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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Mais sobre o caso Socci e a renúncia do Papa Bento XVI


Em sua resposta ao artigo de Andrea Tornielli, faltou a Antonio Socci mencionar um ponto ainda mais intrigante na carta de resposta do Papa Bento XVI: o fato de confirmar ter escrito a Hans Küng (uau!) que existe uma "identidade de ideias" entre ele, Ratzinger, e o Papa Francisco.

O problema é que não há nada mais claro e manifesto do que o enorme abismo entre as ideias dos dois papas. Isto é algo em que todos concordam. O pontificado de Francisco caracteriza-se por uma ruptura total com o do Papa Ratzinger, em todos os sentidos.

Será que diferença tão enorme teria escapado à não menos enorme inteligência do Papa alemão?

Não seria esta mais uma sutil pista deixada por Bento XVI para indicar que, como sugere Socci,  algo muito, muito grave está acontecendo nos bastidores do Vaticano?



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Os marcianinhos, os carismáticos e a linguística


Caiu em minhas mãos estes dias um exemplar de um livro do professor de linguística e sânscrito da Universidade de Paris, Victor Henry, escrito em 1901. O título é Le langage martien [A linguagem marciana]. Trata-se de um estudo do caso de uma jovem suíça que, em estado mediúnico, viajava à Índia arcaica e ao planeta Marte, onde batia animados papos com os homenzinhos verdes.

As sessões foram analisadas por ninguém menos que Ferdinand de Saussure, que achou curiosas semelhanças entre as falas da Mlle. Smith e a língua sânscrita.

Já o caso da língua marciana foi analisado mais detidamente por Victor Henry, nesse ensaio brilhante.

Ou seja, já faz mais de cem anos que essa balela de falar em línguas já foi destroçada pela ciência linguística. O que, para os carismáticos, pouco importa, é claro.

Talvez se tivessem um cérebro a reação fosse um pouco diferente.

O livro do prof. Henry pode ser lido no original francês aqui. Vale muito a pena.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A Missa Tradicional e a Paixão de Cristo



Belíssimo vídeo onde se alternam as cenas da Paixão de Cristo, tiradas do filme do mesmo nome de Mel Gibson, e as diferentes partes da Missa tradicional. No Rito Romano Antiquior, cada parte da Missa correspondia a um momento da Paixão, desde o Jardim das Oliveiras até a deposição da Cruz.

Infelizmente, todo esse riquíssimo simbolismo se perdeu na missa à la Dom Braz de Aviz, centrada no parabéns a você e no bingo.

Mas a consciência da inferioridade em relação à Missa tradicional persiste. Daí o ódio votado pelos Avacalhadores contra ela, que tudo fazem para diminuí-la, deturpá-la, denegri-la e até proibi-la.

Dizem que é moda. Mas hão de convir que, para uma moda, os mais de mil anos do Rito Romano Antiquior não estão nada mal...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

António Ferreira e a temeridade poética


Não sofrem as altas Musas meamente
Serem tratadas: tanto que do extremo
Um pouco deço, caio baixamente.

Quem espírito me dá? Como não tremo?
Como ouso tentar tanto? Vós sabeis,
Musas, quanto vos amo, quanto temo.

(António Ferreira, Carta a Pero d'Andrade)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Francisco e os joelhos



Causou a princípio estranheza o fato de o papa Francisco jamais se ajoelhar durante a Missa, ao contrário do que prescrevem as normas litúrgicas católicas, até mesmo no rito ordinário. Disseram as más línguas que aquele era mais um passo no sentido de apagar da Eucaristia o senso da Presença Real do Corpo de Cristo, em favor da concepção protestante de uma presença meramente simbólica, que, por isso mesmo, não exige a genuflexão.



Mais tarde, porém, alguns fãs do novo papa explicaram que Bergoglio sofre de uma doença que o impede de se ajoelhar.


Ah, bom.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Papa Francisco é a favor da Confissão


Na audiência geral de hoje, no Vaticano, o papa Francisco declarou-se favorável ao sacramento da Confissão, e, para pasmo dos fãs, chegou a aconselhar as pessoas a se confessarem o quanto antes. Aqui.

