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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Grandes compositores católicos: Franz Schubert (1797-1828)



 Aqui, duas obras-primas compostas ambas em 1822, quando Schubert contava apenas 25 anos de idade, mas já demonstrava total domínio da arte musical.
Primeiro, a Missa n. 5, uma das poucas obras que Schubert trabalhou e retrabalhou ao longo de vários anos. No total, Schubert compôs 6 missas, além de grande número de peças religiosas e litúrgicas.

 

 A segunda, a meravigliosa e bem conhecida Sinfonia Inacabada, certamente uma das mais altas obras sinfônicas da história da música, embora por vezes esnobada por certos pedantões. Aqui, na interpretação do genial Furtwangler.

Enjoy.

Anselm Grün, a blasfêmia e o judaísmo

Anselm Grün

O diretor do grupo ACI (Agência Católica de Informações), Alejandro Bermúdez Rosell, em artigo divulgado no site Acidigital, acusa o monge gnóstico Anselm Grün de heresia e de divulgar ideias contrárias à doutrina da Igreja. Até aí morreu Neves. Duvido muito que Grün ou mesmo algum de seus entusiastas leitores tenha qualquer interesse pelo catolicismo e muito menos pela ortodoxia. É tudo puro New Age.

Mas o mais ridículo é a argumentação que é usada no artigo para atacar o monge herético:

O sacerdote jesuíta [!!] Gabino Tabossi também criticou a aproximação de Grün a diversas heresias e a teorias psicológicas contrárias ao ensino da Igreja.

Como exemplo, o Pe. Tabossi “assinalou que, em uma de suas obras, Grün considera a relação entre o Abraão e Isaac como "despótica e a que tem com Deus neurótica e fictícia".

"Tal interpretação, além de psicologista, é pouco ecumênica: que não saibam nossos irmãos maiores que um católico tratou como doente e desequilibrado ao progenitor do judaísmo!".


Ou seja, o cara escreve uma blasfêmia das mais primitivas e grosseiras, e tudo o que esse tétrico soi-disant seguidor de Santo Inácio de Loyola tem a dizer é que assim ele vai acabar ofendendo os rabinos! Que falta de educação! Isso sim é heresia!

Ou seja, ofender a Deus, à Igreja, aos grandes patriarcas do Velho Testamento, isso pode, sem problema. Mas mexer com os nossos irmãos maiores, ah, isso nunca.

E, aliás, como se os rabinos fossem perder tempo com uma nulidade como Grün...

Deprimente. 

Editora Vozes, decadência e pornografia

São Francisco de Assis

Nova livraria da Editora Vozes, dos padres franciscanos (!!),  no centro de São Paulo. Tudo no estilo mais "moderno", com bar, mesinhas, mas poucos livros. Livraria para quem não é do ramo, para quem não lê e nem se interessa por livros, e está mais interessado num hambúrguer do que num ponto de metafísica.

Na vitrina, em grande destaque, a trilogia sadomasoquista da escritora pornográfica inglesa, Erika Leonard James, dos lúgubres 50 tons de cinza, que já vendeu mais de 40 milhões de cópias em todo o mundo.

Para uma editora que começou editando catecismos, obras de espiritualidade católica e a grande Gertrud von Lefort e depois passou a Leonardo Boff e que tais, uma trajetória de queda livre espiritual que termine na mais vil pornografia não é lá muito de surpreender.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison

PS: Passando, alguns dias depois, em frente de uma livraria Loyola, pude constatar que, para não ficar atrás de sua rival franciscana, nela eram exibidos com amplo destaque não só os tenebrosos 50 tons de cinza, mas outros cem tons  de trevas divididos em dois volumes da mesma autora pornográfica.

