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domingo, 30 de agosto de 2015

Lacordaire responde à heresia de Jorge Bergoglio


Encontro no belíssimo livro de Garrigou-Lagrange, la Vie éternelle, dedicado ao estudo dos novíssimos, duas citações de Lacordaire no capítulo reservado à refutação da heresia bergogliana da aniquilação do pecador impenitente e da inexistência das penas eternas.

A primeira, à p. 153, refere-se à aniquilação:

"O pecador obstinado quer sua aniquilação, porque a aniquilação o livra de Deus (justo juiz) para sempre... Deus seria, assim, obrigado a desfazer o que fez e o que fez para ser para sempre... Não pereceria o universo e seria possível que uma alma perecesse, porque tal alma não teria querido conhecer a Deus!... Viverão as almas para sempre, obra mais preciosa do Criador; pudestes maculá-la, mas não destruí-la, e Deus, ao nelas apor o selo de sua justiça, porque o quisestes absolutamente, saberá delas fazer, até na perdição, signos da ordem e arautos de sua glória".

A segunda, às pp. 156-157, responde à objeção de que uma pena eterna iria contra a Sabedoria infinita de Deus. Depois de citar a mais do que célebre inscrição dantesca sobre as portas do inferno:

Per me si va nella città dolente,
Per me si va nell'eterno dolore,
Per me si va tra la perduta gente.


Giustizia mosse il mio alto fattore:
Fecemi la divina potestate,
La somma sapienza e il primo amore.


Lacordaire comenta:

"Se fosse apenas a justiça que tivesse cavado o abismo, haveria um remédio, mas foi o amor também, foi o primeiro amor que o fez:  eis o que acaba com toda esperança. Quando somos condenados pela justiça, podemos recorrer ao amor; mas quando somos condenados pelo amor, a quem recorreremos? É essa a sorte dos danados. O amor que deu seu sangue por eles, esse mesmo amor é o que os amaldiçoa. Claro! Um Deus terá vindo aqui embaixo por vocês, terá assumido a natureza de vocês, falado a língua de vocês..., tratado das feridas de vocês, ressuscitado os mortos de vocês... terá morrido, enfim, por vocês sobre uma cruz! E, depois disso, vocês acham que lhes será permitido blasfemar e rir e ir sem medo à farra de todas as volúpias! Ah, não, tirem o cavalinho da chuva, o amor não é uma brincadeira; não somos amados impunemente até a cruz. Não é a justiça que não tem misericórdia, é o amor. O amor, como sabemos até demais, é a vida ou a morte, e se trata do amor de um Deus, é a eterna vida ou a eterna morte".

(Ambas as citações do padre Lacordaire são de Conférences de Notre-Dame, 72 conf.)


Antipapa abençoa editora de livros de propaganda homossexual para crianças

Francesa e sua marida, casal abençoado pelo antipapa

É o que se pode ler aqui.

Francesca Pardi é dona da editora Stampatello, na Itália. Casada com uma mulher e mãe de quatro filhos (milagre!), a Sra. Pardi tem se dedicado a editar livros para crianças em que ensina aos pimpolhos as maravilhas do homossexualismo.

Tendo seus educativos livrinhos sido banidos das escolas de Veneza recentemente, por iniciativa de criptolefebvrianos malvados e pouco misericordiosos, a Sra. Pardi resolveu recorrer diretamente ao nosso querido antipapa, enviando-lhe a coleção completa de suas misericordiosas publicações.

Como resposta, recebeu calorosas bênçãos antipapais para sua pessoa, sua marida e seus preciosos livrinhos.

Ou seja, Deus encarnado amaldiçoava os que escandalizassem as crianças, dizendo que mais valia que amarrassem uma pedra ao pescoço e se jogassem ao mar.
Jorge Bergoglio, porém, dá a bênção papal aos que cometem esse mesmo escândalo em escala industrial.
A conclusão a tirar não parece ser muito difícil. Ainda mais fácil é adivinhar a Quem o leão-de-chácara rotariano pretende dar aulas de "misericórdia".

Aos que ainda defendem a legitimidade de Berggy: se ele é mesmo o papa legítimo, o que significam as promessas de Cristo a Pedro e sucessores sobre as portas do inferno? Metáfora? Brincadeirinha? Mentira pura e simples?

sábado, 29 de agosto de 2015

Despenca o afluxo de público às audiências do antipapa no Vaticano



É, parece que a farsa bergogliana já não engana mais ninguém.

Artigo de Sandro Magister (aqui) revela que o número de pessoas que assistem às audiências gerais do antipapa rotariano tem caído regular e vertiginosamente desde que teve início o seu falso pontificado.

Eis os números:

3.147.600 pessoas estiveram presentes nas 100 primeiras audiências gerais, assim distribuídas por ano:

-1.548.600 presentes às 30 audiências de 2013
- 1.199.000 presentes às 43 audiências de 2014
- 400.100 presentes às 27 audiências de 2015

Isto significa que, ano após anos, a média de presentes a cada audiência foi a seguinte:

- 51.617 pessoas em 2013,
- 27.883 pessoas em 2014,
- 14.818 pessoas em 2015.

Portanto, a cada novo ano a metade dos presentes do ano anterior.

Como diria a minha avó, a mentira tem pernas curtas.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Mundo imundo


Na Escritura há dois sentidos principais de "mundo": o todo da criação e o reino do príncipe do Mal.
O Império tem trabalhado noite e dia para unificar os dois e, Bergoglio adiuvante, está bem perto de conseguir.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Rito Bracarense - Glória da Igreja portuguesa





É preciso reconhecer que nos últimos 50 anos o mundo lusófono não teve uma participação muito brilhante na história da Igreja. Curiosidades teratológicas como Braz de Elvis, Boff, Arns, Hummes e outros constituem níveis abissais de espiritualidade dificilmente superáveis, negativamente. Para não falar, num contexto mais amplo, de coisas como Macedos, bispas Sônias et alii, também insuperáveis no que se refere à corrução da mensagem de Cristo.

Nem sempre foi assim, porém.

Prova disso é o rito bracarense, liturgia multissecular que a sabedoria do Concílio de Trento soube preservar quando da unificação das liturgias ocidentais ao redor do Rito Romano.

