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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O que diz o Concílio Vaticano II, afinal?



Os promotores da Grande Avacalhação pós-conciliar têm sempre na boca o Concílio Vaticano II como último bastião na defesa de suas heresias, como se se tratasse de um recomeço absoluto na história da Igreja, um retorno à estaca zero e a abolição de tudo o que o sangue dos mártires  e a oração dos santos defendeu nos últimos 20 séculos.

Mas será que é bem assim?

É o que pergunta um texto do site francês Notre-Dame des Neiges, que temos o prazer de traduzir e publicar neste blog.

São boas perguntas:


Releiamos objetivamente as decisões do Concílio. Onde está escrito que a Igreja deva tornar-se uma "democracia popular" em que cada comunidade local possa, à sua conveniência, segundo a época ou humor das sondagens, decidir em matéria de fé, de moral, de doutrina, de liturgia ou de disciplina eclesial? Onde está escrito que a confissão individual deva ser substituída pela absolvição coletiva? Onde está escrito que agora seja preciso aceitar o sacerdócio ministerial das mulheres e o casamento dos padres? Onde está escrito que a prática dominical (santificação do dia do Senhor) não seja mais uma grave obrigação sob pena de pecado mortal (CIC N°2181)? Onde está escrito que os divorciados em segundas núpcias, o concubinato, o aborto, a contracepção, as relações sexuais antes do casamento etc... sejam hoje "valores novos" e não mais pecados de que se deva sair ou evitar? Onde está escrito que a ideologia peçonhenta do relativismo deva agora ser o fundamento do ensino da Igreja Católica? Onde está escrito que o Soberano Pontífice não seja mais infalível em matéria de doutrina, de moral e de fé? Onde está escrito que seja preciso – como o fazem atualmente os modernistas - reinterpretar e "desmitologizar" a Bíblia para torna-la aceitável ao mundo moderno? Onde está escrito que as Santas Escrituras não sejam mais inspiradas por Deus? Onde esá escrito que o Diabo, o Purgatório e o Inferno não mais existam... e que "vamos todos para o Paraíso" (dixit Polnareff)? Onde está escrito que o dogma do Pecado Original, por monogenismo histórico (e suas consequências dramáticas sobre o homem e a criação), não mais se sustente? Onde está escrito que a Santa Missa seja antes uma refeição entre amigos do que o único, verdadeiro e definitivo Yom Kippur pela oferenda perpétua incruenta ao Pai do Santo Sacrifício expiatório, impetratório, satisfatório, propiciatório, eucarístico e latrêutico do Cordeiro imolado sobre o Calvário? Onde está escrito que Jesus Cristo, verdadeiro e eterno Sumo Sacerdote segundo a ordem do Rei Melquisedeque, não seja mais o Único Salvador e o Único Mediador da humanidade? Onde está escrito que o dogma da Santíssima Transubstanciação não mais exista? Onde está escrito que o Santo Sacrifício da Missa deva ser considerado um mero "memorial", no sentido protestante do termo? Onde está escrito que agora se deva denegrir e até abolir os impulsos de piedade popular, como as procissões, as adorações, as novenas, o terço? Onde está escrito que a Lei Moral Natural, Imutável e Universal, não mais exista? Onde está escrito que a existência de  jnosso Anjo da Guarda não passe agora de uma "historinha infantil"? Onde está escrito que o dogma da Comunhão dos Santos (Ecclesia Triumphans) já não seja uma verdade de fé? Onde está escrito que os pecados mortais, as penas temporais, como também as indulgências da Igreja sejam velhas "bobagens vaticanas"? Onde está escrito que já não haja uma relação fundamental entre a Fé e a Razão? Onde está escrito que a apocatástase, o aniquilacionismo, o indiferentismo, o quietismo e também o latitudinarismo não mais sejam doutrinas firmemente condenadas pela Igreja?
