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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Francisco e a ternura de mão única



Abaixo, tradução de um texto do blog italiano Opportune importune, de autoria de Cesare Baronio. Chama-se Mão única e vai direto ao ponto no que se refere à pretensa ternura do papa Francisco, que por um lado se mostra aberto a tudo o que é politicamente correto, mas trata cruelmente os Franciscanos da Imaculada e tudo o que se refere à Tradição. Dois pesos, duas medidas?


De alguns meses para cá, tem sido ressaltada de maneira cada vez mais evidente na Hierarquia – e, sobretudo, na figura do Pontífice reinante -  a estridente dicotomia entre uma abertura formal para o mundo e um fechamento substancial ao dissenso interno à Igreja, onde por dissenso nos referimos apenas à ala conservadora e tradicionalista do mundo católico, uma vez que a ala progressista se vê muito encorajada, representada e protegida pela mais alta hierarquia.

Essa suposta abertura, esse ar de novidade que, segundo alguns, finalmente se respira depois do asfixiante Pontificado de Bento XVI, é destilado nos aforismos – que, por vezes, soam como boutades provocativas - do Papa Francisco, o qual goza de uma superexposição mediática vinda do seu protagonismo e da inquietante coincidência das suas ideias com as do século. 

Obviamente, o entusiasmo unânime do mundo laico - de Scalfari ao Grande Oriente -, longe de soar como toque de alarme para o Clero e o laicato católico, parece confirmar aquele clima de desistência, diríamos até de entente cordiale entre a Igreja e o mundo. Habitualmente, nós, profetas do apocalipse, vemos ali uma inquietante confirmação dos mais negros presságios daqueles que, já há mais de cinquenta anos, veem nesta abertura para o mundo inaugurada por Roncalli um autêntico desastre para a Esposa de Cristo, que venceu o mundo. 

Gostaríamos, porém, de ver se as palavras de Bergoglio, que é ou pelo menos deveria ser nosso pai comum e, portanto, dirigir-se a todos os fiéis católicos, podem ser efetivamente aplicadas a todos ou se, pelo contrário, não se revelem de sentido único, em uma direção muito precisa. Faremos isso citando o Papa e vendo se, parafraseando as suas augustas palavras, as suas afirmações permanecem válidas.

  • Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? 
  • Se um Frade da Imaculada é tradicionalista e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-lo, nomeando um interventor para a Ordem?  
Oops, esta não funciona, como se viu por fatos recentes. Vamos tentar outra. 
  • As nossas certezas podem tornar-se um muro, um cárcere que aprisiona o Espírito Santo. 
  • As nossas certezas sobre o Concílio, sobre o ecumenismo, sobre o laicismo podem tornar-se um muro, um cárcere que aprisiona o Espírito Santo.
Essa também não: quem mexe com o Concílio morre; quem critica os abraços com os heréticos, cismáticos, idólatras é um reacionário a ser silenciado. Mais uma:

  • Os fundamentalismos surgem quando os  problemas são vistos à luz das ideologias. Os valores não devem ser reduzidos a uma ideologia.  
  • Os fundamentalismos surgem quando os problemas são vistos à luz da ideologia conciliar e modernista. Os valores não devem ser reduzidos a uma ideologia. 
Nada a fazer: se acreditamos no que os Papas nos ensinaram até o Concílio, somos inevitavelmente  fundamentalistas; mas se, depois da crise pós-conciliar teimarmos em dizer que tudo vai bem, mesmo se as almas se perdem, então não há nada  a contestar. Tentemos de novo: 

  • Nestes tempos de crise, é importante não nos fecharmos em nós mesmos, mas abrir-nos, estarmos atentos ao outro.  
  • Nestes tempos de crise para a Igreja, é importante não nos fecharmos em nós mesmos e nas nossas convicções conciliaristas, mas abrir-nos, estarmos atentos ao outro, mesmo se tradicionalista, mesmo se pede a Missa tridentina, se quer estudar para padre num seminário católico.  

Não há como: assim que veem que você não venera o ídolo conciliar, que sente até certa perplexidade diante dos encontros ecumênicos ou que não consegue rezar nas Missas reformadas porque falta o senso do sagrado, todos se fecham em suas couraças, rotulam você de fanático e tudo o que pedir é ignorado ou condenado. Insistamos:



·        Sair de nós mesmos é sairmos também do jardim das nossas convicções consideradas inamovíveis, se elas ameaçarem tornar-se um obstáculo, se fecharem o horizonte que é de Deus.
·        Sair de nós mesmos é sairmos também do jardim progressista das nossas convicções sobre a liturgia conciliar e sobre o ecumenismo, consideradas inamovíveis pelos inovadores, se elas ameaçarem tornar-se um obstáculo para os tradicionalistas, se fecharem o horizonte que é de Deus, privando muitos católicos da Missa católica.

Não foi desta vez: toda frase de Bergoglio funciona para os progressistas, mas naufraga miseravelmente quando aplicada aos católicos normais...  Mais uma tentativa:

  • Uma vez uma pessoa, em tom de provocação, me perguntou se eu aprovava a homossexualidade. Respondi, então, com outra pergunta: “Diga-me: Deus, quando olha para um homossexual, aprova a existência dele com ternura ou o rejeita, condenando-o?”
  •  Uma vez uma pessoa, em tom de provocação, me perguntou se eu aprovava o tradicionalismo. Respondi, então, com outra pergunta: “Diga-me: Deus, quando olha para um tradicionalista, aprova a existência dele com ternura ou o rejeita, condenando-o, como costumamos fazer?”

Tentemos de novo, talvez desta vez dê certo:



·        Penso também na situação de uma mulher que tem pelas costas um casamento fracassado, no qual também abortou. Depois, essa mulher tornou a casar e agora está tranquila, com cinco filhos. O aborto enche-a de dor e está sinceramente arrependida. Ela gostaria de levar uma vida cristã. O que o confessor vai fazer?
·        Penso  também na situação de um sacerdote que tem pelas costas uma suspensão a divinis por ter rezado a  Missa de São Pio V e que também foi excomungado. Depois, esse sacerdote entrou na Fraternidade São Pio X e hoje é feliz, com uma bela comunidade de fiéis. A excomunhão enche-o de dor e  gostaria de ir em frente na vida de sacerdote. O que o confessor vai fazer, além de recusar-lhe a absolvição e obrigá-lo, se quiser voltar à comunhão com o Papa, a aceitar o Concílio e a celebrar uma missa quase luterana? 

Outro fracasso. Última tentativa:


·        Quer convencer um outro a se tornar católico? Não, não, não! Vai encontrá-lo, é seu irmão! E isso basta.
·        Quer convencer um outro a se tornar modernista? Não, não, não! Vai encontrá-lo, é seu irmão! E isso basta.


Quod erat demonstrandum: acolhe-se a todos, mas para os Católicos não há lugar no circo conciliar. A nós, ostracizados, exilados, desprezados, excomungados, marginalizados, só resta tirar disso tudo as devidas conclusões. 

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