Evidentemente, o tsunami da Grande Avacalhação pós-conciliar foi um rude golpe para o rito de Braga. Mesmo assim, ele ainda sobrevive, como provam os vídeos acima, não só nas salas de concerto como na vida litúrgica de Braga e de Portugal.

Deo Gratias.

Silêncio e cumplicidade


Útil reflexão do jurista Braz Florentino Henriques de Souza,  teórico do Poder Moderador e voz corajosa em defesa da Igreja durante a Questão Religiosa, a respeito do silêncio diante de questões graves como as de hoje, no caso da heresia bergogliana:

"O silêncio só é permitido até o momento em que pode tornar-se conivência ou cumplicidade; e ele decerto tornar-se-á tal naqueles que, estando no caso de concorrer por qualquer modo, mais ou menos meritoriamente, para que se debele o mal e triunfe o bem comum, deixarem todavia de fazê-lo por motivos egoísticos ou por considerações de mera comodidade pessoal."
(Braz Florentino Henriques de Souza, Do Poder Moderador, Prefácio)

Reflexão especialmente útil aos cardeais, com ou sem peruquinha.

domingo, 23 de agosto de 2015

Antipapa posa de devoto de São Pio X


O circo bergogliano parece não ter fim, como não tem fim o ridículo e o grotesco deste pseudopontificado.

Anteontem, dia de São Pio X, o antipapa resolveu comparecer "incógnito" ao altar dedicado ao santo antimodernista na basílica do Vaticano, enquanto nele era celebrada uma missa em honra do papa Sarto. É o que noticia, entre outros, o blog Benoît et moi (aqui).

Tudo, é claro, muito "espontâneo", como sempre no caso do rotariano argentino.

Como se pudesse haver algo em comum entre o picareta ultramodernista e o grande campeão da ortodoxia antimodernista!

Ou seja, Berggy pretende mesmo desarmar os lefebvrianos com supostas concessões sentimentais, infinitamente falsas e hipócritas, na esperança de dividir ainda mais os tradicionalistas.

Plano obviamente débil mental.

Mas, na atual situação de deserto intelectual na Igreja, infelizmente não se pode descartar que traga lá os seus frutos.

Pelo menos por enquanto, a coisa parece estar dando certo. Prova disso é o escandaloso silêncio da FSSPX ante a heresia bergogliana. Para grande desonra da memória tanto de São Pio X como do grande Dom Marcel Lefebvre.

Doutrina católica: vai mais gente para o Céu ou para o inferno?


Traduzimos a seguir, pela primeira vez em português,  um texto do padre Adrien Gambart (1600-1668), discípulo de São Francisco de Sales e de São Vicente de Paula, que responde sem papas (no pun intended) na língua a esta pergunta, de que fogem como o diabo da Cruz os defensores da heresia bergogliana e da Grande Avacalhação pós-conciliar.

Boa leitura.

Questão do número de salvos ou de condenados: qual será o maior?

Multi vocati, pauci vero electi. Mt. 20, 16.

Prelúdio

Propomos uma questão, depois de tudo o que dissemos da Vida eterna, acerca do número de condenados ou de salvos; ou, numa palavra, dos que irão à Vida eterna ou à morte eterna; qual será o maior? A questão não é apenas curiosa, mas muito útil; é por isso que dela trataremos hoje. E como esta matéria é da máxima importância, peço que prestem, por favor, uma atenção extraordinária ao que digo.

II Prelúdio

Antes de abordar esta questão, convém bem estabelecer duas verdades, ambas de fé.
A primeira é esta: que o número dos que chegarão à Vida eterna será enorme. Digo que isto é de fé, porque São João nos garante isso em seu Apocalipse, onde diz que depois de ter visto o número de cento e quarenta e quatro mil do povo judeu que estava marcado para a Vida eterna, viu em seguida uma multidão extraordinariamente grande de toda espécie de nações e de povos que se mantinham de pé diante do Trono do Cordeiro, e que esse número era tão grande que não podia ser contado. Vidi turbam magnam quam dinumerare nemo poterat.  É o que Deus nos queria ensinar quando dizia a Abraão: Suspice coelum & numera stellas, si potes & dixit ei, sic erit semen tuum (Gn 15, 5).  Escuta, Abraão, olha o Céu e conta, se puderes, todas as Estrelas; tua semente será tão ampla quanto o número delas. E em outro lugar (Gn 22, 17): Multiplicabo semen tuum sicut stellas coeli & velut arenam quae est in littore maris. Multiplicarei a sua semente como as Estrelas do Céu, e como a areia à beira-mar. A qual multiplicação e bênção não se devem entender, diz Santo Agostinho, dos israelitas segundo a carne, mas dos israelitas segundo o espírito, a saber, de todos os fiéis e eleitos de Deus: Illa repetita expositione caelestium stellarum, mihi magis promissa videtur posteritas caelesti falicitate sublimis (S. Agostinho, Lib. de Civ. Dei, cap. 23). E, com efeito, Vocês sabem que só entre os mártires, que serão minoria entre os Santos, já houve mais de doze milhões, como o prova muito bem Genebrard e vários outros grandes autores, acerca do Salmo 78 do Profeta Rei. Se assim é, que será do número incontável dos Confessores e das Virgens. Santa Brígida, em suas Revelações, livro 3, capítulo 27, assinala um número prodigioso deles. Isso não é difícil de crer, se contarmos todos os Santos, desde Adão até o fim do mundo.
A segunda verdade é que, embora seja verdade que o número dos bem-aventurados seja extremamente grande, no entanto, é também artigo de Fé que o número dos reprovados será ainda incomparavelmente maior. Digo que é de Fé porque nosso Senhor no-lo diz claramente na Escritura, e não uma só vez, mas várias: Multi vocati, pauci electi (Mt. 10, 16); muitos são os chamados, poucos os escolhidos. E em outro lugar: Arcta est via quae ducit ad vitam, quoniam pauci sunt qui intram per eam  (Mt. 7, 14). O caminho que leva ao Céu é muito estreito, e é por isso que são poucos os que nele entram. O que se prova também pelo que dizem os santos Padres, que afirmam com frequência que de cada mil pessoas, não haverá uma sequer salva. Baronius o relata de São Simão e do Abade Nilo. O mesmo é o parecer de São Bernardo. O que se prova também por algumas Revelações, entre outras uma muito assinalada, que aconteceu com o bispo de Langres no dia em que morreu São Bernardo, de um eremita falecido havia poucos dias, que esse bispo havia conhecido antes como um rico e famoso Deão, que pelo temor do Juízo de Deus e para melhor operar a sua própria salvação se havia retirado na solidão. Como o bispo o interrogava acerca do seu estado e do rigor dos Juízos de Deus, respondeu ele: No instante em que saí de meu corpo, trinta mil pessoas passaram da vida à morte, entre as quais estava o Abade de Claraval: o Abade e eu voamos para o Céu, três outros apenas foram ao Purgatório e todo o resto foi para o Inferno. O que não é muito difícil de crer, visto que, sem comparação, os Gentios, os Sarracenos, os Turcos, os Heréticos e maus Católicos excedem o número dos bons e dos eleitos de Deus.
Suposto isso:
A questão, agora, a saber, se, falando apenas dos Católicos, o número dos salvos será maior que o dos condenados; falando só dos que estão em idade de discrição. No que se refere à solução desta questão, há duas espécies de opiniões entre os Doutores.
A primeira é dos que pretendem que haverá mais salvos. Isso porque, dizem eles, vemos pouca gente que morre sem os Sacramentos, que são os remédios seguros contra todos os pecados.  Igualmente a parábola das Núpcias do Reino parece favorecer tal opinião, onde um só dos convidados representa o número dos reprovados excluídos do banquete, por não terem vestido o traje nupcial.
A segunda opinião, a mais comum, que se funda em melhores razões e em autoridades mais fortes da Escritura e dos Santos Padres, é a que garante que o número dos Católicos que são reprovados é maior que o dos salvos. É o que mostraremos a seguir.