É triste notar que as duas ordens, franciscan e jesuíta, de tão glorioso passado, hoje tenham sido tomadas inteiramente pela fumaça já detectada por Paulo VI décadas atrás. São ambientes irrespiráveis, onde a vida católica se tornou impossível. Muito triste. Por seu passado, mereciam morte menos abjeta.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Grandes compositores católicos: Wolfgang Amadeus Mozart



Apesar da lenda jamais confirmada de ter pertencido à maçonaria e de alguns hininhos triviais compostos para os fratelli, Mozart reservava a grande arte para a Igreja de Cristo, como no Réquiem e neste celestial Ave verum Corpus, dedicado à presença real no Santíssimo Sacramento. Ou seja, ao que causa mais calafrios aos filhos da viúva. Coisa curiosa.

Aqui na autorizada interpretação dos Meninos Cantores de Viena.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Forte argumento a favor do darwinismo: dia internacional da pedofilia


Anteontem, dia 22 de dezembro, como acontece duas vezes por anos desde 1998, foi festejado por todas as redes pedófilas do mundo o Dia da Pedofilia, ou mais precisamente, o International Boy Love Day.

Como é notório, a pedofilia está liberada em todo o ocidente, salvo para os membros do clero católico - graças a Deus, aliás, e esperamos que essa mácula satânica na Igreja tenha sido lavada para sempre.

Na Bélgica, por exemplo, acusações sobre as redes elitistas de pedofilia que tomam conta das mais altas esferas do governo valem aos autores das denúncias não só a prisão, mas o silêncio mediático absoluto: é proibido mencionar seus nomes nos jornais. Quem denuncia vai preso. Quem estiver interessado, pode encontrar detalhes em profusão no site Pedopolis, em francês com tradução parcial em inglês e italiano.

É por essas e outras que, apesar dos fortes argumentos de William Dembski e Michael Behe a favor do Desenho Inteligente, às vezes nos parecem mais consistentes os que defendem uma evolução darwiniana de novo formato, como mostra a ilustração acima. Pelo menos, ela permite explicar com maior riqueza de detalhes o que vem se passando com a espécie humana na Europa e no ocidente em geral.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Entrevista com Michael Behe sobre a teoria do Desenho Inteligente e as provas científicas em favor de uma inteligência por trás da evolução dos organismos vivos



Entrevista com o bioquímico americano Michael Behe, uma das cabeças do movimento do Desenho Inteligente, que contesta a ideia de que o surgimento e o desenvolvimento da vida em nosso planeta possam ser explicados recorrendo-se apenas ao esquema neodarwiniano de mutações aleatórias/seleção natural.

Behe é autor do livro A Caixa Preta de Darwin, de leitura absolutamente fundamental para quem queira ter uma visão clara do problema. E - milagre! - existe tradução brasileira.

Na entrevista, Behe faz um apanhado geral do que seja o Desenho Inteligente, de sua história, do conceito fundamental de complexidade irredutível e das tribulações por que têm passado os defensores da tese de uma inteligência que rege a evolução dos organismos vivos. Sempre brilhante e simpático, Behe também deixa claro o seu otimismo quanto ao futuro de suas ideias.

Defender a verdade sempre faz bem.

Em inglês.

Aborto na China: pílulas afrodisíacas compostas inteiramente de carne de fetos humanos



Segundo reportagem da televisão coreana comentada neste vídeo em inglês de InfoWars, laboratórios chineses estão vendendo pílulas de estimulantes sexuais compostas inteiramente de carne de fetos abortados. Pesquisas de laboratório conseguem até mesmo determinar, a partir das pílulas, o sexo do bebê que estará sendo ingerido.

Os laboratórios compram os fetos das centenas de milhares de clínicas de aborto financiadas pelo glorioso governo comunista chinês, e com eles preparam suas pílulas de estâmina.

Certamente, nossas entusiastas tupiniquins do aborto estão fascinadas com as novas perspectivas abertas pelo canibalismo industrial de crianças. Novos horizontes de podridão moral nunca dantes descortinados se abrem ante a vista maravilhada de nossas feministas.

Segundo o vídeo da InfoWars, também em nosso maçônico "ocidente" a indústria de cosméticos vem utilizando células de fetos humanos em seus produtos.