O curioso é que, dias atrás, o mesmo papa incentivou os fiéis muçulmanos a  lerem o Alcorão e permanecerem na fé de seus pais. Ora, o Alcorão não prevê nenhuma forma de confissão.

O que poderia levar os mais teimosos a acharem que se não há problema em ser muçulmano, também não deve haver problema em não se confessar.

O mesmo quanto às outras religiões: ateus não se confessam, judeus não se confessam, protestantes não se confessam, vampiros não se confessam, espíritas não se confessam e, como sabemos hoje, serão todos eles salvos, sem exceção.

Então, só os católicos precisam confessar-se. Por quê?

Seria a confissão uma espécie de castigo reservado aos católicos, talvez como penitência pela homofobia e pelo reacionaríssimo neopelagianismo de tantos séculos?

É bem provável.

Bispo italiano cita Bergoglio e exige a construção de uma mesquita



É o que se lê aqui (italiano).

Trata-se de Dom Massimo Camisasca, bispo de Reggio Emilia e fã de carteirinha de Jorge Bergoglio.

Como hoje sabemos, graças às alegres lições do bispo de Roma, tanto faz ser católico ou muçulmano, budista,  vampiro, evangélico ou macumbeiro, é tudo a mesma coisa.

A única coisa que não pode é ser amante da Tradição católica. Aí o bicho pega. É neopelagianismo!

O curioso é que esta era e é exatamente a posição de uma notória sociedade secreta, no passado mais de vinte vezes condenada pelo Vaticano, mas hoje muito popular por lá.

Coincidência, claro.

Ou, como diz Dom Luigi Negri, bispo de Ferrara, não muito longe de Reggio Emilia, acerca do que se passa na Igreja italiana:

É a ditadura da mídia, do politicamente e culturalmente correto, que encontra uma tradição  católica ignorada pela maior parte dos jovens, ignorada porque a maior parte daqueles que deviam falar-lhes sobre ela não o fizeram de modo adequado; encontra uma vida social fraquíssima no plano pessoal, no plano da consciência humana, no plano do conhecimento dos valores éticos fundamentais; em suma, encontra um povo desintegrado, que corre o risco de ser submetido a uma ditadura sem sequer a nobreza da oposição. (Aqui o original em La Bussola Quotidiana)




Dom Braz de Aviz estreia novo modelito de peruca



Se o papa Francisco foi eleito pela revista Esquire o homem mais elegante de 2013, uma coisa é certa. Se depender do cardeal Braz de Aviz, não vai ser fácil para o papa pop levar o bicampeonato este ano.

Para mostrar ao mundo todo o charme e o veneno do cardeal brasileiro, Dom Braz de Aviz estreou numa conferência em Roma o seu novo modelito de peruca. Num tom de acaju com toques sutis de madeira e canela, a nova cabeleira é um delicado tributo a Greta Garbo, Federico Fellini e Sílvio Santos. Com uma ousada franjinha em estilo Beatles, a peruca dá ao cardeal um look mais despojado e wild, perfeito para quem está envolvido de corpo e alma no diálogo terno, amoroso e elegante com os existencialmente periféricos.

Enfim, elegantérrimo! Nada a ver com os neopelagianos, pobres, feios, bregas e homofóbicos Franciscanos da Imaculada, justamente punidos pelo nosso chiquérrimo cardeal.

O papa Francisco que se cuide! Este ano a disputa promete pegar fogo!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Francisco aconselha aos muçulmanos lerem o Alcorão e conservarem a fé dos antepassados



Em encontro com refugiados africanos, Francisco, o papa mais amado pelos que odeiam a Igreja,  incentiva os muçulmanos ali presentes a lerem o Corão e persistirem na fé dos antepassados. A fala está em italiano, com legendas em inglês, e diz:

 “É importante que vocês façam isso. E também, os que são cristãos, com a Bíblia, e os que são muçulmanos com o Corão, com a fé que vocês receberam dos pais, que sempre ajudará vocês a irem em frente. Compartilhar também a própria fé, pois um só é Deus: o mesmo”.

Mais um tapa na cara do Salvador, na pessoa dos milhares de mártires que, ao longo dos séculos, derramaram seu sangue para pregarem a verdadeira Fé em terras muçulmanas.