II Ponto

1) A Escritura parece favorecer esta última opinião: Multi vocati, pauci electi (Mt. 20, 16). Há muitos chamados e poucos eleitos. Ora, os chamados são os Católicos propriamente ditos: Lata porta & spatiosa est via quae ducit ad perditionem etc. (Mt. 7, 13). A via que conduz à perdição é muito larga e espaçosa, mas a que conduz à vida é muito estreita. Diz São Gregório que muitos chegam à Fé, mas poucos ao Reino Celeste: Ad fides pluris venerunt, sed ad caelestia regna pauci perducuntur. Isto serve como glosa ao Capítulo acima mencionado de São Mateus, e é interpretado no mesmo sentido por Orígenes, Beda e Santo Tomás.
Poderíamos ainda citar aqui o que diz São Paulo, que os Eleitos se assemelham aos vasos de ouro e de prata, e os reprovados aos vasos de terra e argila, de que há um número muito maior numa casa do que dos outros; ou o que diz Santo Agostinho, que as Estrelas do Céu e os grãos de areia do mar representam a multidão dos filhos de Abraão, e que pelas Estrelas são representados os predestinados e pelos grãos de areia os reprovados. Ora, há incomparavelmente mais grãos de areia à beira-mar do que estrelas no Céu, portanto mais reprovados do que salvos. Mas me contento com citar o que diz sobre isso a Boca de Ouro, o grande São João Crisóstomo, ao pregar um dia sobre este assunto na cidade de Constantinopla, que era cidade pelo menos tão grande quanto Paris. Eis o que ele diz.
“Quantas pessoas creem Vocês que haja nesta cidade de Constantinopla que serão salvas? Sei muito bem que o que direi não será agradável e, no entanto, eu o direi: em meio a tantos milhares de pessoas, não se acharão cem que serão salvas, e ainda tenho dúvidas se cheguem a cem. Pois quanta malícia encontramos em meio à juventude! Quanta preguiça entre os velhos! etc.” (Hom. 4 ao povo).
Isso quanto ao que diz respeito à Escritura e aos Santos Padres. Vejamos agora as suas razões.
A primeira razão que nos pode persuadir desta verdade – que haverá pouca gente salva – é que ou as máximas do Evangelho são falsas ou deve haver pouca gente salva. Ora, eis aqui três máximas que nele encontramos.
A primeira é esta: Non omnis qui dicit Domine, Domine intrabit in Regnum caelorum, sed qui facit voluntatem Patris. (Mt. 7, 21). Nem todos os que me dirão Senhor, Senhor entrarão em meu Reino, mas só os que fizerem a vontade de meu Pai. Ora, quem são os que fazem a vontade de Deus? Cada qual quer viver segundo o mundo. Fulano, dirão, vive assim, também quero fazer o mesmo. Vive-se pelo costume, não pela razão.
A segunda é esta: A diebus Ioannis Baptistae Regnum caelorum vim patitur, et violenti rapiunt illud (Mt. 11, 12).  Desde os dias de João Batista, isto é, desde que São João ensinou a penitência e conferiu o Batismo de Jesus Cristo, a porta do Céu foi aberta aos Cristãos em virtude dos Méritos da Morte e da Paixão do Salvador do Mundo; no entanto, nele só se entra pela força e pela violência, e só os ousados e os corajosos levam a melhor. Ora, vejamos quem são os que exercem a força e a violência contra si mesmos entre os Cristãos. Cada qual segue as suas inclinações naturais, ninguém sabe o que seja mortificação ou penitência; não se sabe o que seja a paciência, nada se quer sofrer por amor de Deus.
A terceira máxima é esta: Nisi efficiamini sicut parvuli intrabitis in Regnum coelorum (Mt 18, 3). Se não vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus. E onde estão os que se assemelham a criancinhas? Ninguém se humilha; é só orgulho, nada se quer suportar do companheiro.
A segunda razão que nos prova o pequeno número dos salvos é que a Regra de Santo Agostinho afirma que se morre como se viveu. Ora, a maioria do mundo vive em pecado mortal, como é fácil provar.
1) Quantos são os que ignoram os principais Mistérios, que não sabem o que é ser cristão e em que consiste o Cristianismo, e que não querem deixar-se instruir na matéria?
2) Quantos dos que são instruídos nesta matéria vivem sem preocupar-se com sua salvação? Uns se divertem amontoando riquezas, construindo casas, enfeitando jardins, de modo que raramente pensam em Deus e na Vida eterna, senão, talvez, na Páscoa.
3) Outros estão metidos com a usura, a simonia, as posses injustas e jamais pensam em restituir: A minore quippe usque ad majorem, omnes avaritiae student, & a Propheta usque ad Sacerdotem cuncti faciunt dolum, diz o Profeta Jeremias (Jr. 6, 13).
4) Outros cultivam más amizades, com que não poderiam romper, já que não o querem.
Outros, enfim, têm ódios mortais, processos, brigas etc. com as quais nos danamos.
A terceira razão que nos mostra haver tão grande números de condenados é que, embora a maioria se confesse e comungue no momento da morte, como são as confissões que fazem nesse estado? Poenitentia infirmorum, infirma est. A penitência dos doentes é uma penitência doente. Damos Absoluções, diz Santo Agostinho, mas não damos garantias.
A quarta razão é que por um justo juízo de Deus, muitos dos que zombaram dos Sacramentos durante a vida serão privados deles na hora da morte. Eles pensam, então, em seus médicos, farmacêuticos e muitas vezes não se preocupam em chamar um padre: Hac justa animaversionis punitur peccator, ut qui vivens oblitus est Dei moriens obliviscatur sui,  diz São Gregório. É o juízo de Deus, que assim pune o pecador que, tendo esquecido Deus durante a vida, se esquece de si mesmo no momento da morte.
Diz Santo Agostinho quase a mesma coisa: Illa est poena peccati iustissima, ut qui recte facere cum posset noluit, amittat posse cum velit (S. Aug. l. 3 de Lib. Arb.). É muito justa a pena do pecado do homem que, quando podia fazer o bem, não o quis, e perde o poder de fazê-lo quando quer.
A quinta razão é que muitos, embora pareçam ter o firme propósito de se corrigir, ao se voltarem para a convalescença, isso não passa de aparência. Um mero temor natural de morrer, que todos têm, muitas vezes leva a Confissões que são nulas ante Deus, porque não vão até o fundo do coração, como prova a penitência de Antíoco [Epifânio].
A sexta razão é que, com muitos que se confessaram com firmes propósitos, sendo um pouco longa a enfermidade, eles voltam facilmente a seus malditos consentimentos; sendo o Diabo mais astuto que eles, ele os espera na passagem; de modo que, de cem que viveram mal, não se salvam três nessa última passagem. Devemos tirar daí dois ou três proveitos.