A inventividade satânica sempre nos surpreende. Quando parece que chegamos ao fundo da pocilga, eis que novos abismos se abrem sob nossos pés.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

William Dembski sobre o mal natural



O genial William Dembski, um dos principais defensores da teoria do Desenho Inteligente, numa entrevista acerca do problema do mal natural e da teodiceia: se, na teologia cristã tradicional, a presença do mal no mundo se explica pela queda de Adão, como justificar o mal natural que antecedeu o surgimento do homem em nosso planeta? A chave da resposta está na eternidade de Deus.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Deus e os massacres nas escolas americanas


A cada novo massacre em escolas americanas, recomeça infalivelmente, repetida por toda a mídia, a velha lenga-lenga maçônica sobre a necessidade da proibição das armas de fogo.

Mas nem uma palavra, é claro, sobre o crescimento exponencial do satanismo entre os jovens americanos, proibidos de receber qualquer tipo de ensinamento cristão nas escolas daquele país.

Como diz a camiseta da foto:

Querido Deus,

Por que você permite tanta violência nas escolas?
assinado, um aluno preocupado

Caro aluno preocupado,

Não sou permitido nas escolas.

Deus.

PS: Já publicado este post, leio que a igreja católica da cidade de Newton, local do massacre das crianças, teve de ser evacuada hoje por ter recebido uma ameaça de bomba.
Satanismo. QED.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O exame de consciência diário, segundo o Venerável frei Tomé de Jesus

Venerável Frei Tomé de Jesus 
(1529-1583)

Sugestão de exame de consciência para o fim do dia do aspirante à vida espiritual. A oração entre aspas é de Santo Agostinho, em tradução do grande místico português, prisioneiro em Alcácer Quibir. Uma joia da literatura espiritual católica.

Feito o sinal da Cruz e dito o Pater Noster e Ave Maria, como já fica declarado, se apresente diante de Deus como filho pródigo diante de seu Padre eterno, que vê quão desbaratado e perdido é e que só o pode remediar; ou como o Publicano que não vê em si senão pecados e misérias e não ousa a alevantar os olhos ao Céu. Ou como a Madalena aos pés do Senhor, carregada de pecados e que em todos se submete à sua misericórdia. Ou como o Leproso, que de longe pedia ao Senhor que o alimpasse; ou como o servo mau, que não tinha com que pagasse o que devia, e prostrado aos pés do Senhor lhe pedia misericórdia; ou como uma vilíssima e baixíssima criatura diante dos olhos da Soberana Majestade, e obrigadíssima a infinitas misérias e necessitadíssima de suas misericórdias. Com qualquer destas considerações ou outra que mais o possa mover e humilhar, apresentado diante da divina misericórdia faça a confissão geral a Deus e a toda a corte celestial com o maior sentimento da alma que puder; a qual acabada, cuide e traga à memória como guardou aquele dia seus propósitos, assim gerais como particulares, e as culpas em que entende que ofendeu ao Senhor; em cada cousa destas em que vir falta em si, tenha particular dor e vergonha diante de Deus e louve sua bondade que o sofre; e torne diante de Deus a reformar e renovar propósitos contra as faltas em que se acha compreendido, determinando de se confessar das culpas que tem cometido; e feito isto com a mais humildade e sentimento que puder, com o coração derribado aos pés do Senhor e com o corpo também, se for necessário, fale com Ele desta maneira:

"Eis aqui, Senhor, a vossa miserável criatura, eis aqui a quem tanto amastes e amais e por quem tanto fizestes; tão desaproveitada, tão fraca, tão perdida como vós vedes. Eis aqui o traidor a todas vossas mercês, e desleal em todos vossos serviços: tão largo em prometer, tão fraco e miserável em cumprir. Que será de mim, Senhor, sem a vossa misericórdia? Sem vós, Senhor, nem sei, nem posso, nem valho nada: sei pecar e não me sei remediar; sei cair, e não me sei alevantar; sei perder-vos, e não vos sei cobrar; sei lançar-vos de mim, e não vos sei buscar; sei ofender-vos e não vos sei contentar; se a vossa luz e a vossa graça me não favorece e ajuda. Vós vedes, Senhor, que tudo há de vir de vossa mão, a vontade, o desejo e pôr por obra o que em mim inspirais. Ó amador benigníssimo dos homens! Vós sois o verdadeiro amparo dos órfãos, vós sois o remédio dos necessitados. Eis aqui o vosso pobríssimo e miserável pecador, todo remetido a vossa misericórdia e bondade; lançai-me os olhos de vossa misericórdia e piedade e esquecei-vos, Senhor, de meus males, compadecei-vos de minhas misérias e regai este miserável coração com essa fonte viva de vossa eterna bondade. Ó luz verdadeira, não me deixeis em minhas trevas! Ó fortaleza infinita, esforçai minha miserável fraqueza: recebei, Senhor, meu desejo, ajudai esta pobre vontade, esquecei-vos do que vos mereço, e dai-me o que na Cruz me merecestes. Tal qual sou, vosso quero ser, supri com vossa bondade o que falta a minha miséria. A bondade, Senhor meu, com que me dais a boa vontade, o desejo de vos servir, essa vos mova a fazerdes em mim o que de mim quereis, para que tudo seja honra e glória vossa. Amém."

Acabado este oferecimento, humilde reze algum salmo ou alguns Pater nostres às Chagas do Senhor e a Nossa Senhora e aos Santos seus advogados, em satisfação de suas faltas e pedindo ajuda e favor para emenda delas, e alevante-se com cuidado de ser fiel a Deus em cumprir o que neste exercício do exame propuser.

(Frei Tomé de Jesus, Trabalhos de Jesus, primeira parte, Porto, Arte no Templo e no Lar, 1925, pp 35 a 38. Ortografia modernizada).

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mais sobre a espantosa fraude da AIDS



Outro vídeo sobre esta que parece ser a maior fraude da história da medicina.

Sintoma apavorante do grau de corrupção moral e intelectual a que chegou a comunidade "científica" mundial.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A diferença entre o Velho e o Novo Testamento segundo Lemaistre de Sacy




Uma das mais perniciosas e omnipresentes confusões que vem sendo cometida nos dias de hoje pelo maltratado rebanho de Cristo é a que diz respeito à relação entre a antiga Aliança e a nova. Mesmo em meios católicos, muitos há que confundem as profecias messiânicas relativas à encarnação do Verbo, com as façanhas políticas do governo de Bibi Netanyahu.

Como subsídio à reflexão sobre tema tão essencial, apresentamos parte do Prefácio de Lemaistre de Sacy à sua tradução do livro do Êxodo. Nele, o amigo de Pascal esboça magistralmente a doutrina paulina e agostiniana da relação entre o velho e o novo Testamento.

Este vosso servo pretende publicar neste blog a tradução completa desse Prefácio. Por enquanto, aqui vai o capítulo 7.

Nossa tradução do texto quase completo do prefácio já pode ser lida aqui.


Diferença entre o Velho Testamento e o Novo. Lei de temor gravada na pedra. Lei de amor escrita no coração pelo Espírito Santo