Note-se que o Corão foi escrito explicitamente para negar a divindade de Cristo, principal fundamento de nossa Fé cristã.

.A diferença entre um verdadeiro papa e Bergoglio é que o primeiro diria aos católicos para mantermos a Fé de nossos antepassados; o segundo diz o mesmo, mas aos muçulmanos, e isso em frontal oposição à Fé católica de nossos pais.

 Não há mais como tapar o sol com a peneira: um grande cisma é iminente.



Bento XVI anuncia em latim sua futura renúncia



Vídeo do anúncio da renúncia de Bento XVI, pronunciado em latim ante os cardeais. Um dos eventos mais sombrios da história da humanidade. Note-se o semblante carregado, de quem tem plena consciência da gravidade do ato. Não se nota em nenhum momento o mínimo sinal de alívio, como se se livrasse de um peso.
Dada a alta cultura hoje reinante no Vaticano, não é preciso dizer que praticamente nenhum dos cardeais presentes entendeu nada.
No caso de Dom Braz de Aviz, ao que parece, por estar superocupado jogando Combate Mortal ao celular. É compreensível.

Léon Bloy e a morte dos filhos

Léon Bloy, autorretrato aos 19 anos

1895 foi um ano  especialmente duro na dura vida de Léon Bloy: perdeu o emprego de diretor da revista Gil Blas; na miséria que se seguiu, morreram seus dois filhinhos André e Pierre, sua mulher adoeceu gravemente.

Em seus diários, deixou o relato abaixo. Véronique era sua filha mais velha, de 4 anos:

A roda de várias semanas, tão pesadas quanto as carruagens dos Profetas, moeu meu coração.

Minha querida mulher não vai morrer, é verdade. A taça dos tormentos ainda está cheia demais, e quem me ajudaria a bebê-la?

Mas há em algum lugar um pequeno túmulo a mais, e temos de ouvir, às vezes, em meio à gritaria inumana da periferia que nos rodeia, esta queixosa e dilacerante melopeia de nossa inocente Véronique, o último filho que nos resta:

Meu irmãozinho André morreu.
Meu irmãozinho Pierre morreu.
Minha mãezinha morreu.
Meu paizinho morreu.
Não tem mais jardim.
Não tem mais casa.
A menininha está sozinha na rua.

Eu a vejo, eu ainda a ouço, a querida criança, sentada num degrau de nossa humilde soleira, perdida em seu sonho e cantando - Para quem, Senhor? - essas palavras dolorosas que ela mesma arranjara - com uma voz inexprimivelmente doce e grave, de passarinho que morre!

Tradução Yours Truly.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Estudo científico mostra: crianças de casais gays em desvantagem

