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sábado, 1 de setembro de 2012

FSSPX - Roma: Reveladas as 6 condições irrenunciáveis para um acordo

O seminário de Écône

No último de seus comentários semanais enviados por email, Dom Williamson, um dos bispos sagrados por Dom Lefebvre à revelia de João Paulo II,  teria revelado as seis condições inegociáveis estabelecidas pelo Capítulo Geral da Fraternidade em julho para chegar a um acordo com Roma. Dom Williamson, inimigo radical de qualquer aproximação com a Santa Sé, considera que essas condições são como uma rendição da Fraternidade. Tal interpretação, dada por figura tão central nos círculos de Écône, não pode deixar de significar que o acordo está muito perto.

Eis aqui o teor das condições, segundo o site espanhol Infocatolica:


- Liberdade para a Fraternidade ensinar a verdade imutável da Tradição Católica e de criticar os responsáveis pelos erros do modernismo, do liberalismo e do Vaticano II.
- Uso exclusivo da liturgia de 1962.
- Garantia de pelo menos um bispo (se subentende que se referem à ordenação de um bispo entre os responsáveis pela Fraternidade).
- Que a Fraternidade tenha seus próprios tribunais de primeira instância.
- Isenção das casas da Fraternidade do controle dos bispos diocesanos.
- Criação de uma comissão a ser estabelecida em Roma para cuidar da Tradição, com forte representação tradicionalista (possível referência à própria Fraternidade), mas «dependente do Papa». 

Trata-se, como se vê, de propostas bastante razoáveis, dada a grandeza do que está em jogo..
Oremos para que tudo dê certo. Já está mais que na hora de curar essa chaga.

3 comentários:

  1. Dois pontos me parecem problemáticos: o tribunal independente e a liberdade para criticar os que os líderes da FSSPX considerarem modernistas. Em caso de divergência com a decisão da Santa Sé, qual decisão prevaleceria? Isso não criaria, inevitavelmente, mais um poder paralelo dentro da Igreja? O artigo do Eugene Michael Jones que eu comentei parece identificar com precisão o problema. Durante muito tempo eu sofri com isso. Há um grupo no Brasil, São João Maria Vianney, que está em comunhão com a Santa Sé e tem conseguido, ao que parece, pregar e instruir corretamente muitos fiéis. Isso não é mais importante do que insistir numa utópica liberdade total para criticar? Tenho imensa simpatia pela FSSPX, mas o modernismo não se tornou predominante de repente, mas foi se infiltrando lentamente, moldando as mentes ao seu alcance. Quem defende a Tradição de sempre, não devia fazer o mesmo? Não é até mesmo falta de caridade esperar que o Papa sozinho, contra toda a mentalidade dominante, dê a abertura que a FSSPX espera? Como ele pode saber que pode confiar na FSSPX, que, num confronto futuro com setores "progressistas", ela não vai capitular e deixá-lo sozinho? Confiança se conquista muito lentamente e essa estratégia de paciência é algo que o inimigo domina, mas a FSSPX parece que não...

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  2. Dois pontos me parecem problemáticos: o tribunal independente e a liberdade para criticar os que os líderes da FSSPX considerarem modernistas. Em caso de divergência com a decisão da Santa Sé, qual decisão prevaleceria? Isso não criaria, inevitavelmente, mais um poder paralelo dentro da Igreja? O artigo do Eugene Michael Jones que eu comentei parece identificar com precisão o problema. Durante muito tempo eu sofri com isso. Há um grupo no Brasil, São João Maria Vianney, que está em comunhão com a Santa Sé e tem conseguido, ao que parece, pregar e instruir corretamente muitos fiéis. Isso não é mais importante do que insistir numa utópica liberdade total para criticar? Tenho imensa simpatia pela FSSPX, mas o modernismo não se tornou predominante de repente, mas foi se infiltrando lentamente, moldando as mentes ao seu alcance. Quem defende a Tradição de sempre, não devia fazer o mesmo? Não é até mesmo falta de caridade esperar que o Papa sozinho, contra toda a mentalidade dominante, dê a abertura que a FSSPX espera? Como ele pode saber que pode confiar na FSSPX, que, num confronto futuro com setores "progressistas", ela não vai capitular e deixá-lo sozinho? Confiança se conquista muito lentamente e essa estratégia de paciência é algo que o inimigo domina, mas a FSSPX parece que não...

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    1. Não tenho muita certeza, mas me parece que esta discussão já está encerrada, e o cisma vai continuar. A canonizzazione con moto de JP2 nada mais é que a pá de cal em qualquer veleidade de oposição tradicional às novidades pós-conciliares. Quando escrevi o meu post, os sinais eram muito mais positivos. Quanto à liberdade ilimitada de crítica, ela já existe de fato na vida da Igreja desde o Concílio, como é notório para qualquer pessoa que frequente uma igreja católica. O que estava em discussão é se a mesma liberdade seria concedida aos lefebvrianos. Não será. Não conheço esse grupo inspirado no cura d'Ars, mas se é o que você diz, espero que dê frutos. Quanto ao Concílio, foi um dos eventos históricos mais complexo da história da Igreja e da humanidade. Todas as forças se confrontaram ali, e certamente só Deus pode dizer o que foi aquilo. Mas uma coisa que Bento XVI diz me parece fundamental: é preciso separar claramente o que é verdade de doutrina e o que é matéria contingente. O pastoral pertence claramente ao contingente e ao temporal. Deve, portanto, estar subordinado à esfera mais alta da teologia propriamente dita. É aí que a Tradição deve fincar pé. Todos sabem que durante o CV2 o Vaticano fez acordos com a maçonaria e com a Rússia comunista. Estava pressionada pelo panorama político da guerra fria, polarizado entre a boçalidade maçônica americana e o comunismo soviético, com seu matadouro de cristãos funcionando a pleno vapor na Sibéria. Hoje a situação é outra. Tudo isso é contingente. O que não se pode admitir é negociar as verdades da Fé. That's it.

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