A sequência do que foi dito até agora leva-nos naturalmente a explicar aqui uma verdade grande e muito útil: mostrar pelo testemunho dos Apóstolos e dos Profetas em que consiste propriamente a diferença entre a lei de Moisés e a de Jesus Cristo.
As duas leis têm o mesmo Deus por autor; e são ambas santas. “Os mandamentos de Deus, com exceção do sábado compreendido judaicamente, são os mesmos em ambas” (Aug. De Spir. & lit., c. 14): prescreveu sempre a Igreja  e ainda hoje prescreve a seus filhos o mesmo Decálogo, ou seja, os mesmos dez mandamentos dados por Deus ao povo hebreu.
Disse a lei antiga, segundo São Paulo: Não tereis maus desejos: Non concupisces (Rom. 7.7). Disse também, como o reconheceram os judeus na presença do mesmo Jesus Cristo no Evangelho: Amareis a Deus de todo coração (Marc. 12. 32;  Aug. Ib. cap. 13; Mat. 22. 38-40).
Diz-nos a lei natural igualmente por todos os mandamentos que nos dá que não pequemos: Não tereis maus desejos: Non concupisces. “E nos diz pela boca de Jesus Cristo que o mandamento de amar a Deus de todo coração e o próximo como a si mesmo contém toda a lei e todos os Profetas.”
Se, portanto, os mandamentos de Deus dados aos judeus e aos cristãos são os mesmos, em que consiste propriamente essa diferença entre o Velho Testamento e o Novo?
Disse-o o Espírito Santo claramente pela boca do profeta Jeremias, num excelente trecho citado e confirmado duas vezes por São Paulo na Epístola aos Hebreus, tal a importância que lhe concedia para a instrução de toda a Igreja.
“Virá um tempo, diz o Senhor, em que farei nova aliança com a casa de Israel, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para fazê-los saírem do Egito, porque não permaneceram nessa aliança que fiz com eles, e é por isso que os desprezei”, diz o Senhor. “Mas eis a aliança que farei, eu, o Senhor, com a casa de Israel, quando esse tempo chegar: Imprimirei as minhas leis em seu espírito, escreve-las-ei em seu coração e serei o seu Deus e eles serão o meu povo; e cada um deles já não precisará ensiná-las ao próximo e ao irmão, dizendo: Conhecei o Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior. Pois eu lhes perdoarei as iniquidades e não me lembrarei de seus pecados.” (Jerem. 31.31; Hebr. 8. 9 & seq. & cap. 10. 16.)
Aprendemos com estas palavras, diz Santo Agostinho, que dos dois Testamentos, ou seja, das duas alianças que Deus fez com os homens, uma é chamada velha e a outra, nova. “São assim chamadas primeiro por causa do tempo; porque a velha foi feita quinze séculos antes da nova.”
Em segundo lugar, a primeira aliança é chamada de velha por causa da corrupção do velho homem, cujo desregramento não pôde ser destruído pela lei, que apenas mandava e ameaçava, mas não curava a vontade. E a segunda aliança é chamada nova porque Jesus Cristo, com essa segunda aliança, dá ao homem um espírito novo, curando-o pela novidade do Espírito Santo da corrupção do homem velho”: Propter veteris hominis noxam, quae per litteram jubentem & minantem minime sanabatur, dicitur illud testamentum vetus: hoc autem novum, propter novitatem spiritus, quae hominem novum sanat a vitio vetustatis. (Aug. De spir. & litt. Cap. 20)
Por isso, nesse excelente trecho de Jeremias de que São Paulo quis apropriar-se, citando-o duas vezes na mesma Epístola, o próprio Deus, que nele fala, expressa toda a essência da lei nova com estas palavras: Imprimirei as minhas leis em seu espírito e as escreverei em seu coração.
São Paulo parece ter querido explicar com clareza ainda maior estas palavras, quando, tendo-as em vista, diz aos coríntios: “Sois a letra em Jesus Cristo, de que fomos apenas os secretários, que está escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não sobre tábuas de pedra, mas sobre tábuas de carne, que são vossos corações” (2 Cor. 3.3).