Professor Mark Regnerus

A notícia original pode ser lida em espanhol, em Infocatólica.
(Portaluz/InfoCatólica) «As crianças criadas em lares homossexuais têm uma média mais baixa quanto aos níveis de rendimento econômico quando adultos, e sofrem mais problemas de saúde física e mental, bem como maior instabilidade em suas relações de casal». Esta é uma das conclusões do estudo realizado pelo destacado professor Mark Regnerus, professor associado de Sociologia no Centro de Investigação sobre a População, da Universidade do Texas. Sem receios,  afirma que são expostas a graves riscos as crianças que são adotadas ou criadas por casais do mesmo sexo.
A análise é parte do «Estudo das Novas Estruturas Familiares (New Family Structures Study)», cujos conteúdos foram validados e difundidos pela prestigiosa revista científica Social Science Research, revista ligada aos American Institutes for Research (AIR). O estudo pode ser lido aqui.
Regnerus, juntamente com oito cientistas sociais provenientes de distintas universidades norte-americanas, analisou milhares de dados obtidos numa enquete aplicada durante o ano de 2011 a 2.988 jovens de 18 a 39 anos, entre os quais havia pessoas criadas por adultos (pais biológicos ou não) que em algum momento de suas vidas tiveram ou mantinham no momento da pesquisa uma relação homossexual.
A pesquisa também foi aplicada a jovens de perfis semelhantes, mas criados em outros ambientes familiares (considerando amostras de famílias naturais, adotivas, divorciadas, monoparentais). O número de entrevistados, diversidade e rigor estatístico fazem desta pesquisa o instrumento de medição mais confiável até a data.
Meninas e meninos prejudicados que esperam reparação e justiça
O estudo denuncia que 40 % dos filhos de casais gay ou lésbicos contraíram doenças sexualmente transmitidas, contra 8% dos casais heterossexuais. Além disso, 12% dos entrevistados pensaram em suicidar-se, contra 5% dos filhos criados por um homem e uma mulher. Os filhos de casais do mesmo sexo, prossegue o estudo, recorrem com maior facilidade à psicoterapia e exigem maior assistência social (19% contra 8%). Com frequência são desempregados (28% contra 8%), são normalmente mais pobres, menos saudáveis, mais propensos ao tabagismo e à criminalidade.
O professor Regnerus identificou que os filhos de casais lésbicos diferem em  grau estatisticamente significativo em relação aos filhos criados em famílias biológicas intactas em 25 dos 40 aspectos medidos pelo Estudo. De igual maneira, os filhos de casais gays ostentam um grau estatisticamente significativo em 11 dos 40 aspectos medidos, em comparação com o resto das famílias.
As descobertas do grupo acadêmico liderado por Regnerus desafiam categoricamente a validade dos 59 estudos citados pela Associação Psicológica Americana (APA), que, com um número muito inferior de casos e menor cruzamento de dados, afirmavam que não existiam desvantagens para as crianças criadas por pais gays ou lésbicos.
Pelo contrário, o estudo faz um balanço dos estudos realizados durante os últimos 10 anos, com a correspondente discussão acadêmica sobre o tema, assinalando que nenhum desses estudos é metodologicamente capaz de poder sustentar a posição da APA. Mais precisamente, diz, «a estatística mostra com certa claridade que os filhos criados por pais gays ou lésbicos estão, em média, em significativa desvantagem quando comparados com os filhos criados por seus pais biológicos, casados, em famílias intactas».
Protestos, ataques e ocultação da verdade
O estudo gerou uma violenta reação em organizações pró-gay e poucos são os meios de comunicação de massa que deram a merecida cobertura a esta informação.
O lobby gay, que se especializou em se infiltrar em instituições, exigiu que a mesma Universidade do Texas organizasse um comitê docente para reanalisar os resultados da investigação, chegando-se até ao extremo de confiscar o computador pessoal do professor Regnerus.
Mas a comunidade científica internacional reagiu. Um influente grupo de cientistas socias – que inclui os professores Michael Emerson, Christian Smith, Rodney Stark, W. Bradford Wilcox e Bradley Wright - defendeu a validade e a exatidão do estudo de Regnerus.
Finalmente, em declaração pública emitida no dia 24 de agosto, a comissão acadêmica investigadora exigida da Universidade do Texas concluiu que, depois de «uma cuidadosa revisão dos dados utilizados no estudo (…) o professor Regnerus não cometeu má prática científica».

(Tradução Yours Truly).


Antonio Socci: um acordo entre Francisco e Bento XVI para partilha do papado?


Novo artigo de Antonio Socci, Os dois Papas e nós: O que está realmente acontecendo na Igreja, (em italiano) que dá sequência ao anterior, Talvez não tenha sido canonicamente válida a "renúncia" de Bento XVI, já analisada neste blog.

 Considerações sobre a situação anômala criada pela renúncia apenas parcial de Bento XVI ao papado, conservando o serviço contemplativo, o brasão, os trajes, o nome e até o título de Papa. Por outro lado, Francisco se autodenomina apenas bispo de Roma, não acrescenta o P.P. após a assinatura, não reside nos aposentos papais etc.

Segundo Socci, teria havido um acordo entre Bento XVI e Francisco, uma espécie de divisão de funções.

Não creio em tal acordo, mas uma coisa é absolutamente certa: estamos diante de uma situação anômala no mais alto grau.

