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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pierre Bourdieu, conspiracionista




As grandes empresas multinacionais e seus conselhos de administração internacionais, as grandes organizações internacionais, OMC, FMI e Banco Mundial, com suas múltiplas subdivisões designadas por siglas e acrônimos complicados e muitas vezes impronunciáveis, e todas as realidades correspondentes, comissões e comitês de tecnocratas não eleitos, desconhecidos do grande público, em suma, todo esse governo mundial que em poucos anos se instituiu e cujo poder se exerce sobre os próprios governos nacionais, é uma instância despercebida e desconhecida da maioria. Essa espécie de Big Brother invisível, que se apoderou de dossiês interconectados sobre todas as instituições econômicas e culturais, já está aí, ativa, eficiente, decidindo o que poderemos ou não comer, ler ou não ler, ver ou não ver na tv e no cinema, e assim por diante (…). Através do controle quase absoluto que detêm sobre os novos instrumentos de comunicação, os novos donos do mundo tendem a concentrar todos os poderes, econômicos, culturais e simbólicos, e estão assim em condições de impor muito amplamente uma visão do mundo conforme aos seus interesses.

Pierre Bourdieu, Contre-feux 2. Pour un mouvement social européen, Raisons d'agir, 2001, p. 88-89.

Palavras escritas um ano antes de morrer por aquele que é tido por muitos como o mais importante cientista social francês da segunda metade do século XX. Depois de passar décadas sem dar um pio sobre a criptocracia, Bourdieu resolve falar. A perspectiva da morte traz consigo um sérieux incompatível com a mentira.

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