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domingo, 27 de maio de 2012

Santo Agostinho e os dons do Espírito Santo


Se ninguém cumpre a Lei por suas próprias forças sem que Deus lhe dê o auxílio de seu Espírito, lembremo-nos de como o Espírito Santo se reveste da autoridade do número sete, segundo o santo profeta [Isaías], que nos ensina como o homem deve estar repleto do Espírito de Deus, do espírito de sabedoria e de inteligência, de conselho e de força, de ciência e de piedade, do espírito de temor de Deus. É por causa destas sete operações que o Espírito se vale do número sete. Como para descer até nós, começa pela sabedoria e acaba pelo temor. Mas nós, que subimos, começamos pelo temor e terminamos na sabedoria; pois o começo da sabedoria é o temor de Deus... No coração contrito e humilhado, Deus mesmo colocou os degraus para nos elevarmos até Ele. Pois assim diz o Salmo: Ele edificou em seu coração, no vale de lágrimas, escadas para o lugar que preparou. Onde é feita a ascensão? No coração. Mas de onde partimos? Do vale de lágrimas. E até onde nos elevamos? Até o lugar que Ele preparou. Que lugar é esse, senão um lugar de repouso e paz? Lá reside aquela sabedoria que jamais se altera. É por isso que, para nos instruir, desceu por degraus da sabedoria ao temor. (Sermões)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Limites do multiculturalismo

Paulo no Areópago

Se é verdade que Nosso Senhor deu ordens a seus discípulos de que fossem pregar o Evangelho até os últimos confins da terra, não é menos verdade que o núcleo duro da Igreja nascente, Pedro e Paulo, não foi enviado a Madagascar, à China, ao Japão, à Índia, ao México ou à Noruega, mas a Roma, via Grécia.

Não por coincidência, a abissal crise por que passa a Igreja vai de par com o fim da Europa: o que foi um continente cultural e espiritualmente glorioso, hoje não passa de uma península asiática, cuja iminente bancarrota começa, também não por acaso, pela Grécia.


domingo, 20 de maio de 2012

O luteranismo e o aborto de fim de gravidez


Mesmo em nossos tristes tempos de Sodoma planetária, em que seria de esperar que mais negro que meia-noite não pudesse ficar e tivéssemos tocado no fundo do abismo, o Mal absoluto ainda encontra novos recursos e nos consegue surpreender.

É o caso do Dr. George Tiller, um médico americano especialista em abortos de fim de gravidez, ou seja, em assassinar bebês de seis, sete, oito e até nove meses de gestação. Além de serial killer, o Dr. Killer... digo Tiller, era também um grande entusiasta de sua atividade profissional, e costumava dizer que fazia  por amor, com o coração, esse tipo de aborto normalmente rejeitado pelos próprios profissionais do ramo. Sic. Sick! Recorde mundial de cinismo, com certeza.

Acabou assassinado com um tiro no olho disparado à queima-roupa por um psicopata, em 2009.

Mas o mais incrível foram as circunstâncias da morte. O Dr. Tiller foi assassinado dentro de uma igreja luterana (!), durante um serviço religioso (!!) onde participava na condição de ministro (!!!!).

O Mal tem mesmo profundezas insondáveis.

Confesso que isso foi uma surpresa para mim. Eu sabia que Lutero havia sido o principal responsável por uma das maiores catástrofes a atingir a humanidade, mas não tinha ideia de que seus sucessores estivessem investindo tão pesado no ramo de missas negras.

Vivendo e aprendendo.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fé e tempo


Não o aggiornamento de triste memória, a submissão do absoluto ao  relativo, a busca de um acordo entre Cristo e Sodoma.
Mas a perspectiva oferecida pelos 2 mil anos que nos separam da Encarnação e os tês mil que nos separam do reino de Davi, por exemplo: que nos ensina a passagem de todo esse tempo, com as mudanças que trouxe?
Tomemos o caso de Davi. Que dizer das condições de vida do reino de Judá por volta de 1000 a.C? Qual o nível de cultura científica daquele povo? Quais as condições sanitárias das "cidades" da época? Qual o índice de alfabetização da população? Qual a mortalidade infantil? Qual a idade média da população? Qual o consumo de energia?
Se compararmos as condições materiais - e mesmo, sob certos aspectos, intelectuais -do povo de Israel da época com as de hoje, em Sodoma, veremos que eles estavam em situação ainda mais precária do que a dos mais pobres países africanos, e muito, mas muito abaixo do nível de vida do interior do Piauí.
Ou seja, se quisermos encontrar um equivalente atual do povo de Israel da época de ouro de Davi, teremos de procurar entre as mais primitivas populações do planeta. Não em Manhattan, mas no Sudão.
E no entanto, o reino de Davi foi o mais glorioso aos olhos de Deus.
O que é particularmente revelador sobre o que e quem conta da perspectiva da Fé.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Judas, arquétipo dos apóstatas