Peçamos a Deus que nos dê a sabedoria para discernir os sinais, a coragem para encará-los de frente e a Fé para não nos deixarmos perder no mar de lama das confusões vaticanas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Para Francisco, Missa Tridentina é só moda



Informa o blog Rorate Caeli que o papa Francisco, em sua reunião com os bispos tchecos, teria afirmado que, para ele, a Missa tradicional católica não passa de uma moda passageira, amplamente irrelevante.

Eis as palavras do arcebispo Jan Graubner, de Olomouc:

Quando falávamos sobre aqueles que são entusiastas da antiga liturgia e querem voltar a ela, era evidente que o Papa falava com grande ternura, atenção e sensibilidade para com todos, para não ferir ninguém. Ele fez, porém, uma declaração muito forte quando disse que compreende quando as gerações mais velhas retornam ao que já haviam vivido, mas não consegue entender que a geração mais jovem queira voltar a ela. "Quando examino com mais atenção - disse o Papa - vejo que é mais uma espécie de moda [em tcheco: 'móda', italiano 'moda']. E se é uma moda, então é algo que não exige muita atenção. Só é preciso ter um pouco de paciência e de delicadeza com pessoas viciadas em determinada moda. Mas acho importantíssimo ir a fundo nas coisas, porque, se não nos aprofundarmos, nenhuma forma litúrgica, seja esta ou aquela, pode nos salvar."

Mais uma prova de grande senso de autocrítica da parte do pontífice. De fato, é completamente incompreensível e estapafúrdio que alguém possa revoltar-se com formas tão sublimes de liturgia como as da Missa do vídeo acima, presidida por ele mesmo, de maneira tão profunda. 

Eterno mesmo, só o tango.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Estreia na Espanha filme sobre os mártires dominicanos de Almagro



Estreou hoje na Espanha o longa-metragem Bajo un manto de estrellas, do diretor Oscar Parra, acerca dos mártires dominicanos de Almagro, executados por anarquistas no começo da Guerra Civil.

A crítica tem sido boa.

Escusado é dizer que nenhum de nossos bananíssimos canais de TV católicos jamais vai transmitir o filme.

O site do filme é este.

O Vaticano e os acordos secretos


Não parece haver dúvida de que na renúncia (parcial ou não) de Bento XVI e na subsequente eleição de Francisco algo de muito importante deve ter-se passado nas relações entre os grandes deste mundo e o Vaticano. Prova disso foi o fim imediato de toda hostilidade da grande mídia contra o papado de Francisco, depois do carpet bombing do final do pontificado ativo de Bento XVI.

Não é a primeira vez que acontecem coisas como essa.

O exemplo mais clamoroso de um acordo desse tipo foi aquele assinado entre os representantes do Vaticano e do governo soviético russo, às vésperas do CVII. Por ele, o Vaticano comprometia-se a não permitir sequer a menção do problema comunista nas sessões conciliares. Em troca, o governo soviético permitia a ida de representantes da Igreja ortodoxa russa ao Concílio.

Acordo cumprido de ambas as partes.

Os resultados foram, obviamente, ridículos. Imaginem um concílio reunido EM 1962 para tratar da relação entre a Igreja e o mundo que simplesmente passa por cima do problema comunista. Que valor pode ter uma análise dessa relação que se permite uma lacuna tão colossal como essa? É o mesmo que analisar uma partida de futebol sem levar em conta o que acontece com a bola. E é esse Concílio que querem apresentar como a grande bússola para orientação dos cristãos em sua relação com o mundo!

Os frutos deste novo acordo já estão bem visíveis: capitulação quase incondicional em todas as frentes no que se refere a questões de matéria moral e sexual, rompimento entre o Vaticano e os grupos que defendem a Tradição apostólica dentro da Igreja, perseguição pessoal contra intelectuais ligados à Tradição, como o prof. Roberto de Mattei, que perdeu ontem o seu programa mensal na Rádio Maria, emissora católica italiana.

Resta, porém, o problema da validade desse tipo de acordo. No fundo, a única pergunta que conta é: o que diria Jesus Cristo de uma coisa como essa?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Foi válida a renúncia de Bento XVI? Ou inválida por ter sido feita sob chantagem?


Foi dada a partida.