Que devemos aprender com essas palavras, diz Santo Agostinho (Aug. De Spirit. & Litt.. cap. 20), senão que a lei antiga foi escrita sobre tábuas de pedra, para marcar a dureza e o coração de pedra dos judeus que não guardaram essa lei que lhes fora imposta e sempre foram rebeldes a Deus; e que, pelo contrário, a lei nova está escrita sobre tábuas de carne, isto é, está escrita  nos corações dos cristãos, que já não são mortos e insensíveis, como eram os corações dos judeus, mas estão vivos pela fé e animados pelo Espírito de Deus? Por isso diz o Apóstolo no mesmo lugar que é ministro do Testamento novo e da nova aliança, não da letra, mas do Espírito.
“Quando, pois, ouvimos Deus mesmo falar, acrescenta Santo Agostinho, que, querendo ensinar-nos em que consiste propriamente a religião de Jesus Cristo, nos declara que imprimirá suas leis no espírito dos homens e as escreverá em seu coração, que devemos entender por essas palavras, senão que derramará seu Espírito no coração deles, que, sendo o dedo de Deus, ali escreverá sua lei, nele imprimindo com celestial doçura a sua graça e a sua caridade, chamada por São Paulo o cumprimento de toda a lei e o fim de todos os preceitos?” (Aug. De Spir. & Litt. Cap. 21) Quid sunt leges Dei, ab ipso Deo scriptae in cordibus, nisi ipsa praesentia Spiritus Sancti, qui est digitus Dei, quo praesente diffunditur charitas in cordibus nostris, quae plenitudo legis est, & praecepte finis?
Veremos neste livro do Êxodo a maneira como Moisés dá aos israelitas a lei de Deus no monte Sinai. Mas mostra excelentemente Santo Agostinho a proporção que se encontra entre essas duas leis; já que uma é a imagem da outra; e, ao mesmo tempo, a extrema diferença que se pode observar entre as duas, já que uma é apenas a figura, e a outra, a verdade mesma.
“Quem não se impressiona, diz esse Santo, ao comparar os dois tempos em que as duas leis foram dadas?” (Aug., de Spir. & litt. Cap. 16). Os israelitas comemoram a Páscoa pela ordem que Moisés recebeu de Deus. Imolam o cordeiro pascal, cujo sangue, derramado sobre suas portas, devia salvá-los do Anjo exterminador, que entrava nas casas dos egípcios e matava todos os primogênitos.
O mesmo Filho de Deus, no fim de sua pregação, também celebra  a Páscoa e come com seus discípulos o cordeiro pascal em Jerusalém. Mas de imediato une a verdade à figura: e sendo ele mesmo o verdadeiro cordeiro pascal, o cordeiro de Deus e o cordeiro sem mácula, no dia seguinte dessa ceia pascal ele é realmente imolado sobre a cruz; e seu sangue nos protege da tirania desse Anjo cruel, que havia quatro mil anos se tornara o exterminador e o assassino de todas as almas.
No dia de Pentecostes, ou seja, conforme o sentido da palavra grega, o quinquagésimo dia depois daquele em que o cordeiro pascal fora imolado pela primeira vez,, os israelitas recebem a velha lei sobre o monte Sinai: assim também em Pentecostes, ou seja, cinquenta dias depois da Páscoa e da Ressurreição do verdadeiro Cordeiro pascal, os Apóstolos recebem a lei nova e a plenitude das graças do Espírito Santo.
Quem consegue permanecer insensível a essa relação maravilhosa, diz Santo Agostinho? Quem non moveat ista congruentia? (Aug. De spir. & lit. cap. 16.) Mas ao mesmo tempo observamos uma extrema diferença entre essas duas leis. “Na primeira, Deus aparece em meio a raios e tempestades e faz fulgurar sua terrível grandeza; na segunda, Deus derrama sobre os fiéis a plenitude de suas graças e só demonstra a sua misericórdia e a sua bondade.
“Na primeira, Deus proíbe sob pena de morte que alguém se aproxime dessa montanha coberta de fogo e fumaça, no alto da qual a Sua majestade residia; na segunda, Ele mesmo desce ao coração dos homens e os enche de uma paz e de uma alegria inefável. (Aug. Ibidem)
“Na primeira, Deus escreve a sua lei sobre tábuas de pedra. Na segunda, o Espírito Santo, que é o dedo de Deus, escreve a sua lei no coração dos homens. Assim, a primeira foi apenas uma lei exterior que Deus impôs a um povo duro, que intimidou com ameaças e permaneceu sempre carnal e sempre rebelde. A segunda foi uma lei interior, que penetrou até o fundo do coração dos homens, lhes inspirou o amor da lei e os tornou justos aos olhos de Deus: “Ibi in tabulis lapideis digitus Dei operatus est: hic in cordibus humanis. Ibi lex intrinsecus posita est qua injusti terrerentur; hic intrinsecus data est, qua justificarentur. (Aug. De Spir. & lit. cap. 17)
