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quinta-feira, 20 de março de 2014

Pat Buchanan, Bergoglio e a guerra contra a Fé


O brilhante e reacionaríssimo político americano Pat Buchanan, católico fervoroso, oferece uma visão de conjunto do pontificado de Jorge Bergoglio. Tradução de Yours Truly. O original pode ser lido aqui.http://buchanan.org/blog/papal-neutrality-culture-war-5995.

“O papa Francisco não quer guerreiros culturais; não quer ideólogos,” disse Dom Blase Cupich, bispo de Spokane, Washington:
“O núncio disse que Sua Santidade quer bispos com sensibilidade pastoral, pastores que conhecem o cheiro das ovelhas.”
Dom Cupich transmitia as instruções que o núncio papal trouxera de Roma para orientar os bispos norte-americanos na escolha de um novo líder.
Eles escolheram Dom Joseph Kurtz, arcebispo de Louisville, Kentucky, que tem um mestrado em assistência social, para suceder o arcebispo Timothy Dolan, que Laurie Goodstein do New York Times assim descreve:
“[Um] evangelista muito falante, que se sente à vontade diante das câmeras, e liderou os bispos em seu ruidoso confronto com o governo Obama, em relação a uma disposição da lei de assistência à saúde que exige que a maioria dos empregadores façam seguros que cubram os contraceptivos dos empregados.”
A lei também exige que os empregadores ofereçam drogas que induzem o aborto e esterilizações.
No entanto, esta é mais uma confirmação de que Sua Santidade procura levar a Igreja Católica a uma postura de não beligerância, se não de neutralidade, na guerra cultural pela alma do Ocidente.
Existe, porém, um pequeno problema com a neutralidade. Como observou Trotsky, “talvez você não esteja interessado na guerra, mas a guerra está interessada em você.” Pois  o fato de a Igreja se retirar da guerra cultural não significa pôr um ponto final na guerra, mas perdê-la.
O que isso provocaria? Não podemos já vê-lo?
Nos Estados Unidos, a família desintegrou-se. 40% das crianças brancas de classe trabalhadora nasceram fora do casamento, assim como 53% das crianças hispânicas e 73% das crianças negras. As crianças de lares desintegrados têm uma probabilidade muito maior de abandonar a escola, usar drogas, entrar para gangues, cometer crimes, acabar na cadeia, perder a alma e produzir mais outra geração de almas perdidas.
Goodstein cita o Santo Padre quando diz que um dos “mais graves males” de hoje é “o desemprego juvenil.” E convoca os católicos a não se mostrarem “obsessivos” em relação ao aborto ou ao casamento gay.
Mas será que o desemprego dos adolescentes é mesmo um mal moral mais grave do que o massacre de 3.500 bebês ainda não nascidos por dia no país que era chamado a "Terra de Deus"?
As encíclicas papais, como Rerum Novarum e Quadragesimo Anno, têm muito a ensinar sobre a justiça social numa sociedade industrial.
Mas quais são os conhecimentos técnicos especiais da Igreja para lidar com o desemprego juvenil? Terá a Cúria feito um bom trabalho acadêmico sobre o  impacto econômico do salário mínimo?
A revolução cultural pregada pelo marxista Antonio Gramsci prossegue sua “longa marcha” pelas instituições do Ocidente, obtendo sucesso onde as revoluções violentas de Lênin e Mao fracassaram.
Vem efetuando uma inversão de todos os valores. E não está interessada numa trégua com a Igreja do papa Francisco, mas num triunfo sobre essa Igreja por ele indicada como o grande inimigo em sua luta.
De fato, depois de décadas de guerra cultural contra o Cristianismo, o Vaticano pode constatar o estado da Fé.
A nossa civilização está sendo descristianizada. A cultura popular é um esgoto a céu aberto. A promiscuidade e a pornografia são pandêmicas. Na Europa, as igrejas se esvaziam enquanto as mesquitas se enchem. Nos Estados Unidos, a leitura da Bíblia e a oração são proibidas nas escolas, enquanto os símbolos cristãos são retirados dos lugares públicos. Oficialmente, o Natal e a Páscoa não existem.
O papa, diz Goodstein, chama o proselitismo de uma “solene bobagem.” Mas fazer proselitismo é converter os que não creem.
E quando Cristo ordenou aos apóstolos: “Vão e ensinem a todas as nações,” e dez de seus doze foram martirizados ao fazer isso, não estavam envolvidos na verdadeira missão da Igreja — dar almas a Cristo?
O papa Francisco é jesuíta.
Por isso, ficamos pensando: Será que os lendários jesuítas, como São Isaac Jogues e os mártires norte-americanos, cometeram um erro ao fazer proselitismo e batizarem, quando podiam ter trabalhado para sanar o desemprego juvenil entre os moicanos?
Um ateu italiano faz a seguinte citação do papa: “Cada um tem sua própria ideia do bem e do mal,” e cada um deve “fazer o bem e o mal tal como os entende.”
Isso não reflete o relativismo moral do Príncipe Hamlet ao dizer a Rosencrantz: “não há nada que seja bom ou mau, só o pensamento os faz assim?” E no entanto, não é missão da Igreja diferenciar o bem e o mal e condenar o segundo?
“Quem sou eu para julgar?”, diz o papa Francisco a respeito dos homossexuais.
Bom, ele é o papa. E mesmo o mais humilde padre diocesano tem de emitir juízos morais no confessionário.
“Desde que se tornou papa,” escreve Goodstein, “os números de aprovação de Francisco  estão em forte alta. Até mesmo os ateus o aplaudem.”
Especialmente os ateus, é de se imaginar.
Embora o papa Francisco não tenha alterado nenhuma doutrina católica em suas entrevistas e declarações, vem lançando sementes de confusão entre os fiéis, um preço alto a pagar, mesmo com números "em forte alta" nas pesquisas.
Se minha memória não me trai, disse o Senhor: “alimenta minhas ovelhas,” não “pegue o cheiro das ovelhas.” E não estava referindo-se a bandejões, mas, o que é mais importante, ao alimento espiritual, essencial para a vida eterna.
Mas esses eram jesuítas bem diferentes. E isso faz muito tempo.

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