Pesquisar este blog

domingo, 4 de agosto de 2013

Jacques-Joseph Duguet (1649-1733): Eucaristia e martírio



I. Tais verdades enchem de consolação e de alegria a alma fiel e que sabe delas se nutrir. Mas quando as bem compreendemos, ocupamo-nos mais do uso que delas devemos fazer do que do consolo que delas recebemos. Pois um Sacerdote que oferece a vida de Jesus Cristo e derrama seu sangue não desce do altar sem ouvir dEle a mesma lição que deu outrora a seus discípulos: Si haec scitis, beatis eritis si feceritis ea. Se compreenderdes o que faço, compreendeis também o que deveis fazer. Morro por vós e vós deveis morrer por Mim. Deveis-Me vida por vida. Dei a minha para vossa salvação e exijo que deis a vossa por vossos irmãos, quando eu marcar o tempo e a ocasião: Et nos debemus pro fratribus animas ponere.

II. Cuidado, diz o Sábio, com o que vos será servido à mesa do homem poderoso, e pensais que tereis de lhe devolver a mesma quantia: Si sederis caenare ad mensam potentis, sapienter intellige quae apponuntur tibi, & mitte manum tuam, sciens quia talia te oportet preparare. Comei o cordeiro, mas tornai-vos cordeiros. Celebrai sua morte; mas considerai-a um anúncio da vossa. Pensai no que vos é dado; mas não vos esqueceis da condição com a qual o recebeis. Jesus Cristo não precisa de vós nem de vossa vida: ela, porém, foi adquirida por Ele, que vo-la pode pedir, ou como prova de fé, ou como exemplo para os fiéis: Mensa potentis quae sit nostis; ibi est corpus, & sanguis Christi. Qui accedit ad talem mensam, preparet talia. Et quid est, preparet talia? Quomodo ipse pro vobis animam suam posuit: sic & nos debemus, ad edificandam plebem, ad asserendam fidem, animas pro fratribus ponere. (S. Agostinho, Tract. 47 in Joan., c. 2).

III. É o que os Mártires haviam compreendido, diz alhures Santo Agostinho; e se honrarmos sinceramente seus triunfos; se estivermos persuadidos mesmo de que somos admitidos à mesma mesa que eles, e com as mesmas condições; imitemos sua fé e seu reconhecimento, conservando-nos prontos para morrer como eles: Oportet ut quemadmodum ipsi, & nos talia preparemus.(Tract. 84, n. 1).

IV. Bebem os pecadores seu julgamento, recebendo indignamente o corpo e o sangue de Jesus Cristo; mas os justos, num sentido muito diferente, bebem também seu julgamento, na medida em que são mais esclarecidos e mais santos. Comprometem-se a tudo sacrificar ao participarem do sacrifício do Senhor. Seu sangue sela essa divina aliança, e eles se tornam responsáveis por Seu corpo, recebendo-O com amor.

(Traité sur la prière publique)

Nenhum comentário:

Postar um comentário