O próprio São Paulo descreveu essa diferença entre a lei antiga e a lei nova, de maneira realmente digna de Jesus Cristo, de que era o porta-voz. “Vede, diz ele aos Hebreus que se tornaram cristãos, que não vos aproximastes de uma montanha sensível e terrestre, de um fogo ardente, de uma nuvem escura, de tempestades e raios, de sorte que o mesmo Moisés dizia: Estou todo trêmulo e apavorado, tão terrível era o que se via. Mas vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, da assembleia e da Igreja dos primogênitos que estão escritos no céu, e de Jesus, que é o mediador da nova aliança, cujo sangue fala e não pede para ser vingado como o de Abel, mas atrai para si a misericórdia de Deus e nos purifica de todas as nossas máculas.” (Hebr. 12. 18 & seq)
Assinala ainda Santo Agostinho a diferença entre as duas leis por estas palavras: Quando as obras da caridade escritas sobre tábuas são impostas aos homens carnais com grandes ameaças de punição, a menos que façam o que lhes é ordenado; é a lei antiga e a lei das obras. Essa lei mata quem a viola, quer exteriormente, quer apenas no coração, aos olhos de Deus que sonda os corações. Mas quando o amor e a caridade mesma é derramada pelo Espírito Santo no coração dos fiéis, como ocorreu no estabelecimento da Igreja, é a lei da fé, a lei da graça, a lei do Espírito Santo que dá a vida, dando o amor: Cum ad prudentiam carnis terrendam scribuntur in tabulis opera charitatis, lex & operum & littera occidens praevaricatorem. Cum autem ipsa charitas diffunditur in corde credentium, lex est fidei & Spiritus vivificans dilectorem. (Aug. De Spir. & lit. cap. 17)
É por isso que o mesmo Santo se admira de que, embora os sacramentos e o sacrifício da lei nova, que Jesus Cristo encheu de tantas graças, fossem tão diferentes dos da antiga, que não passavam de sombras e de figuras; no entanto, o Espírito Santo, falando pela boca de Jeremias e mais tarde pela de São Paulo, e querendo mostrar precisamente a diferença entre a lei de Moisés e a de Jesus Cristo, indicou o caráter da lei nova dizendo apenas que a imprimiria no espírito, e a escreveria nos corações dos fiéis, não com tinta, como diz São Paulo, mas pelo Espírito do Deus vivo, que é Espírito de amor e de humildade. (Aug. De Spir. & litt. Cap. 25)
Deus, portanto, segundo sua sabedoria, levou-nos à salvação  por diversas etapas. Mostrando ao homem o pecado sem curá-lo, persuadiu o homem de sua fraqueza. Vendo a impotência de sua vontade, o homem implorou a graça do Salvador. A graça curou a vontade. E, curada, a vontade observou a lei, tendo obtido pela fé a força de fazer com alegria o que lhe era prescrito pela lei: Voluntas ostenditur infirma per legem, ut sanet gratia voluntatem, & sanata voluntas impleat legem. Quod operum lex minando imperat, hoc fidei lex credendo impetrat (Aug. De Spir. & lit. cap. 9). É o que diz também o mesmo Santo nestas poucas palavras: Lex data est, ut gratia quareretur; gratia data est, ut lex impleretur. (August. Ibidem c. 9)
Mas para compreender mais claramente a diferença entre essas duas leis, basta considerar as consequências e os efeitos de uma e de outra.
Deus dá a sua lei no monte Sinai. Proíbe sobre todas as coisas a idolatria aos israelitas. E logo em seguida eles O abandonam para adorar um bezerro de ouro. Entregam-se à impiedade. “Queixa-se Deus por um profeta de que eles adoraram no deserto os astros do céu e não lhe ofereceram sacrifícios durante quarenta anos. E de seiscentos mil homens armados que saíram do Egito, apenas dois, Josué e Caleb, entraram na terra prometida”. (Act. 7. 42)
Eis as consequências da lei antiga, e eis o fruto da nova. O Espírito Santo desce do céu sobre os discípulos com os seus dons. Enche-os de fogo e de luz. Eles calcam com os pés os bens da terra. Formam todos juntos um só coração e uma só alma. Adoram como o Deus do céu e autor da vida aquele que viram com seus olhos ser tratado da maneira mais vergonhosa e mais cruel do mundo. Alegram-se com o desprezo e os sofrimentos. Só pensam em viver e morrer por Aquele que por eles morreu.