Um artigo de Antonio Socci no jornal italiano Libero no dia 12 passado, com o transparente título de A Renúncia de Bento XVI talvez não seja canonicamente válida, explodiu como uma bomba nos meios católicos da Itália. Nela esse católico não tradicionalista, ligado a CL  e até devoto de Medjugorje, dá suas razões para duvidar da renúncia de Bento XVI, alegando principalmente que ela não teria sido feita em condições de plena liberdade, como exige o direito canônico.

Leitura obrigatória.

Esta questão, inevitável dadas as circunstâncias nebulosas que rodearam a demissão e, sobretudo, o comportamento e as palavras daquele que se autodenomina Bispo de Roma, deve dominar o debate religioso na Igreja Católica nos próximos (longos) tempos.

Vale a pena ler também os posts, seguidos de discussão, nestes dois importantes  blogs tradicionais italianos, com participação também de Yours Truly, que já havia levantado esta  bola tempos atrás. São eles: Chiesa e post concilio e Opportune importune, do magnífico Cesare Baronio.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Carta a Francisco acerca da ofensiva da ONU contra a Igreja


Il Foglio publica um abaixo-assinado que pede ao papa Francisco para deixar de lado o silêncio que vem guardando ante os ataques do lobby gay na ONU contra a Igreja e participar de um movimento de oração contra o fanatismo neojacobino.

Muito bonito. Iniciativa mais que louvável.

O único problema é que, a nosso ver, a petição deveria ser endereçada aos marqueteiros contratados pelo Vaticano para cuidarem da imagem do pontífice, e não ao próprio papa. São elas que decidem hoje o que o sucessor de Pedro pode ou não falar, para sair bem na foto. Quem sabe eles não aprovem a ideia?

Acima, Francisco na capa de Esquire, revista de moda masculina inglesa, que o elegeu o homem mais elegante do ano.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um ano do anúncio da renúncia do Papa Bento XVI



Um ano do anúncio da renúncia do grande Papa Bento XVI, o Sábio. Data triste entre todas, que inaugurou uma das fases mais sombrias da história da Igreja.

Jesu Deus fortis, miserere nobis!

Qual a doutrina católica hoje, afinal?


Há uma crise da Fé católica. Se pouca gente diz ser católica, ainda menor é o número daqueles que dizem crer na doutrina católica.

Mas qual seria, hoje, essa doutrina católica, exatamente?

Que denominador comum podem ter Hans Küng, Santo Tomás de Aquino, Vito Mancuso, João Paulo II,  Santo Agostinho, Santa Catarina de Sena e o padre Marcelo Rossi?

Nenhum. Nada.

Por isso não se crê mais. Não há nada em que crer.


O único mandamento da Igreja pós-conciliar


Cristo resumiu os mandamentos em dois. A Grande Avacalhação pós-conciliar, em um só: ser politicamente correto. O resto está liberado.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A castidade e o Primeiro Mandamento


A castidade é o cão de guarda do Primeiro Mandamento.

NB: É sempre bom lembrar que o Primeiro Mandamento é o primeiro, não o segundo, como insistem alguns.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

O estado de espírito na Igreja

Padre ecumênico em plena periferia existencial

Para entender o que está acontecendo na Igreja, é preciso considerar quem é hoje o sacerdote lambda. É um senhor já de idade avançada, que há cinquenta anos vem pregando a doutrina aguada do pós-concílio, uma mistura insípida e morna de protestantismo, marxismo, animismo e muzzarela, na qual já não crê minimamente - e como poderia? Ninguém crê na doutrina católica pós-conciliar. Aliás, que doutrina? Não há nada para crer.

Cansado e desanimado, o nosso sacerdote só quer uma coisa: sossego. Tudo, menos comprar briga com ninguém, muito menos com cachorro grande. Daí o papel fundamental do ecumenismo, seja ele com quem for, ateus, comunistas, homomaníacos, espíritas, satanistas, maçons, evangélicos, vampiros, qualquer um. Contanto que não encham o saco.

É essa a base de sustentação eclesiástica do papa Francisco.