Frutos e proveitos

O primeiro proveito será para todos, de operar sua salvação com temor e tremor, segundo o conselho do Apóstolo: Cum metu et tremore salutem vestram operamini (Filip. 2,12). Embora não me sinta culpado de nada, nem por isso estou justificado, diz ele em outro lugar: Nihil mihi conscius sum, sed in hoc justificatus non sum.  O Sábio a isso nos exorta: Beatus homo qui semper est pavidus (Prov. 28, 14). Feliz é o homem que caminha sempre no temor do Senhor e tem medo de ofendê-Lo.
O segundo proveito é que, uma vez que o número dos salvos será tão pequeno, nem por isso desanimemos, mas procuremos fazer parte dessa minoria: Contendite intrare per angustam portam (Lc 13, 24). E para isso mudar de vida, sair do infeliz estado de pecado. Em suma, fazer penitência, mas verdadeira penitência, sólida e permanente, como a praticaram todos esses grandes Penitentes, Davi, São Pedro, São Mateus e Madalena. Não há outro jeito de garantir a salvação depois do Batismo e de estar entre os predestinados, senão a penitência. Façamo-la, portanto, Cristãos, e tratemos de satisfazer à Justiça de Deus nesta vida, para que, tendo-Lhe satisfeito por frutos dignos de penitência, sejamos bem tratados por sua misericórdia na outra.
O terceiro proveito é convencermo-nos bem de que se quisermos, podemos pertencer ao número dos predestinados. Porque temos todos os motivos para crer que Deus assim o quer; pois o que nos falta para isso? Temos a graça, os Sacramentos etc. Só nos resta a prática das boas obras, segundo o conselho que nos dá o Apóstolo São Pedro: Sagitte ut per bona opera certam vestram vocationem & electionem faciatis (2 Pd. 1). Mas acrescentemos o que diz o Apóstolo São Paulo, Castigo corpus meum & in servitutem redigo; ne forte cum aliis praedicaverim, ipse reprobus efficiar (1 Cor. 9, 27).  Castigo, diz ele, o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, tendo salvado os outros com minha pregação, não seja eu mesmo reprovado. Assim sendo, meus Irmãos, pensemos conscientemente em nossa salvação: e como para isso é preciso ter a Esperança, vamos falar a Vocês dessa virtude na continuação de nossas conversas.

Perguntas

P. Depois de ter falado do Juízo, da Ressurreição dos mortos e da Vida Eterna, é bom saber qual será o maior número, o de salvos ou o dos condenados. Poderia o Senhor nos dizer qual será o maior?
R. O dos condenados.
P. Por quê?
R. Porque diz Nosso Senhor no Evangelho que muitos serão chamados e poucos os escolhidos.
P. E por que mais?
R. Porque o número de Cristãos Católicos é muito menor que o dos pagãos, idólatras e heréticos etc.
P. Mas, falando só dos Cristãos, deve haver entre eles mais salvos do que condenados?
R. Não.
P. Por quê?
R. Porque poucos deles vivem em conformidade com o Evangelho e seguem as máximas que Jesus Cristo nos ensinou, sem as quais é impossível salvar-se.

Exemplos

É verdade certa que, falando apenas dos cristãos, haverá muito mais condenados que salvos; pois há sem comparação muito mais cristãos que vivem mal do que os que vivem bem. Nós lhes mostramos isso com clareza em nossa Exortação, tanto pela autoridade como pela razão e pelo exemplo. Dar-lhes-ei apenas um exemplo ou dois sobre isso.
Contam do Papa Inocêncio IX que, sendo ainda cardeal, costumava visitar com frequência um santo eremita e que, um dia, tendo lá ido, encontrou a porta fechada; e depois de ter nela batido sem obter resposta, mandou derrubar a porta, temendo que tivesse acontecido alguma coisa com aquele santo homem. De fato, ele o encontrou deitado ao chão como um cadáver e, tendo-o remexido e beliscado várias vezes para fazê-lo voltar a si, ele despertou como de um sono profundo e exclamou: Ah! Que coisas maravilhosas e horríveis eu vi! E o que Você viu, perguntou-lhe o cardeal? Eu vi, disse ele, almas descerem ao Inferno como nevascas densíssimas; vi outras como neves muito claras irem ao Purgatório: a saber, um Bispo, um Cartuxo e uma viúva de Roma, chamando-os a cada um pelo nome. O cardeal enviou diversos mensageiros para investigar a verdade do fato e, tendo-lhe sido relatado que aquelas três pessoas haviam morrido no tempo que ele havia dito, mandou construir uma Cartuxa. Mart. Carth. vol. 2, c. 102.
Lemos também de um certo Doutor condenado, que, tendo aparecido a seu Bispo, perguntou-lhe se o mundo ainda durava. Por que me perguntas isso? disse o Bispo. Porque, disse ele, vi descerem aos Infernos tal quantidade de almas, que mal posso crer que haja tanta gente no mundo.

