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sábado, 17 de maio de 2014

O que quer dizer "pastoral"?



No vídeo acima, o grande teólogo italiano Brunero Gherardini tenta definir o que significa pastoralidade, tão central na vida da Igreja dos últimos 50 anos. Pastoral pretende-se o Concílio Vaticano II, pastoral pretende-se a ação pontifícia de São Jorge etc. O texto italiano pode ser lido aqui.

Eram os bons tempos do pontificado ativo do papa Bento XVI, e a palestra do pe. Gherardini fazia parte de um encontro organizado pelos Frades Franciscanos da Imaculada para promover, atendendo aos apelos do mesmo papa, a chamada hermenêutica da continuidade.

Bons e ilusórios tempos, em que o grande intelecto de Bento XVI mascarava a gravidade da putrefação que corroía a Igreja. Putrefação real, que logo faria valer os seus direitos, forçando a renúncia do mesmo pontífice e elevando ao governo do Vaticano o então bispo de Buenos Aires. O qual, entre seus primeiros atos, determinou a destruição da mística ordem os Franciscanos da Imaculada, promotores do evento de que fez parte a alocução de pe. Gherardini.

Justamente por essa ilusão da época, pe. Gherardini não podia ainda gozar das amplas perspectivas de que hoje dispomos para avaliar a gravidade do câncer eclesial. Limitou-se a definir o íntimo parentesco que une a pastoralidade conciliar e o iluminismo do século XVIII. Parentesco real, mas que está longe de esgotar a riqueza semântica do "pastoral".

Hoje podemos compreender com maior precisão o significado da pastoralidade conciliar e bergogliana.

Nada mais simples e óbvio.

É pastoral o que facilita a vida dos pastores, o que promove a vida mansa dos grandes pastores da Igreja. In primis, o chamado ecumenismo, que permite aos pastores evitarem todo tipo de conflito com os inimigos de Cristo, sem perderem a pose "pastoral" de sacerdotes da Santa Igreja Católica. Ou seja, a rendição absoluta e incondicional ao discurso iluminista. Capitulação honrosa e santa, que se fantasia de Novo Pentecostes para evitar a chateação e os perigos pessoais que a defesa da Igreja promete.

Também pastoral ao mais alto grau é evitar falar dos pontos mais controversos da doutrina da Igreja, como a castidade, a existência do inferno, a condenação da sodomia, do divórcio, do aborto.

Como lembra São Jorge, tratar desses temas é profundamente antipastoral. Entenda-se: é algo que enche o saco dos nossos devotos e santos pastores. Ninguém merece!

Vida mansa! Vida mansa!

Eis a pastoralidade: o corporativismo do clero que perdeu a Fé católica.

É a pastoralidade que faz com que os pastores, mui pastoralmente, se canonizem uns aos outros: em um só dia, Bergoglio canonizou tantos papas quanto a Igreja tradicional e neopelagiana nos últimos 500 anos.

Em suma, em tempos bergoglianos, pastoral quer dizer aquilo que é dos pastores, para os pastores e pelos pastores. As ovelhas que se danem. Que venham os lobos!

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