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sábado, 24 de março de 2012

A usurpação científica


Pelas vicissitudes da história europeia, no século XVIII a ciência natural foi elevada à condição de soberana dos saberes. Como sua área de competência se restringe à matematização da experiência sensível, ela nada tinha a dizer sobre os mais graves problemas que afligem a humanidade, todos eles muito além dos limites dos seus laboratórios e de seus cálculos.
Para não perder a majestade, valeu-se de seus poderes para proibir que tais problemas fossem colocados. Ai de quem dissesse que o  rei estava nu!
Decretou por meio de seus lacaios nos departamentos de filosofia que a metafísica e sobretudo a teologia estavam mortas. Quem se dedicasse a elas estaria eo ipso excomungado da comunidade pensante.
Era pior do que se, nomeado um sapateiro ministro da cultura, ele proibisse a física quântica por ultrapassar os seus conhecimentos. Pior, pois se a proibição da mecânica quântica seria péssima por seus efeitos, a desqualificação da metafísica é desastrosa de imediato, por si mesma.
Foi o que aconteceu. Despedida a metafísica, a ciência passou a reinar sobre o que não sabia, e o caos se instaurou incólume na república das letras.
Os resultados dessa usurpação estão aí para quem tiver olhos para ver.

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