Pesquisar este blog

terça-feira, 6 de maio de 2014

A revolução de Bergoglio, o caos, a FSSPX e a reconstrução

Cartaz com citação de Bergoglio à porta de uma clínica de aborto,
 para desencorajar as manifestações pró-vida

Magistral síntese do caos bergogliano e do que nos resta fazer. O original italiano pode ser lido no site da FSSPX da Itália. Tradução Yours Truly.



"Devemos chegar á vitória da ideia revolucionária através de um Papa"
Instrução permanente da Alta Vendita
do pe. Pierpaolo Maria Petrucci
"Este é o Papa Francisco. Se a Igreja tornar-se como ele a pensa e quer, uma época se encerrará". Assim terminava Eugenio Scalfari a famosa entrevista feita pelo Pontífice [1] e parece que acertou na mosca, pois este Papa está realmente realizando uma verdadeira revolução.
Essencialmente, não se trata de uma metamorfose nas ideias, que já foi executada pelo concílio e pelos papas que o transmitiram, pois neste campo Francisco não está dizendo nada de novo. A sua é uma revolução que se desenvolve principalmente na práxis. Os princípios relativistas, eixo da nova eclesiologia conciliar, são levados com força cada vez maior pela  teoria às suas consequências práticas e acabam por operar uma cisão cada vez maior entre a doutrina e a vida dos católicos.
Nessa passagem cada vez mais rápida das ideias aos fatos, Francisco parece agir com arte consumada: um telefonema, uma palavra dita em certo contexto e um silêncio observado em outro, uma entrevista, um questionário bem elaborado para consultar  “o povo de Deus” no atual contexto de descristianização, para depois utilizar as suas respostas e delas tirar as previsíveis consequências: uma vez que a Igreja já não está em sintonia com o povo cristão, são necessárias mudanças! Tudo isso, é claro, com grande cobertura da mídia, e eis que os últimos baluartes da própria lei natural são abalados em seus fundamentos.
Os inimigos da Igreja não perdem, é claro, a oportunidade de se aproveitar dessas aberturas. O papa Francisco  torna-se, assim, o personagem do ano da revista gay americana The advocate [2] e as suas frases são afixadas às portas das clínicas de aborto para desencorajar as manifestações em favor da vida.[3]
O novo padrão de medida da moral passa a ser unicamente a consciência subjetiva[4].  Por um lado, continua-se a declarar querer conservar intacta a doutrina, mas, por outro, se anulam, na prática, os princípios, ao considerar as situações concretas que permitiriam encontrar soluções morais sob medida, de geometria variável, pois, definitivamente, segundo o novo ensinamento, basta que cada um aja de acordo com sua própria consciência!
Um coquetel explosivo, composto muitas vezes não por atos ou documentos magistrais, e que está, portanto, por isso mesmo, fora das  discussões teológicas sobre a assistência divina de que deveria gozar o Papa, mas justamente por isso ainda mais mortífero.
Essa revolução profunda tem lugar no pensamento comum e, sobretudo, na mentalidade dos católicos e tem um alcance muito maior que uma simples declaração doutrinal. Apresenta, de fato, também a vantagem de paralisar a resistência no interior da Igreja, pois sempre se pode buscar a “interpretação certa”, com o objetivo de afinal justificar tudo; esta é a especialidade daqueles conservadores, repletos de espírito liberal, de que sempre se servem todas as revoluções para canalizar as legítimas resistências no interior de um sistema.
Uma das próximas etapas neste percurso serão as canonizações de João XXIII, o Papa da histórica guinada do Concílio, e de João Paulo II, aquele que excomungou a Tradição em nome de uma nova concepção evolutiva da mesma.
Com essa cerimônia, é, sem dúvida, o próprio concílio que se pretende canonizar e elevar á condição de marco de uma nova era de “progresso” para a Igreja, que é declarada, ao arrepio de toda realidade objetiva, não ter “nunca estado tão bem como hoje”![5]
Outra meta neste percurso será o sínodo de outubro sobre a família. O teólogo de referência do pontífice para esse evento parece ser ninguém menos que o Cardeal Kasper, julgado, desde os primeiros dias do pontificado, “um teólogo joia” [6].  No seu recente relatório para o último consistório [7], considerado pelo pontífice “belíssimo e profundo” [8], Kasper opera, como autêntico acrobata, uma devastadora distinção entre a doutrina, ainda, segundo ele, definida como imutável, e a práxis, suscetível de adaptação às circunstâncias, abrindo, assim, caminho para se conceder a comunhão aos divorciados concubinos e solapando as bases da indissolubilidade do matrimônio. [9]
O processo parece irreversível e, humanamente, com certeza o é. Mas a Igreja é divina e será magnífico ver (nesta vida ou na futura) como o Senhor, que parecia adormecido, se erguerá na barca de Pedro para acalmar com uma só palavra a tempestade.
Nesta expectativa, o que nos resta fazer é conservar a fé e transmiti-la. Para isso devemos afastar da mente todo sentimento de desânimo diante dos males atuais. De nada serve lamentar-nos sobra as ruínas que nos circundam. Precisamos ser lúcidos, mas sobretudo conservar a fé na Igreja e tudo fazer para sermos aqueles “homens de armas” de que falava Santa Joana d’Arc, através dos quias Deus dará a vitória.[10]
Com certeza, o Senhor quer valer-se de cada um de nós para  operar a restauração da sua realeza na sociedade e na Igreja. Para isso, é preciso construir com paciência, em primeiro lugar, em nós mesmos, o castelo interior, de que fala Santa Teresa d’Ávila, por meio de uma vida de união com Deus cada vez mais profunda, com base na boa doutrina, na oração, nos exercícios espirituais inacianos, mas, principalmente, com uma vida sacramental baseada na verdadeira Missa católica e não na neoliturgia de espírito protestante.
É preciso, em seguida, reconstruir, em meio ao caos geral, células de sociedade cristã fundadas na família indissolúvel. Devemos, além disso, contribuir modestamente, mas com todas as nossas energias, para a instauração do Reino social de Nosso Senhor, através da fidelidade ao dever de estado, que deve ser praticado como católicos, sem nenhuma esquizofrenia espiritual ditada pelo liberalismo, que gostaria de cindir no homem a vida privada da vida pública.
É necessário reconstruir estruturas sociais inspiradas pela fé e fundamentadas na doutrina imutável da Igreja: capelas, priorados, escolas realmente católicas, seminários… É necessário fazer reinar Nosso Senhor no ambiente em que vivemos, de maneira cada vez mais profunda e visível, pois, não o esqueçamos, somos compostos de alma e corpo e é, portanto, importante que esta vontade de tudo sujeitar ao doce império de Cristo e da Imaculada se concretize externamente com um sinal visível, como um crucifixo, uma estátua do Sagrado Coração, uma medalha de Nossa Senhora, do mesmo modo como agiram nossos pais, que plantaram cruzes sobre as mais altas montanhas para assim manifestarem a vontade de submeter toda a criação a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nesta batalha, a Fraternidade São Pio X estará sempre na linha de frente, sem nenhum compromisso com os erros e o espírito do mundo, e cada qual poderá sempre contar com o auxílio dos seus sacerdotes nesta obra de reconstrução, fundamentada na fé naquele que disse: «Tenhais coragem, eu venci o mundo».[11]


