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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O escândalo da canonização de João Paulo II



Chegam-nos mais e más, muito más notícias do Vaticano, com a confirmação da canonização de João Paulo II marcada para o começo do ano que vem. 

Não é preciso ter conhecimentos muito aprofundados para ver a extrema gravidade do caso. 

Até mesmo um repórter de um veículo boçal como The Huffington Post, Michael D'Antonio, parece  ter uma perspectiva melhor sobre as implicações do caso do que as mais altas patentes vaticanas: 

Todo aquele que examinar a notícia de que o atual papa, Francisco, aprovou a canonização de João Paulo II deve também refletir que mais do que ninguém João Paulo II tinha acesso às informações acerca de todo o alcance do problema dos abusos sexuais e o mais alto poder para tratá-lo. Durante mais de duas décadas, ele concedeu ao clero um tipo de processo desconhecido nos tribunais civis, permitindo-lhes que resistissem durante anos aos esforços dos que os queriam expulsar da condição sacerdotal. Muitas vezes, mais crianças eram vitimizadas enquanto a burocracia papal se movia devagar e de maneira invisível. Muitas vezes, predadores como Murphy morreram antes de prestarem contas.

E como o caso dos escândalos está longe de ter sido completamente esclarecido, corremos o risco de ver canonizado alguém que, em vez de ser cultuado nos altares, talvez devesse ter estado atrás das grades.

Fica a pergunta: qual o maior escândalo, abusar sexualmente de crianças, acobertar esses abusos ou canonizar os que tinham poder para coibi-los mas não o fizeram?

2 comentários:

  1. Já houve algum caso de "canonização revista"? Porque essa situação é gravíssima mas, se o processo de canonização for tradicionalmente infalível, não teremos alternativa senão apelar para a distinção entre virtude objetiva e virtude subjetiva. João Paulo II e João XXIII teriam feito o mal com a melhor das intenções...

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  2. Pois é, meu amigo, essa é a pergunta que não quer calar, e é ela justamente que transforma a canonização em catástrofe. Até agora tenho evitado citar os detalhes sobre os escândalos sexuais do clero, porque a intenção do blog é achar caminhos, e não chorar o leite derramado, mas depois de ler algum dos muitos livros sobre o assunto escritos por autores sérios e católicos, a última ideia que pode passar pela cabeça do leitor é que o responsável supremo pela administração da Igreja naquele período possa ser canonizado. Diria que se há infalibilidade nessa canonização, é que se trata infalivelmente de um enorme erro.

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