Reflexão


Embora o número de salvos seja extremamente pequeno, cumpre tratar, porém, de fazer parte deles e, para tanto, pedi-lo muitas vezes a Nosso Senhor; ter firme Esperança em sua misericórdia. 

(A. Gambart, Le Missionnaire Paroissial ou Sommaire des exhortations familières, VII partie, 1677).

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Por que ninguém defende a Fé na Igreja do antipapa Francisco


Roberto Jefferson resumiu um dia, numa frase de gênio, toda a política brasileira pós-regime militar:

Em cano de esgoto não passa água limpa.

Frase iluminadora, que, mutatis mutandis, pode explicar também o que vem acontecendo na igreja bergogliana depois de 50 anos de pós-CV2:

Em cano de esgoto pós-conciliar não passa a Fé católica.

Passa peruquinha, passa hospital de campanha, passa camiseta de clube, negação das penas do inferno, heresias via jornal, tudo isso passa. Passa também lobby gay, comunhão de adúlteros, consagração sem genuflexão, missa com tango e parabéns a você, mas a Fé católica não passa nem perto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Como o antipapa está silenciando os lefebvrianos


Publica o site Adelante la Fé (aqui) uma deprimente entrevista com o bispo conservador Dom Athanasius Schneider. Dom Athanasius foi recentemente enviado pelo antipapa como embaixador para restabelecer o "diálogo" entre a Santa Sé e a FSSPX. Eis o que ele diz:

O espírito do sentire cum Ecclesia da FSSPX ficou evidente quando me receberam como enviado da Santa Sé com verdadeiro respeito e muita cordialidade. Além disso, em ambos os seminários, alegrou-me ver na entrada a foto do papa Francisco, o pontífice atualmente reinante. Nas sacristias havia placas com o nome de S.S. Francisco e do ordinário da diocese. Comoveu-me o canto da oração tradicional pelo Papa ("Oremus pro pontifice nostro Francisco...") durante a solene exposição do Santíssimo Sacramento.

Ou seja, um suposto "guardião da Fé ortodoxa " como Dom Athanasius serve alegremente de embaixador de um antipapa escancaradamente herético junto a uma instituição que supostamente pretende preservar intacta a Fé da Igreja. As duas partes concordam  em levar às nuvens a figura do leão de chácara argentino, e veem na submissão a ele o critério do sentire cum Ecclesia!!!

Deprimente! Vergonhoso! E, principalmente, escandaloso!

Eis a razão por que o antipapa se sente à vontade para destruir impunemente o dogma católico, dogma cuja transmissão a nós custou ao Verbo encarnado a morte na Cruz. Eis porque todas as provas de invalidade da eleição de Bergoglio só encontram silêncio e hostilidade junto aos pupilos de Dom Fellay. Basta dar a uns uma missão oficial do Vaticano e a outros as migalhas de uma misera perspectiva de diálogo para todas as avacalhações, heresias e blasfêmias bergoglianas serem esquecidas entre sorrisos e fotos na sacristia - se com ou sem camiseta de clube, a entrevista não esclarece.

Será mesmo que Dom Williamson estava tão errado ao separar-se da FSSPX?

Esperamos estar enganados e que o espírito de Dom Marcel Lefebvre não se tenha perdido entre as gloriosas fileiras da FSSPX, e que as aparentes bodas entre o antipapa e Écône não passem de um tenebroso mas breve episódio, logo superado.

Fica também o alerta para os que esperam  grandes coisas dos bispos conservadores  no Sinédrio contra a família convocado por Berggy. O comportamento subserviente de Dom Athanasius mostra que as perspectivas de oposição séria ao antipapa são nulas. Aliás, por que se há de esperar resistência à sacralização do adultério e da sodomia passiva no Sinédrio da parte de quem cala e consente com a heresia mais escancarada?

domingo, 16 de agosto de 2015

Calar ante a heresia (anti)papal é pecado mortal



A gravidade do pecado de omissão é diretamente proporcional ao mal que se deixa de combater.
Ora, o pecado contra a fé é tanto mais grave quanto mais alta a hierarquia de quem o comete.
Logo, a heresia proclamada por quem ocupa - validamente ou não - a cátedra de Pedro é o mais grave e hediondo pecado contra a Fé.
Logo, calar diante de uma heresia papal é pecado gravíssimo, sobretudo naqueles que, bispos e cardeais, têm como dever principal a defesa da Fé.
Mas não só eles: todo fiel batizado e crismado tem o dever de, uma vez caracterizada a heresia, denunciá-la e combatê-la com todos os meios ao seu alcance.

Quando um soldado raso trai a pátria numa batalha, pode causar grande estrago. Um sargento, um estrago maior. O mesmo para os tenentes, capitães, majores etc., capazes de provocar danos cada vez maiores com atos de traição. Mas quando o traidor é o próprio comandante em chefe do exército, o desastre é total e a traição, absoluta. Ele passa a ser um inimigo ainda pior que o exército adversário.

PS 17/8: Realmente, as escamas estão caindo. Num artigo de hoje do articulista italiano Danilo Quinto (aqui) sobre as infames blasfêmias do antipapa contra a Virgem presente ao Calvário, que, segundo o leão de chácara argentino, teria pensado ter sido enganada por um Deus mentiroso, lemos:

Tomamos a liberdade de acrescentar: que tipo de gente poderá crer que a Mãe do Senhor, envolta em silêncio e dilacerada pela dor por seu Filho e copartícipe desde o começo daquele mistério, tanto que no sensus fidei da Igreja está bem presente o seu papel de Corredentora, tenha podido pensar por um só instante que Deus a tivesse enganado? Tomamos também a liberdade de perguntar: calar acerca dessas intenções blasfemas que são difundidas é ou não é um pecado grande aos olhos de Deus?


