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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

As tenebrosas origens do espiritismo: as irmãs Fox



O "espiritismo moderno", tal como praticado no Brasil segundo a codificação do maçom francês Léon Denizard Rivail, popularmente conhecido por Allan Kardec, foi criado nos Estados Unidos nas décadas de 1840-1850, pelas famosas irmãs Margaretta (1838-1893) e Katherine Fox (1841-1892), a que mais tarde se uniu a irmã mais velha, Leah (1814-1890).

Margaretta e Katherine, de 10 e 7 anos respectivamente, teriam sido testemunhas de fatos sobrenaturais: portas que se batiam sozinhas, batidas secas nas paredes, rangidos inexplicáveis etc. As espertas meninas tiveram então a ideia de se valer do então recém-inventado código Morse para interpretar as pancadas que ouviam. Qual não foi sua surpresa ao descobrirem que se tratava de mensagens vindas do além, do espírito de um tal Charles Ryan, supostamente assassinado no porão da casa em que moravam.

A descoberta fez imenso sucesso nos Estados Unidos e, graças ao financiamento de importantes personagens do mundo da mídia, como Horace Greeley, diretor do New York Tribune, o espiritismo tornou-se rapidamente um fenômeno de massa. Em 1856, só nos EUA já havia 10 mil médiuns comunicando-se telegraficamente com o além, para pasmo de um público de 3 milhões de fiéis. Em pouco tempo, o código Morse se tornara uma verdadeira coqueluche entre os espíritos, o que mostra que estão sempre atentos aos desenvolvimentos tecnológicos da humanidade. É bem provável que hoje eles tenham abandonado o naftalínico código Morse em favor dos mais modernos serviços de mensagem, como o Twitter, o email e o SMS. Eu mesmo já recebi vários emails que desconfio terem vindo do além.

Com o passar dos anos, as duas meninas foram perdendo o fervor por suas fantasmagóricas façanhas telegráficas, até que em 1888, Margaretta, tendo ao seu lado a irmã Katherine, denunciou publicamente a fraude do espiritismo:

"Os que estão aqui presentes bem sabem que fui de fundamental importância na perpetração da fraude espiritual imposta a um público demasiado crédulo... O comportamento que adotei durante tanto tempo foi-me imposto quando era criança e não conseguia distinguir com clareza entre o bem e o mal, em razão do caráter ainda em formação e de minha mente ainda não desenvolvida. Com o passar dos anos me arrependi, mas não ousei romper o silêncio, por causa das ameaças, e assim, em meio a mil amarguras e adversidades, tratei de calar como podia a consciência da minha culpa. Agora, porém, graças a Deus, a minha consciência despertou e me sinto capaz de revelar a fatal verdade, a ignóbil fraude que devastou tantos corações e arrasou tantas vidas cheias de esperança. Aqui estou esta noite como uma das fundadoras do espiritismo, para denunciá-lo como uma fraude absoluta, como a mais nociva das superstições e a mais viciosa heresia que o mundo jamais conheceu". Em seguida, Margaretta explicou para um público estarrecido como havia produzido artificialmente as batidas nas paredes e assoalhos e outros fenômenos supostamente "espirituais".

No ano seguinte, em caráter privado, a mesma Margaretta teria repudiado a sua retratação na casa de um milionário espírita nova-iorquino, sem testemunhas. Abandonadas pelos seus antes numerosos seguidores, as duas irmãs morreram na miséria poucos anos depois.

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