia de Bento XVI a seu cargo for inválida, então a eleição que se seguiu perde toda legitimidade e não pode, portanto, ser considerada válida. E se tal eleição for inválida, então o cardeal Bergoglio não é papa, e é o conjunto de seus atos e de seu ensinamento enquanto pretenso sucessor de Pedro que deve ser objeto de questionamento.

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