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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Até não ver o fim da comédia, não podemos dizer que é tragédia


Recebo com algum atraso do amigo frei António das Chagas uma carta sábia, em que me consola das atuais balbúrdias vaticanas. A ele sou mil vezes grato:

Não se ponha V.M. da parte da desesperação, que o ser profeta de males, quando se podem esperar bens, não é remédio nem acerto. Faça Deus sua divina vontade, e quem nele se põe não se deve entristecer, porque tem um Deus infinitamente bom e poderoso, que nos nega o que por alguma razão nos está mal, e que nos concede sempre o que é bem, ainda que o não pareça. Até não ver o fim da comédia, não podemos dizer que é tragédia; debaixo do que se não cuida está às vezes o que mais aproveita. Daniel em Babilónia e na fornalha viveu como em Jerusalém.

Varatojo, 19 de julho de 1681.

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