[4] Ver a entrevista a Scalfari supracitada
[5] Papa Francisco ao clero romano, 16-09-2013 http://it.radiovaticana.va/news/2013/09/16/papa_francesco_al_clero_romano:_alla_chiesa_serve_conversione/it1-728994
[6] 2013-03-17 Radio Vaticana
[7] Relatório dedicado a  O Evangelho da família com que o cardeal Walter Kasper abriu, em 20 de fevereiro, os trabalhos do Consistório extraordinário sobre esse tema.
[8] http://www.corriere.it/cronache/14_marzo_04/vi-racconto-mio-primo-anno-papa-90f8a1c4-a3eb-11e3-b352-9ec6f8a34ecc.shtml
[9] Ler a este respeito o artigo de Roberto De Mattei, Ciò che Dio ha unito, Il Foglio 1 marzo 2014. http://www.corrispondenzaromana.it/cio-che-dio-ha-unito/
[10] “Os homens de armas combaterão e Deus dará a vitória” Sta. Joana d’Arc
[11] Jo 16,33

Um comentário:

  1. Leonardo Santana de Oliveira.6 de maio de 2014 13:29

    Prezado Luís,Salve Santíssima Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, Co-Redentora pois trouxe ao mundo O Redentor!!

    O Papa Paulo IV denunciou e condenou que hereges, cismáticos, apostatas da Fé não podem ser Papas da única Igreja de Cristo.Com a Bula Cum Ex Apostolatus Officio, o Papa Paulo IV diz que é dever do verdadeiro Papa Católico impedir o magistério do erro.Os heregem modernistas, denunciados e condenados na Pascendi, tem a cara de pau de dizer que esse documento, que é Direito Divino, não vale mais.Não vale mais na "igreja" aggionarta descartáve deles, pois na Santa Imaculada Igreja católica passaram céus e terras mas as palavras de Cristo e de seus legitimos sucessores de São Pedro não passa.

    A Bula Cum Ex Apostolatus Officio do Papa Paulo IV é o pesadelo dos hereges modernistas radicais e dos moderados.

    In Corde Jesu, semper,
    Leonardo Santana de Oliveira.

    ResponderExcluir