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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Léon Bloy e a morte dos filhos

Léon Bloy, autorretrato aos 19 anos

1895 foi um ano  especialmente duro na dura vida de Léon Bloy: perdeu o emprego de diretor da revista Gil Blas; na miséria que se seguiu, morreram seus dois filhinhos André e Pierre, sua mulher adoeceu gravemente.

Em seus diários, deixou o relato abaixo. Véronique era sua filha mais velha, de 4 anos:

A roda de várias semanas, tão pesadas quanto as carruagens dos Profetas, moeu meu coração.

Minha querida mulher não vai morrer, é verdade. A taça dos tormentos ainda está cheia demais, e quem me ajudaria a bebê-la?

Mas há em algum lugar um pequeno túmulo a mais, e temos de ouvir, às vezes, em meio à gritaria inumana da periferia que nos rodeia, esta queixosa e dilacerante melopeia de nossa inocente Véronique, o último filho que nos resta:

Meu irmãozinho André morreu.
Meu irmãozinho Pierre morreu.
Minha mãezinha morreu.
Meu paizinho morreu.
Não tem mais jardim.
Não tem mais casa.
A menininha está sozinha na rua.

Eu a vejo, eu ainda a ouço, a querida criança, sentada num degrau de nossa humilde soleira, perdida em seu sonho e cantando - Para quem, Senhor? - essas palavras dolorosas que ela mesma arranjara - com uma voz inexprimivelmente doce e grave, de passarinho que morre!

Tradução Yours Truly.

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