Hoje, dia de São Matias, aquele que foi sorteado para ocupar o lugar de Judas no colégio apostólico.
Judas, o arquétipo da apostasia. Como todo apóstata, antes de trair a Cristo, coloca-se numa posição superior à da Igreja para criticá-la, um modo de minimizar a traição do abandono: é o que faz Judas ao denunciar o desperdício de recursos com o perfume de Madalena.

O mesmo processo se repete a cada apostasia. Daí a enorme necessidade exploração pela mídia dos escândalos cometidos por uma Igreja desfigurada. Numa época de apostasia generalizada, os defeitos a denunciar tornam-se mercadoria particularmente disputada.

domingo, 13 de maio de 2012

Manipulação científica do cérebro das crianças pela TV


TV Lobotomie - La vérité scientifique sur les... por fsl56-org

Conferência (em francês) do neurologista Michel Desmurget - já apresentado neste blog - sobre os males da TV, e como a máquina de emburrecer serve para controlar e manipular nosso cérebro desde a infância. Ele mostra como as mais avançadas técnicas neurológicas são usadas para embutir no cérebro das crianças a preferência por produtos que elas só vão consumir quando adultas. Arrepiante.

sábado, 12 de maio de 2012

Importante! FSSPX: Carta de Dom Fellay em favor de Bento XVI

Dom Bernard Fellay, superior-geral da FSSXP

Vazou na internet a carta escrita por Dom Bernard Fellay  aos outros três bispos da FSSPX acerca do processo de plena comunhão da gloriosa fraternidade com Sua Santidade o Papa Bento XVI. Trata-se de resposta a uma carta anterior dos três bispos, que pedia esclarecimentos acerca do processo de reaproximação. Nela, os três signatários, os bispos Tissier de Mallerais, Williamson e de Galarreta,  afirmavam "unanimamente sua formal oposição a qualquer acordo semelhante". Ambas as cartas podem ser lidas aqui, no original francês.

Em sua carta, os bispos repetem mais uma vez a conhecida argumentação da ala mais radical da Fraternidade, acerca da continuidade dos erros modernistas sob o pontificado de Bento XVI, da extrema gravidade das heresias conciliares  e o risco de "apodrecimento" da Fraternidade caso ceda a um acordo com o Vigário de Cristo e Sucessor de Pedro.

A resposta de Dom Fellay, superior geral da Fraternidade, é clara. Reafirma o diagnóstico - compartilhado por todos os católicos dignos do nome - do estado catastrófico a que levaram as reformas pós-conciliares. Mas nota que a rejeição radical de um acordo por parte dos demais bispos peca por falta de senso do sobrenatural e por falta de realismo. Por falta de senso do sobrenatural:

"Ela [a carta dos bispos] carece [do senso] do sobrenatural. Lendo Vocês, perguntamo-nos seriamente se Vocês ainda creem que esta Igreja visível cuja sede está em Roma é mesmo a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, Igreja por certo desfigurada horrivelmente a planta pedis usque as verticem capitis [da planta dos pés à ponta da cabeça], mas uma Igreja que mesmo assim ainda tem como chefe Nosso Senhor Jesus Cristo. Temos a impressão de que Vocês estão tão escandalizados que não aceitam mais que isso ainda possa ser verdade. Para Vocês, é Bento XVI ainda o Papa legítimo? Em caso afirmativo, pode Jesus Cristo ainda falar por sua boca? Se o papa exprime uma vontade legítima a nosso respeito, que é boa, que não dá nenhuma ordem contrária aos mandamentos de Deus, temos o direito de desdenhá-la, de despedir com um gesto de mão essa vontade? E senão, em que princípio Vocês se baseiam para agir assim? Não creem que, se Nosso Senhor nos comanda, Ele também proverá os meios de continuar a nossa obra? Ora, o papa comunicou-nos que a preocupação de resolver o nosso caso para o bem da Igreja estava no centro mesmo de seu pontificado, e que sabia muito bem que seria mais fácil para ele e para nós deixar a situação presente no estado em que se encontra. A vontade por ele manifestada é, pois, firme e justa.

