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domingo, 28 de outubro de 2012

Depoimento indignado contra o Concílio Vaticano



"Que força de alma lhes foi necessária, durante sete meses, para jamais se cansarem de tudo sofrer, de tudo tentar, sem conseguirem afastar o escândalo! Um regulamento imposto contra os direitos mais evidentes do Concílio, comissões escolhidas previamente, votos ilusórios, uma tutela opressiva, discussões sem ordem e sem objetivo, modificações nos regulamentos tão arbitrárias como múltiplas, tudo padeceram, esperando, por uma longa paciência, fazer um dia serem aceitos seus argumentos. Não lhes foram poupadas as calúnias públicas, e no entanto suas vozes não se ergueram, ruidosas e indignadas, nessa mesma assembleia em que os chamavam de heréticos e cortesãos. Seus oradores tiveram, mais de uma vez, deixar a tribuna sem poderem sequer explicar seu pensamento, e muito menos explicar suas ideias, menos ainda defender suas convicções, enquanto a maioria conservava sempre o direito de multiplicar impunemente os exageros ultrajantes e as alusões culpadas. Desde o começo, julgaram ter o dever de tomar as razões da minoria por injúrias e lhe devolver injúrias pelas razões. Até seus protestos, tão dignos, tão humildes e no entanto tão legítimos, contra esses abusos, não ficaram só sem efeito, mas também sem resposta.

E enquanto no seio do Concílio a ilegalidade esmagava essas almas generosas, enquanto lhes negavam abertamente o direito de repetir a toda pretensão despótica: non licet, e a toda solicitação imprudente: non possumus, de fora um partido terrível levantava contra elas o clero de segunda ordem e amotinava as dioceses. O próprio Papa, ninguém o ignora, dava publicamente a mão a essa revolução tão estranha e tão inesperada na Igreja. Ele multiplicava, contra todas as regras da hierarquia católica, os encorajamentos mais lisonjeiros (...). Concedia em nome do Evangelho o que a Igreja de sempre, em nome desse mesmo Evangelho, recusara a todos que não tinham a plenitude do sacerdócio, a missão de testemunhar entre os bispos e contra eles, o direito de intervir, com autoridade, na solução das questões dogmáticas mais difíceis.

Num século menos agitado que o nosso, e numa sociedade cristã menos perturbada, há muito teriam feito justiça contra tal intrusão, impondo pela força o silêncio aos inferiores e chamando ao direito e ao dever os superiores."

(in La dernière heure du Concile, pp 4 e 5.) [trad. Yours Truly]

Em tempo: o Concílio em questão é o Vaticano I, não o Vaticano II.
O panfleto foi editado anonimamente em 1870, em Paris.
Curiosidade histórica.

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