 Onde está escrito que os Milagres, a Transfiguração, a Morte, a Ressurreição e a Ascensão de Nosso Senhor já não sejam fatos histórica e realmente constatados pelos Apóstolos? Onde está escrito que o Credo de nossa Fé Católica esteja hoje "ultrapassado" pelas últimas invenções das equipes de animação pastoral locais? Onde está escrito que a Pessoa Divina do Filho não seja mais o Unigênito do Pai (unigenitus) e, portanto, uma Pessoa eternamente incriada (increatus)? Onde está escrito também que Ela não seja mais consubstantialis, coequalis, coadoratur, conglorificatur e coaeternus ao Pai e ao Espírito? Onde está escrito que Jesus Cristo, o Logos-Deus-Verbo encarnado na história, já não seja uma Pessoa exclusivamente Divina, a Segunda da Santíssima e Adorável Trindade, Único Verdadeiro Deus perfectus, plenus e totus, e único ipsum Esse subsistens? Onde está escrito que essa mesma e Única Pessoa Divina não se tenha mais encarnado histórica e voluntariamente para a nossa salvação em duas naturezas unidas hipostaticamente, com suas propriedades (idioma) naturais, permanecendo infinitamente diferentes, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação... e com toda evidência dotada de uma alma racional (anima), de uma inteligência (intellectus), de um espírito (sensus), de um corpo (corpus) e de uma carne humana (caro), com exceção do menor pecado (em estado ou em ato), no corpo virginal de Sua Santíssima Mãe (Theotokos), a Imaculada Conceição? Onde está escrito que Maria não seja mais perpetuamente virgem? Onde está escrito que o ato de Sua Santa e Virginal Maternidade não tenha ocorrido de maneira exclusivamente divina e indolor? Onde está escrito que a Substância Divina do Filho, eternamente gerada pelo Pai, já não seja mais impassível  (impassibilis), imutável (immutabilis) e imortal (immortalis)? Onde está escrito que a Pessoa Divina do Filho que se encarnou na história não seja mais dotada de duas vontades e operações naturais, submetendo-se sempre a vontade e a operação humana à Vontade e Operação Divina? Onde está escrito que as Conferências episcopais tenham agora direito a qualquer "autoridade doutrinal" para relativizar ou galicanizar as diretrizes romanas? Onde está escrito que a consciência individual deva hoje sempre "primar" sobre o ensino oficial da Igreja? Onde está escrito que essa mesma consciência se tenha tornado uma instância "autônoma" ou mesmo criadora de "valores"? Onde está escrito que a liberdade religiosa autenticamente interpretada seja hoje sinônimo de "relativismo" ou de uma incapacidade do homem moderno de encontrar a salvação na Verdade de Cristo exclusivamente encarnado em Sua Igreja? Onde está escrito que a evangelização dos não católicos já não seja uma obrigação urgente (cf. 1 Cor 9, 16) para a salvação eterna deles... pois fora da igreja não há salvação? Onde está escrito que a Única Igreja de Cristo, a Esposa Imaculada do Senhor, não subsista mais em si (subsistit in) como único sujeito na única Santa Igreja católica, Mãe e Mestra de todas as Igrejas? Onde está escrito que esta última já não conserve - completa e eternamente – a essência inviolada do depósito da fé (depositum fidei) para a salvação das almas? Onde está escrito que ela já não seja por natureza exclusivamente missionária? Onde está escrito que ela também já não seja - por substituição - o Novo Israel, a Nova Jerusalém, o Novo Povo bem-amado de Deus? Onde está escrito que os Juízos Particular (em nossa morte) e Geral (no fim do mundo) não mais acontecerão? Onde está escrito que a Ressurreição de nossa carne atual (para o Inferno ou o Paraíso) já não acontecerá? Onde está escrito que os homens não mais prestarão contas de seus atos via Retribuição Divina, logo depois da morte? Onde está escrito que a batina esteja hoje proibida? Onde está escrito que a Missa em latim, o canto gregoriano, a beleza, a dignidade, mas também a orientação teocêntrica (versus Deum per Iesum Christum) e escatológica devam ser proscritos ou pelo menos energicamente desaconselhados? Onde está escrito que se devam suprimir os corais gregorianos (SC N°116) e populares (SC N°118) sob pretexto de "participação ativa"? Onde está escrito que a comunhão dos fiéis de joelhos e na boca não deva mais ser favorecida? Onde está escrito que seja preciso liquidar os genuflexórios, os bancos de comunhão, os confessionários, as velas, os crucifixos, o incenso, as casulas, a sobrepeliz e as estátuas nas igrejas... como aconteceu durante a terrível crise iconoclasta da década de 1970?
 Onde está escrito que o Vaticano II seja para a Igreja "um novo começo" que tenha sistematicamente abolido todas as decisões dos muitos concílios que o precederam? Onde está escrito que o Vaticano II deva ser aplicado (com a  restauração litúrgica que o acompanha) segundo uma hermenêutica de ruptura?

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