O exato oposto do que deve ser o sacerdote fiel à Igreja de Cristo, tal como descrito neste belo texto do padre Michel-Marie Zanotti-Sorkine, extraído do livro I tiepidi vanno in inferno  Em italiano.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Heresiarca Kiko Arguello recebido com honras por Francisco no Vaticano


Poucos dias atrás, em mais uma de suas solenes pisadas na bola, Francisco recebeu com honras no Vaticano o criador do Caminho Neocatecumenal, Kiko Arguello.  Trata-se de mais uma das aberrações criadas pelo famigerado "espírito do concílio", que tem levado a Igreja de Cristo à beira do abismo.
Quem quiser ter uma boa ideia do que se trata, recomendo a leitura, no excelente blog italiano Chiesa e Post Concilio, de um texto do Mons. P.C. Landucci a respeito desse movimento estapafúrdio e heterodoxo.

Como todos os entusiastas do "espírito" do Concílio, Kiko Arguello se crê um iluminado pelo "Espírito Santo", com direito, portanto, a rejeitar tudo o que o precedeu, desde Niceia. A partir de Constantino, a Igreja teria entrado numa espécie de parêntese burocrático, de que só veio a sair graças aos dons extraordinários desse supersanto que é Kiko Arguello. Santo Agostinho, Santo Tomás, São João da Cruz, Santa Teresa d'Ávila, tudo isso é só burocracia religiosa. O verdadeiro cristianismo só começa com Kiko Arguello, o Grande!

Ou seja, Cristo mentiu quando disse que acompanharia sua Igreja todos os dias até o fim dos tempos.

Parece piada, mas é a triste realidade. Acima, um esquema da história da Salvação, desde Abraão até Kiko Arguello. Note-se o parêntese que vai de Constantino até o CVII. Este esquema foi tirado de um documento secreto que serve para a (des)orientação dos catecúmenos.

O mais trágico é que, mesmo ciente de tudo isso, Francisco os recebeu com honras no Vaticano, para mandá-los "em missão".

Dada a balbúrdia instalada no Vaticano, este blog, em vez de crer num parêntese de mais de 1500 anos entre Constantino e a apoteose de Kiko Arguello, crê, mais modestamente, num breve parêntese entre a renúncia nebulosa e muito provavelmente inválida do Papa Bento XVI (por não livre, mas sob pressão) e a eleição do próximo Papa.



Para bispos alemães,Henrique VIII estava certo e a Igreja, errada



Com o apoio explícito  do alto comando da Grande Avacalhação pós-conciliar, hoje firmemente instalado sobre quatro patas no Vaticano, bispos alemães, depois de terem grande sucesso na destruição da igreja católica em seu país, empenham-se agora em destruir a doutrina da Igreja referente ao casamento, e, com isso, prestar grande serviço à máquina totalitária da teoria do gênero e do casamento gay, tão cara aos especuladores de Wall Street e seus lacaios da esquerda sodomita.

No vídeo acima, Michael Voris mostra que, se os bispos alemães estivessem corretos, também Henrique VIII teria tido razão contra o Papa, e São Tomás Moro, São João Fisher e mais milhares de mártires católicos ingleses teriam morrido em vão. E, é claro, se a doutrina católica estivesse errada neste ponto, nada mais garantiria que estivesse certa em outros pontos de moralidade e dogma, e toda a Fé católica viria abaixo. A promessa de Cristo a Pedro teria sido mentirosa, e a Igreja católica passaria a ser apenas mais uma ONG no oceano da boçalidade contemporânea.

E a Grande Avacalhação teria, finalmente, atingido seu objetivo.

Cristo, porém, não mente.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Nigéria aprova leis anti-lobby gay. Vaticano reprova

Dom Ignatius Kaigama com o Papa Bento XVI

É o que noticia Corrispondenza Romana.

O presidente da Nigéria baixou recentemente um pacote de leis para limitar a ação do lobby gay em seu país. A iniciativa contou com o apoio do Arcebispo de Jos, Dom Ignatius Kaigama, também presidente da conferência episcopal  nigeriana.

A agência Fides, porém, órgão da Congregação para a Doutrina da Fé, publicou duras críticas ao presidente nigeriano, considerando violenta e discriminatória a nova legislação.

Da aprovação dos bispos nigerianos, nem palavra.