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Mais sobre a invalidez da renúncia de Bento XVI: como estrangular o Vaticano



Caem as escamas dos olhos de cada vez mais gente. O blog francês Gloria Dei vivens homo acaba de publicar uma análise minuciosa do admirável caso dos caixas eletrônicos do Vaticano, que, bloqueados nos últimos meses do pontificado ativo do Papa Bento XVI, milagrosamente voltaram a funcionar no dia seguinte da famigerada "renúncia".

E mostra que tal bloqueio equivale a um autêntico ato de guerra, e foi proposto pela UE e pelos EUA contra a Rússia, no caso da Ucrania, e contra o Irã, em razão das supostas armas nucleares.

Claro que não foi só o bloqueio eletrônico do Vaticano que determinou a queda de Bento XVI. A ele se devem somar o caso Vatileaks, as ameaças de cisma, o lobby gay, os escândalos do IOR e o bombardeio mediático diário contra a figura do papa alemão. Tudo isso compunha o idílico quadro de paz absoluta que possibilitava a renúncia totalmente livre e sem pressões de Bento XVI. E tudo sumiu como por encanto assim que ele se demitiu (= foi deposto) e foi substituído pelo energúmeno antipapa argentino. Milagre!

Nada de muito novo para os hipotéticos leitores que acompanham este blog e tiveram em première mundial a constatação da invalidade da renúncia, mas sempre é bom ver que a luz aos poucos se vai fazendo, apesar da covardia e da cegueira voluntária de tantos.

Aqui vai a tradução do texto do blog francês. Bonne lecture!

Tudo parece ter sido dito sobre o assunto. E, no entanto, longe dos boatos, das hipóteses ou das interpretações apocalípticas do acontecimento, trata-se aqui de articular alguns fatos simples e verificáveis por todos. Dessa articulação, surgirá uma questão extremamente embaraçosa, mas que será preciso levantar. E já que o papa Francisco aprecia tanto o que ele chama de parresia, sem dúvida ele haveria de apreciar muitíssimo este pequeno texto, se viesse a lê-lo...
   Se tudo parece ter sido dito acerca da renúncia de Bento XVI, é principalmente porque este último fez questão de acabar com as especulações acerca da validade do ato.
« Não há dúvida nenhuma sobre a validez da minha renúncia ao ministério petrino. A única condição de validade da minha renúncia é a  plena liberdade no momento da minha decisão. As especulações sobre a sua validade são simplesmente absurdas, »  declarou ele em fevereiro de 2014.
O que é aqui mencionado por Bento XVI é uma das duas condições estipuladas pelo Código de direito canônico (cânone 332, § 2) para que a renúncia do papa ao seu cargo seja válida:
« Se acontecer de o Pontífice Romano renunciar ao cargo, é necessário para a validade que a renúncia seja feita livremente e que seja devidamente manifestada, mas não que ela seja aceita por quem quer que seja. »
   Convém agora lembrar um fato que passou amplamente despercebido, mas está longe de ser anódino, um fato divulgado sobretudo por Pierre Jovanovic. É o seguinte: no momento em que Bento XVI anuncia a sua demissão, em 11 de fevereiro de 2013, os pagamentos eletrônicos e as retiradas de dinheiro nos caixas automáticos estão suspensos no Vaticano desde o dia 1o de janeiro. Esta notícia foi objeto de alguns artigos jornalísticos na primeira metade do mês de janeiro de  2013:
Na época, os jornais ressaltavam principalmente o incômodo ocasionado para os turistas, obrigados a pagar suas visitas em dinheiro. Mas a situção era muito mais grave do que isso: com relação às entradas de dinheiro no Vaticano, já não era possível pagar eletronicamente o que quer que fosse sem efetuar uma transferência internacional desde a Alemanha; no que se refere às despesas do Vaticano, o pagamento de cheques vindos do banco vaticano não era mais possível no território italiano. Muito significativamente, o último artigo com link acima afirma que existe entre o Vaticano e o Banco da Itália um autêntico « braço de ferro »! Não se pode acreditar que esse bloqueio das facilidades de pagamento por parte do Banco da Itália não exerça forte impacto sobre a economia vaticana. Um blog do jornal La Stampa revelou em meados de janeiro de 2013 que o Vaticano estava perdendo então 30.000 € por dia! Se a partir desse número calcularmos o total das perdas em 43 dias de bloqueio, chegamos à soma de 1.290.000 €... Segundo outra estimativa, tal suspensão de pagamentos eletrônicos custou por dia 40.000 US$ à Cidade do Vaticano, ou seja, um total de 1.720.000 US$. No dia 1o de fevereiro de 2013, um artigo do site Inside the Vatican informa que o problema ainda não foi resolvido...
   E então, de repente, a situação se resolve: os pagamentos eletrônicos são de novo autorizados. Também então, os jornais não deixaram de dar a notícia:
Mas o acontecimento passou relativamente despercebido, por uma razão muito simples: a autorização de retomar as transações eletrônicas aconteceu no dia 12 de fevereiro de 2013, ou seja, exatamente no dia seguinte do anúncio da renúncia do papa! Simples coincidência?
   Acrescentemos mais um fato, igualmente indubitável. A rede SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), ligada às transações eletrônicas e da qual o Vaticano foi momentaneamente desconectado, exerce uma influência considerável sobre a vida de um Estado. A tal ponto que desconectar um país desse sistema constitui uma autêntica arma de guerra econômica, usada quando necessário. Prova disso é a decisão do Parlamento Europeu de 18 de setembro de 2014 sobre a situação na Ucrânia e o estado das relações UE-Rússia. Esta última, em seu artigo 13, « pede à União Europeia que considere a exclusão da Rússia da cooperação nuclear civil e do sistema Swift. » Daí os esforços que atualmente a Rússia tem efetuado para ganhar independência em relação ao sistema SWIFT, criando sua própria rede de pagamentos eletrônicos. Outra prova dessa utilização do SWIFT para fins políticos: em 2012, funcionários americanos aconselharam sancionar o Irã excluindo-o da rede.
   O que não se ousou fazer contra o Irã e a Rússia, foi, portanto, posto em execução contra o menor Estado do mundo. E foi nesse contexto preciso, um contexto de inédita tensão, que Bento XVI renunciou ao trono de São Pedro. É um fato indiscutível, maciço. Podemos, então, realmente afirmar que foi em total liberdade que o Papa, sujeito a tais pressões, pediu demissão de seu cargo? Há, é bem verdade, os protestos do mesmo Bento XVI, segundo os quais teria renunciado livremente à sua missão. Mas será que ele podia realmente declarar outra coisa?
   Levando-se em conta as graves circunstâncias em que aconteceu, a renúncia de Bento XVI é válida? Cumpre absolutamente medir a gravidade desta questão, que, se tiver resposta negativa, gera consequências em cascata. Voltemos ao nosso direito canônico: segundo o § 1 do cânone 332, « O Pontífice Romano obtém o poder pleno e supremo na Igreja pela eleição legítima aceita por ele, conjuntamente com a consagração episcopal. » Se a renúncia de Bento XVI a seu cargo for inválida, então a eleição que se seguiu perde toda legitimidade e não pode, portanto, ser considerada válida. E se tal eleição for inválida, então o cardeal Bergoglio não é papa, e é o conjunto de seus atos e de seu ensinamento enquanto pretenso sucessor de Pedro que deve ser objeto de questionamento.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Variações antipapais - O assassinato e a misericórdia bilderbergogliana