"Com a atitude que Vocês preconizam, não há mais lugar para os Gideãos nem para os Davis, nem para os que contam com o auxílio do Senhor. Vocês nos acusam de ser ingênuo e de ter medo, mas é a visão que Vocês têm da Igreja que é demasiado humana e até mesmo fatalista; veem os perigos, os complôs, as dificuldades, não veem a assistência da Graça e do Espírito Santo. Se quisermos aceitar que a divina Providência conduz os negócios dos homens, embora deixando-lhes a sua liberdade, é preciso também aceitar que os gestos destes últimos anos em nosso favor estão sob o seu governo. Ora, eles indicam uma linha - nem toda ela reta - mas claramente em favor da Tradição. Por que ela subitamente se deteria, quando tudo fazemos para conservar a nossa fidelidade e acompanhamos nossos esforços com uma oração incomum? Abandonar-nos-ia o bom Deus no momento mais crucial? Isso não tem sentido. Sobretudo não tentemos impor-Lhe alguma vontade própria, mas tentemos apreender através dos acontecimentos o que Deus quer, estando dispostos a tudo, como Lhe agradar."

Em seguida, a falta de realismo:

"Ao mesmo tempo, ela carece de realismo, já quanto à intensidade dos erros, já quanto a sua amplitude.

"Intensidade: na Fraternidade, estamos transformando os erros do Concílio em super-heresias, como se fosse o mal absoluto, pior do que tudo, assim como os liberais dogmatizaram esse concílio pastoral. Os males já são suficientemente dramáticos para que não os exageremos ainda mais [...]. Não se faz mais nenhuma distinção. Enquanto o Monsenhor Lefebvre fez várias vezes as distinções necessária acerca do liberal. Tal falta de distinção leva um ou outro de Vocês a um endurecimento "absoluto". Isso é grave, pois essa caricatura já não faz parte da realidade e levará logicamente no futuro a um verdadeiro cisma. E talvez este argumento seja o que mais me leve a não tardar mais a resposta às instâncias romanas.

"Amplitude: por um lado, imputamos às autoridades presentes todos os erros e todos os males que se encontram na Igreja, deixando de lado o fato de que eles tentam pelo menos em parte livrar-se dos mais graves deles (a condenação da "hermenêutica da ruptura" denuncia erros bem reais). Por outro lado, pretende-se que TODOS estão arraigados nessa pertinácia ("todos modernistas", "todos podres"). Ora, isso é manifestamente falso. Uma grande maioria continua sendo levada pelo movimento, mas nem todos."

A carta prossegue no mesmo tom, considerando a proposta de uma prelazia pessoal etc. Em breve publicaremos uma tradução completa desse importantíssimo documento.

Este Vosso servo não pode deixar de exprimir seu imenso júbilo por encontrar nas palavras de Dom Fellay as mesmíssimas ideias que têm sido defendidas neste blog, só que mais elegante e claramente exprimidas. O que me faz ter confiança em que logo a separação entre os gloriosos guerreiros da Fé da FSSXP e a Igreja de Roma, governada pelo Sucessor de Pedro, o Papa Bento XVI, chegará ao fim, sanando essa chaga horrenda sobre o corpo místico de Cristo, para maior Glória de Deus.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Minha salvação


Existe na eternidade uma ideia de mim em Deus mais real do que eu. A minha salvação consiste em voltar a ela (a mim) por Cristo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O estudo da doutrina católica


Dado o estado lamentável da teologia católica pós-conciliar, aqui vai uma dica sobre como não perder-se nesse labirinto de contradições:

Leia muito. Dê preferência aos livros de teologia e espiritualidade anteriores ao Concílio. Quanto mais antigos, melhor. Só quando tiver um bom domínio da doutrina dedique-se à leitura dos textos pós-conciliares, já com o discernimento necessário para separar o que é católico do que não é.

Sem isso, a desorientação é inevitável.

sábado, 5 de maio de 2012

O que é modernismo?