Aliás, não tenho mais ouvido falar nada sobre o lobby gay no Vaticano. Sumiu!

Dança macabra recebe relíquias de Dom Bosco na Sicília



A que ponto pode chegar o sacrílego bom-mocismo alegrão da Igreja bergogliana. A urna de Dom Bosco recebida pelo Superior geral da Ordem dos Salesianos com coreografias dignas do Faustão.

Fellini não conseguiria imaginar cena mais degradante e macabra.

Esse pessoal não respeita mais nada. É realmente o fim.

Mas, pensando bem, para quem está acostumado a transformar o Calvário em circo a cada missa, uma dancinha macabra de corpo presente é só aperitivo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O papa, o papagaio e o silêncio covarde


A Europa afunda no mar de sangue dos bebês massacrados ainda no útero das mães; pessoas são presas só por vestirem uma camiseta com um logo de apoio à família composta por um pai, uma mãe e seus filhos; o discurso cristão sobre a sexualidade está prestes a ser proibido por uma lei, Lunacek, que impõe a teoria do gênero, no melhor estilo Hitler/Stalin. Contra tudo isso se ergue Dom Luigi Negri, Arcebispo de Ferrara-Comacchio, num corajoso artigo de La Nuova Bussola, com o título expressivo de Avança a ditadura do silêncio. Nele, o prelado italiano comenta consternado o silêncio dos católicos ante a destruição de sua Igreja, de seu país, de seu continente e de suas famílias pela máquina totalitária da teoria do gênero.

Enquanto isso, o bispo de Roma sorri para as câmeras ao abençoar um papagaio.

Pelo menos a falante avezinha não pode ser acusada desse silêncio covarde. Não é o papagaio que repete tudo o que o dono diz?

Um belo símbolo deste pontificado.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Franciscanos da Imaculada: calúnia à vista?


A brutal intervenção vaticana contra os franciscanos da Imaculada marca sem dúvida um dos pontos baixos da história da Igreja. Num momento em que escândalos de toda espécie pululam em meio ao clero, em que as heresias mais cabeludas encontram defensores nos mais altos escalões da Hierarquia, em que as vocações religiosas escasseiam como nunca, o Vaticano escolhe como alvo de sua ira justamente um dos pouquíssimos institutos católicos florescentes, dedicado à missão, ao estudo da doutrina e à oração, tudo isso na mais estrita pobreza material, segundo o espírito do Poverello de Assis.
A repercussão do caso foi ampla e amplamente negativa. Até mesmo comentadores notoriamente submissos à Grande Avacalhação pós-conciliar exprimiram sua indignação e perplexidade com a brutalidade da intervenção decretada, do alto de sua peruca, pelo cardeal João Braz de Aviz. Abaixo-assinados correram, incontáveis posts indignados na blogosfera e nos fóruns católicos deixaram claro que apesar da modorra espiritual que atinge hoje a imensa maioria dos católicos, ainda há espaço para indignação contra casos extremos de injustiça, como este.
As respostas vaticanas à indignação geral foram até agora escassas, limitando-se a alguns informes, logo peremptoriamente desmentidos pelo próprios franciscanos, de que tal intervenção teria sido solicitada pela maioria dos religiosos, e à sugestão de que tudo aquilo partia de uma ordem pessoal do bispo de Roma.
Torço para estar enganado, mas uma recente declaração do purpurado de cabelos esvoaçantes, veículada por Infocatólica, parece querer abrir um novo ato nesta tragédia. Segundo Dom Braz de Aviz, teria havido recentemente outros casos de escândalos do estilo Marcial Maciel envolvendo fundadores de congregações e institutos religiosos. Abriu-se o frasco de veneno, e os vapores letais já começam a empestar o ambiente. Seria esta uma alusão ao padre  Manelli, o fundador dos Franciscanos da Imaculada, mantido em regime de confinamento forçado pelo interventor romano?
Este blog espera realmente que não, e que a corrupção reinante no Vaticano não tenha chegado a profundidades já além do limite do dizível.
Acima, um vídeo sobre os 60 anos da profissão religiosa do padre Stefano Manelli, uma das vozes espirituais mais puras e profundas da Igreja de Cristo.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.