Variações sobre um tema de Berggy, segundo Radio Vaticano:
Cidade do Vaticano (RV) – O Antipapa retomou nesta quarta-feira (5/8), na Sala Paulo VI, as Audiências gerais após um mês de pausa. Francisco prosseguiu com o tema do Assassinato, cujo contexto, desta vez, foi forjado a partir de uma nova questão sobre as “famílias dos assassinos”.
O falso Pontífice convidou a refletir como se pode cuidar das pessoas que, diante do “irreversível fracasso” do relacionamento, partiram para as vias de fato e crivaram de balas o parceiro. “Estas pessoas não foram absolutamente excomungadas – não foram excomungadas – e não devem absolutamente ser tratadas como tal: elas fazem sempre parte da Igreja”, disse o Papa.
Olhar de mãe
“A Igreja bem sabe que tal situação contradiz o Sacramento cristão. Todavia, o seu olhar de mestra parte sempre de um coração de mãe; um coração que, animado pelo Espírito Santo, procura sempre o bem e a salvação das pessoas. É por isso que a Igreja sente o dever, ‘pelo amor da verdade’, de ‘discernir bem as situações’”, afirmou Francisco.
Olhar dos filhos
O Antipapa recordou ainda que, se a questão do assassinato passa a ser observada a partir da percepção dos filhos do assassino – um grande número de crianças e adolescentes que são os que mais sofrem, destacou o Antipapa –, torna-se ainda mais urgente “desenvolver nas nossas comunidades uma verdadeira acolhida das pessoas que vivem tais situações”, exortou o Antipontífice.
“Como poderíamos recomendar a estes pais que façam tudo para educar os filhos à vida cristã, dando a eles exemplo de uma fé convicta e vivida, se os mantivéssemos longe da vida da comunidade?”, questionou Francisco.
“Não devemos adicionar outros pesos além daqueles que os filhos, nestas situações, já devem carregar” prosseguiu o Antipapa, afirmando ainda que “é importante que eles sintam a Igreja como mãe atenta a todos, sempre disposta a escuta e ao encontro”.
Igreja no tempo
Francisco também disse que, nas últimas décadas, a Igreja não ficou “insensível” e “preguiçosa” em relação à questão do assassinato, aprofundamento levado adiante pelos Pastores e confirmado pelos seus predecessores.
“Cresceu muito a conscientização de que é necessária uma fraterna e atenciosa acolhida, no amor e na verdade, aos batizados que resolveram à bala suas diferenças”, destacou Francisco.
Por fim, afirmando que a Igreja deve estar com as portas sempre abertas, o Antipapa convidou todos os cristãos a imitar o exemplo do Bom Pastor colaborando com Ele nos cuidados aos assassinos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vergonhosa entrevista do cardeal Müller


Entrevista do cardeal Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e suposto guardião da Fé do antipapa herege, para katholisch.de (ver resumo em Infocatólica).

Juras de amor e fidelidade ao antipapa, elogios à encíclica-lixo Laudato si, à teologia da Libertação e, cereja do bolo, notícias sobre a "benevolência" do antipapa para com a FSSPX. Benevolência que, por incrível que pareça, é generosamente retribuída pelos pupilos de Dom Lefebvre, cujo silêncio sobre a aberta e formal heresia antipapal permanece absoluto. O mesmo silêncio ostentado pelo "guardião da Fé" bergogliana.

Asqueroso. Duplamente asqueroso.

Com defensores da Fé como esses, ela não precisa de agressores.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Quesnel: Oração em forma de meditação sobre o Mistério da Encarnação


É, pois, verdade, meu Deus, que amastes realmente o mundo, lhe destes vosso Filho único e esse Filho que gerais eternamente em vosso seio, como a segunda Pessoa da Santíssima Trindade: esse Filho igual a Vós em tudo, que é a Vossa Sabedoria, a Vossa Potência e o Vosso Verbo; a imagem viva, eterna e substancial de Vossa Essência divina: que esse Filho adorável Se aniquilou a Si mesmo, tomando um corpo e uma alma semelhantes às nossas e unindo-as a Si de tal maneira, que eles não são senão uma mesma Pessoa com Ele; e que enquanto for Deus, ou seja, em toda a eternidade, também será verdade dizer que Deus é homem e da mesma natureza que todos os outros homens.

E como se não bastasse ao seu amor fazer-se homem, Ele ainda quis ser Filho do homem, pois em vez de Se formar um corpo perfeito e acabado como o do primeiro Adão, em vez de Se dar um corpo todo brilhante de luz e glória, como era devido ao Filho único de Deus, Ele quis ser concebido como todos os filhos de Adão, no seio de uma mulher, e tão pequeno como os outros. Pois embora tenha sido o Espírito Santo que formou esse corpo adorável, esse corpo é, porém, tão pequeno, que não é quase nada no momento da concepção; é um corpo sujeito a toda sorte de doenças e até à morte e que, embora unido à divindade, isto é, à santidade mesma, em nada difere no exterior da carne corrompida dos pecadores.

