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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Meditação de Dom Columba Marmion para a Quinta-Feira Santa


É antes de tudo o amor por seu Pai que leva Cristo a aceitar os sofrimentos da paixão, mas também o amor que tem por nós.

Na última ceia, quando vai soar a hora de concluir sua oblação, que diz ele aos apóstolos reunidos ao seu redor? "Não há amor maior que dar a vida pelos amigos." E Jesus nos vai mostrar esse amor que ultrapassa todo amor, pois, diz São Paulo, "ele se entregou por nós". Que sinal maior de amor nos podia ele dar?

Assim, o Apóstolo não cessa de proclamar que "foi por nos amar que Cristo se entregou": "por causa do amor que tinha por mim, ele se entregou por mim."

"Entregue", "dado" em que medida? Até a morte: Semetipsum tradidit.

O que realça infinitamente esse amor é "a liberdade soberana com que Cristo Jesus se ofereceu": Oblatus est quia ipse voluit. Estas duas palavras dizem-nos com que espontaneidade Jesus aceitou a sua Paixão. Não havia dito, um dia, ao falar do bom pastor que dá a vida pelas ovelhas: "meu Pai me ama porque dou a minha vida, para reavê-la (no dia de minha ressurreição). Ninguém a tira de mim pela força, mas eu mesmo a dou, tenho o poder de dar e o poder de reaver."

Esta liberdade com que Jesus se entrega é um dos aspectos de seu sacrifício que mais profundamente toca o nosso coração humano. "Deus amou o mundo a tal ponto, que lhe deu seu Filho único"; Cristo amou a tal ponto seus irmãos, que se entregou Ele mesmo espontaneamente, por inteiro, para salvá-los.

(Paroles de Vie en marge du Missal, Maredsous, 1947, p. 119).

2 comentários:

  1. Excelente, parabéns pelas suas traduções desses grandes textos!

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