O modernismo é a versão aguada, morna e adocicada, portanto vomitiva, da fé católica, soma de todas as concessões possíveis e imagináveis a tudo o que se produziu de anticristão no mundo intelectual. Naturalmente repulsivo, é muito popular por permitir deixar de lado tudo o que se refere a Deus, levar a vida moral e espiritual mais porca possível e ao mesmo tempo se dizer católico e achar que Deus tem a obrigação moral de salvar a todos. É o adubo que serve de nutriente às teologias da libertação, de credo aos maçons católicos e de fundamento espiritual ao culto de Medjugorje, às associações católicas pró-aborto e aos padres pedófilos.

Governar é impor as alternativas


Quem governa, mais do que impor respostas, impõe alternativas, tais como lhe convêm, o que dá a ilusão da liberdade e torna suave o jugo.

Por exemplo, é quem impõe a alternativa entre parada gay ou marcha evangélica, Globo ou Record, capitalismo ou comunismo.

Como o próprio do professor não é nem tanto dar a resposta, mas propor o problema.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Defesa eucarística do modernismo


Pode parecer que se possa fazer uma defesa radicalmente mística do mais exacerbado modernismo.
Assim:
O que realmente importa na Igreja é a Eucaristia, a presença de Deus entre nós no pão ázimo da Verdade. A ela deve curvar-se tudo mais, mesmo a pregação da verdadeira doutrina. Se algo dificulta o acesso ao Corpo de Cristo, é ruim; o que dEle aproxima é bom, mesmo que herético.
Note-se que não se trata de uma defesa da prática sobre a teoria, como muitos defendem hoje em dia, mas simplesmente da Eucaristia sobre a pregação.

O calcanhar de Aquiles, é claro, é que a recepção da Eucaristia é regida por normas rigorosas para que valha como sacramento de Salvação e não de perdição.

Em outras palavras, o melhor modo de evangelizar uma cidade não é alugar um helicóptero, enchê-lo com duas toneladas de hóstias consagradas, levantar voo e despejar a carga divina sobre a cidade.
Não mesmo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Rock litúrgico, oxímoro fatal


O grande erro dos que se valem de rockinhos e música country para "animarem" a liturgia é esquecerem-se de que a música significa. Ela não é uma folha em branco sobre a qual se escreve o texto que se quiser. Não basta pegar um rock concebido para servir de tema musical para a masturbação de adolescentes e colocar uma letra de "louvor" para fazer música sacra.

A música tem por si mesma, independente da letra, um significado. O rock e o sacrifício da Missa têm pathoi contraditórios, e nem mesmo as palavras do Profeta nos Salmos podem mudar isto. Não cabem no rock ou no country o recolhimento e a reverência de rigor na presença do Altíssimo.

O que acaba acontecendo é que a letra e o ritual dizem uma coisa e a música diz algo diametralmente oposto. Não é possível preparar-se para a transubstanciação do corpo de Cristo ao som de rock'n roll.

Basta, aliás, observar na foto acima o contraste entre a patética figura do padre heavy metal e a decoração barroca do fundo para ver como cai bem numa igreja uma monstruosidade como o rock dito católico.

A gravidade do pecado contra a castidade


Iluminados pelas Luzes do Progresso, os entusiastas da Grande Avacalhação pós-conciliar costumavam  rir dos atrasados que teimavam em crer, com a Tradição, na gravidade de todo pecado contra a castidade.

A reposta do inferno não se fez esperar. Aproveitando-se desse momento de descuido, o Mal desferiu o seu maior golpe contra a Igreja em muito tempo. Monstruosidades como o abuso sexual de crianças pequenas passaram a ser consideradas bobagem e, quando descobertas, só provocavam a transferência do padre possuído para outra paróquia. Os bispos esclarecidos tinham coisa mais importante a fazer do que se preocupar com essas ninharias.

Ou seja, foi justamente por não levarem a sério os ensinamentos tradicionais sobre a sexualidade que se tornou possível escrever a página mais negra da história da Igreja.

Esses escândalos sexuais constituem uma chaga aberta e viva; chaga que seria mortal sem a assistência do Espírito, que se apresta para reunir novamente seu rebanho sob o Bom Pastor.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Pão da Vida imolado por nós


Como poderia o Verbo dizer mais divinamente que se entregou na Cruz por mim, individualmente por mim, do que atravessando o tempo e vindo da eternidade  oferecer a mim seu corpo crucificado sob a espécie do pão, literalmente pão, para que eu dEle me alimente?