Mas o que confunde a minha razão e mais ultrapassa toda inteligência criada é ver, soberana bondade, que é aos mesmos pecadores e Vossos inimigos que entregais Vosso Filho único. Grande Deus, quem pode sondar o abismo de Vossos conselhos e os desígnios de Vossa Sabedoria? Quem pode olhar sem pavor esse dom de Vossa bondade e de Vossa misericórdia e tudo o que fazeis nesse mistério para a salvação de Vossas criaturas?

Adoro esses conselhos e esses desígnios de Vossa sabedoria, meu Deus: recebo com todo reconhecimento de meu coração esse dom incompreensível de vossa generosidade, que compreende todos os outros dons, e desejo que tudo o que é capaz de Vos louvar cante a Vós eternamente este Cântico de vosso Apóstolo: Graças a Deus pelo dom inefável que nos fez.

Sois Vós mesmo, Jesus, o dom de Deus, esse dom predestinado antes de todos os séculos, preparado durante quatro mil anos, dado no fim dos tempos e  que diz Ele mesmo àqueles a quem se dá: Se conhecêsseis o dom de Deus!

Senhor, conheço esse dom, pois Vos conheço pela Fé que me destes; e é esta fé que me cobre de confusão, mostrando-me de onde descestes e até que ponto Vos rebaixastes e aniquilastes por mim. Mas fazei por Vossa graça que eu faça continuamente uso desta fé para Vos adorar, para Vos amar, para Vos imitar.

Que ela me leve a me esquecer, a me humilhar e a me aniquilar por Vós, pois Vós Vos esqueceis ao Vos humilhar e Vos aniquilar por mim. E como Vos despojais, de certo modo, de Vossas grandezas para cobrir-Vos com as minhas misérias e me cobrir conVosco e com Vossa santidade, renuncie eu a mim mesmo também, a Vosso exemplo, e me despoje das minhas inclinações corruptas, para entrar em Vossas inclinações santas e me cobrir de Vossas virtudes.

Espírito Santo, que operastes esse mistério de aniquilação na Santa Virgem, operai sua semelhança e imitação no meu coração; fazei que a graça que dela emana se espalhe por todas as ações da minha vida. Fazei-me também entrar na adoração, no amor, no reconhecimento e em todos os deveres que exige de mim esse primeiro de todos os mistérios de Jesus Cristo, que é o fundamento e a base de todos os outros. Enfim, uni-me a Ele de tal sorte que eu mereça ser unido a Ele na eternidade. Amém.

(Pasquier Quesnel, Prières chrétiennes en forme de méditations sur tous les Mystères de Notre Seigneur & de la Sainte Vierge, & sur les Dimanches & les Fêtes de l'année)

sábado, 1 de agosto de 2015

O que os verdadeiros e santos prelados diziam aos heresiarcas

Como calar, quando a Fé está em perigo? Não compareceremos todos ao tribunal de Cristo? 
Não teremos de responder por nosso silêncio importuno, tendo recebido a missão de falar?
São Cirilo de Alexandria

Aqui vai um trecho de uma carta de São Cirilo de Alexandria ao heresiarca Nestório.
São estas as circunstâncias do texto. Nestório, patriarca de Constantinopla, vinha negando em seus sermões a maternidade divina de Maria, em nome de uma cristologia deturpada. Como os pentecostais e alguns bergoglianos de hoje, recusava a Maria o título de Mãe de Deus, limitando-se a chamá-la de Mãe de Jesus Cristo.
A notícia dessa negação vinha causando escândalo entre os monges do Egito. Para acalmá-los e confirmá-los na Fé da Igreja, São Cirilo, bispo de Alexandria, lhes escreveu uma carta, onde denunciava e corrigia os erros de Nestório.
O texto de São Cirilo chegou às mãos de Nestório, que não gostou nada do que leu e escreveu uma carta desaforada ao bispo egípcio, tomando satisfações.
Eis a resposta de São Cirilo, de evidente atualidade:

"Muito me admira que Vossa Santidade se zangue comigo. Pois aqui a perturbação existia antes da minha carta; ela teve origem em algumas palavras atribuídas a Vossa Santidade e, depois, em escritos que foram importados e não me deram pouco trabalho, pois tive de corrigir mentes iludidas. Alguns chegaram quase a não mais tolerar que se falasse da divindade de Cristo: Cristo seria apenas um instrumento da divindade, ou um homem porta-Deus. E isso não é tudo. Eu tinha, pois de me preocupar com as palavras pronunciadas, ou não, por Vossa Santidade, pois não confio em textos anônimos. Como calar, quando a Fé está em perigo? Não compareceremos todos ao tribunal de Cristo? Não teremos de responder por nosso silêncio importuno, tendo recebido a missão de falar? E agora, que fazer? Não posso deixar de comunicar a Vossa Santidade esses fatos, já que o bispo de Roma, Celestino, e os outros bispos do Ocidente me questionaram acerca de certos textos que chegaram, não sei como, até lá: eram eles, sim ou não, de Vossa Santidade? As cartas deles demonstram grande escândalo. E que responder a todos os bispos do Oriente, que aqui chegam murmurando contra esses mesmos escritos? A agitação é extrema. Se Vossa Santidade, de algum modo, deu origem a isso, haverá aí motivo de se queixar? E por que vociferar contra mim? Não seria melhor que Vossa Santidade se corrigisse a si mesma, para pôr fim a um escândalo universal - skandalon oikoumenikon? A voz pública pode ter deformado os fatos. Cumpre, porém, levá-la em consideração. Por exemplo, digne-se Vossa Santidade a dar satisfação aos fiéis escandalizados, chamando a Santa Virgem de Mãe de Deus. Com isso, Vossa Santidade curaria muitas dores e teria a alegria de celebrar as festas com boa fama em toda parte, na paz e na concórdia. Tenha a certeza de que, pela Fé de Cristo, estou disposto a tudo sofrer, até mesmo a prisão e a morte" (traduzido por este vosso servo a partir de A. d'Alès, le Dogme d'Éphèse, Paris, 1931, pp. 83-84).

Bons tempos aqueles.
A propósito, faz 139 dias que Bergoglio negou publicamente a punição eterna dos pecadores impenitentes e nossos prelados continuam calados. Só se ouve, aqui e ali, o frufru das peruquinhas sendo penteadas.