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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O duplo perigo do modernismo


Dizia Aristóteles, com seu infinito bom senso, que só podemos desatar os nós que vemos. Em tempos de bergoglianas trevas, como os nossos, toda luz é pouca.

Daí a necessidade de máxima precisão nos conceitos.

Tomemos o conceito de modernismo, cuja relevância fundamental na doutrina católica dos últimos cem anos e mais é inegável. Trata-se de uma heresia que se caracteriza pelos contornos fluidos, pela ambiguidade, pela relativização da doutrina da fé pela história (historicismo) ou pelas necessidades "pastorais". Suas origens históricas mais próximas são o molinismo jesuítico dos séculos XVII e XVIII, justamente condenado pela Igreja.

O problema é a curiosa contaminação da forma do conceito por seu próprio conteúdo. Ao definir uma realidade essencialmente fluida, o conceito de modernismo, por uma espécie de choc en retour, é ele mesmo gravado de ambiguidade e falta de contornos, o que o torna duplamente perigoso, pois abre as portas para que seja acusado de modernismo o que é autenticamente católico.

Sua falta de limites precisamente definidos permite colocar no mesmo saco o papa Bento XVI, Leonardo Boff, Jean Guitton, Jacques Maritain, Jorge Bergoglio, o elegante cardeal Braz de Elvis, Hans Urs von Balthasar, Blondel, frei Betto, João Paulo II, dom Athanasius Schneider, Philippe Ariès, Bergson, dom Paulo Evaristo Arns, Henri de Lubac, padres Lanzetta e Manelli, padre Volpi, padre Marcelo Rossi e até Dom Bernard Fellay e Dom Marcel Lefebvre.

É o samba do crioulo doido. Uma chave que entra em todas as fechaduras mas não abre nenhuma porta.

Na atual circunstância, portanto, o conceito de modernismo deve ser usado com extrema prudência, e é dever dos que trabalham para lançar alguma luz na atual meia-noite empenhar-se em forjar novas ferramentas conceituais para lidar com os problemas da hora presente.

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