(Lemaistre de Sacy, L'Exode, le Lévitique et les Nombres traduits en François avec l'explication du Sens littéral & du sens spirituel tirée des Saints Pères & des Auteurs Ecclésiastiques, Nîmes, 1781, pp. xxxi a xxxvii).

Nossa Senhora de Garabandal: A Mensagem no Youtube em 27 línguas



Novo vídeo produzido pelos Workers of Our Lady of Mount Carmel, de Nova York, que serve de introdução à mensagem das aparições de Nossa Senhora do Carmo a quatro meninas na aldeia de Garabandal, na Cantábria, entre 1961 e 1965. Com narração em português.

Nossa Senhora de Garabandal, rogai por nós.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

The Emperor's New Virus - Mais sobre a controvérsia acerca da relação HIV/AIDS



Documentário lançado o ano passado por Brent Leung como  um prolongamento explicativo de seu célebre House of Numbers, já apresentado neste blog.

The Emperor's New Virus aprofunda o material apresentado em House of Numbers e traz mais elementos para  a compreensão do problema.

Em inglês.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Deus e a liberdade do homem segundo o padre Manuel Bernardes


Nem um só passo mete Deus por força no campo da liberdade criada, se ela quer prevaricar contra Ele mesmo que a deu, porque esta é uma admirável glória sua: fazer ela sempre o que quer, sem estorvar que seus contrários façam também o que quiserem.
(Nova Floresta)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Bernanos acerca da manipulação anticatólica das massas


A humanidade foi até agora vítima de muitas experiências, mas essas experiências empíricas eram feitas ao acaso, contradiziam-se muitas vezes umas às outras. Pela primeira vez ela entra num laboratório admiravelmente equipado, com todos os recursos da técnica e do qual pode sair mutilada para sempre. Neste caso, os cirurgiões enxugarão as mãos no avental escarlate, e tudo estará acabado para sempre. Tenho o direito de olhar esse laboratório de frente. Os cirurgiões dizem-se seguros de si. Mas será que estão seguros sobre o que têm ali, estendido diante deles, sobre a mesa de operação? E se o homem não for o que acham que é? Se sua definição de homem um dia se revelar falsa e incompleta? E, por exemplo, eles o consideram um animal industrioso, sujeito ao determinismo das coisas e no entanto indefinidamente perfectível. Mas e se o homem tiver sido realmente criado à imagem de Deus? Se houver nele numa proporção qualquer, por mais ínfima que seja, de liberdade, a que levariam suas experiências, senão à mutilação de um órgão essencial? Se existir no homem esse princípio de autodestruição, esse misterioso ódio de si que chamamos de pecado original e que os técnicos não deixaram de observar, pois explica as medonhas decepções da história? É verdade que o atribuem não ao homem, mas à má organização do mundo. Mas e se estiverem enganados? Se a injustiça estiver no homem e todas as proibições apenas reforçarem sua malignidade? Se o homem só puder realizar-se em Deus? Se a operação delicada de amputá-lo de sua parte divina - ou pelo menos de atrofiar sistematicamente essa parte até que ela caia ressecada como um órgão onde o sangue não mais circula - acabar transformando-o numa besta feroz? Ou talvez pior, num animal domesticado para sempre, num animal doméstico?
(Georges Bernanos, La liberté pour quoi faire?, pp. 124-125). Tradução Yours Truly.