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domingo, 2 de dezembro de 2012

Bernanos acerca da manipulação anticatólica das massas


A humanidade foi até agora vítima de muitas experiências, mas essas experiências empíricas eram feitas ao acaso, contradiziam-se muitas vezes umas às outras. Pela primeira vez ela entra num laboratório admiravelmente equipado, com todos os recursos da técnica e do qual pode sair mutilada para sempre. Neste caso, os cirurgiões enxugarão as mãos no avental escarlate, e tudo estará acabado para sempre. Tenho o direito de olhar esse laboratório de frente. Os cirurgiões dizem-se seguros de si. Mas será que estão seguros sobre o que têm ali, estendido diante deles, sobre a mesa de operação? E se o homem não for o que acham que é? Se sua definição de homem um dia se revelar falsa e incompleta? E, por exemplo, eles o consideram um animal industrioso, sujeito ao determinismo das coisas e no entanto indefinidamente perfectível. Mas e se o homem tiver sido realmente criado à imagem de Deus? Se houver nele numa proporção qualquer, por mais ínfima que seja, de liberdade, a que levariam suas experiências, senão à mutilação de um órgão essencial? Se existir no homem esse princípio de autodestruição, esse misterioso ódio de si que chamamos de pecado original e que os técnicos não deixaram de observar, pois explica as medonhas decepções da história? É verdade que o atribuem não ao homem, mas à má organização do mundo. Mas e se estiverem enganados? Se a injustiça estiver no homem e todas as proibições apenas reforçarem sua malignidade? Se o homem só puder realizar-se em Deus? Se a operação delicada de amputá-lo de sua parte divina - ou pelo menos de atrofiar sistematicamente essa parte até que ela caia ressecada como um órgão onde o sangue não mais circula - acabar transformando-o numa besta feroz? Ou talvez pior, num animal domesticado para sempre, num animal doméstico?
(Georges Bernanos, La liberté pour quoi faire?, pp. 124-125). Tradução Yours Truly.

Um comentário:

  1. O grande escritor católico Georges Bernanos, cuja obra tem sido publicada no Brasil pela É Realizações Editora, agora tem sua passagem pelo país narrada ao público local. O estudo de Sébastien Lapaque “Sob o Sol do Exílio: Georges Bernanos no Brasil (1938-1945)” acaba de ser publicado, trazendo à luz a visita de Bernanos a várias cidade do Rio de Janeiro e Minas Gerais, sua estadia no sítio Cruz das Almas, sua revolta contra a mediocridade dos intelectuais e a ascensão do totalitarismo, sua amizade com pensadores brasileiros e a visita que Stefan Zweig lhe fez à véspera de se suicidar.

    Matérias na Folha de S. Paulo a propósito do lançamento do livro: http://goo.gl/O8iFve e http://goo.gl/ymS4lL
    Para ler algumas páginas de “Sob o Sol do Exílio”: http://goo.gl/6hAEOM

    Confira também:
    Diálogos das Carmelitas: http://goo.gl/Yy3ir3
    Joana, Relapsa e Santa: http://goo.gl/CAzTTk
    Um Sonho Ruim: http://goo.gl/Kd091z
    Diário de um Pároco de Aldeia: http://goo.gl/ISErLc
    Sob o Sol de Satã: http://goo.gl/qo18Uu
    Nova História de Mouchette: http://goo.gl/BjXsgm


    ANDRÉ GOMES QUIRINO
    mkt1@erealizacoes.com.br
    (11) 5572-5363 r. 230

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