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quarta-feira, 5 de março de 2014

A pobreza cristã segundo o Beato Columba Marmion


Contemplemos Nosso Senhor, que é o nosso modelo em todas as coisas e que queremos seguir por amor. Que nos ensina a sua vida? Ele, por assim dizer, desposou a pobreza.

Ele era Deus: Non rapinam arbitratus est esse se aequalem Deo (Fil. II, 6); as legiões de anjos são seus ministros; com uma só palavra, tirou do nada o céu e a terra, ornou-os e enfeitou-os com riquezas e belezas que são um pálido reflexo das suas infinitas perfeições: Domine, quam admirabile est nomen tuum in universa terra! (Sl. VIII, s) A sua potência e a sua magnificência são tão vastas, que Lhe basta, segundo a expressão do salmista, "abrir a mão para encher de bênçãos todo ser vivo": Aperis tu manum tuam, et imples omne animal benedictione (Sl. CXLIV, 16).

E eis que esse Deus se encarna para nos trazer de volta a Ele. Que caminho escolhe? O da pobreza.

Quando o Verbo veio a este mundo, Ele, o Rei do céu e da terra, quis, em sua divina sabedoria, dispor os pormenores do seu nascimento, de sua vida e de sua morte de tal modo, que o que mais transparece é a sua pobreza, o desprezo dos bens deste mundo. Os mais pobres nascem pelo menos sob um teto; Ele vê a luz num estábulo, sobre a palha, in praesepio, pois "não havia lugar para a sua mãe nas estalagens" (Lc II, 7). Em Nazaré, leva a vida obscura de um pobre artesão: Nonne hic est fabri filius? (Mt XIII, 55) Mais tarde, na vida pública, não tem onde repousar a cabeça, "enquanto as raposas têm suas tocas" (Lc IX, 58). Na hora da morte, quis ser despojado das roupas e ser pregado nu à cruz. Essa túnica tecida por sua mãe, Ele a entrega aos carrascos; seus amigos abandonaram-no; de seus apóstolos, só vê a seu lado São João. Resta-lhe pelo menos sua mãe: mas não; Ele a dá a seu discípulo: Ecce mater tua (Jo XIX, 27). Não é esse o despojamento absoluto? No entanto, Ele consegue superar esse extremo grau de desnudamento. Ainda tem as alegrias celestes com que o Pai inunda a sua Humanidade; renuncia a elas, pois que seu Pai O abandona: Deus meus, ut quid dereliquisti me? (Mt XXVII, 46) Permanece , suspenso entre o céu e a terra.

Eis o exemplo que encheu o mundo de mosteiros e povoou os mosteiros de almas apaixonadas pela pobreza. Quando contemplamos Jesus pobre no presépio, em Nazaré, sobre a cruz, estendendo-nos as mãos e nos dizendo: "É para ti", compreendemos as loucuras dos amantes da pobreza.

(Beato Columba Marmion, Le Christ, Idéal du moine,  p. 208)

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