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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma paródia do argumento ontológico

Santo Anselmo de Cantuária

É notório que os argumentos ontológicos pela existência de Deus não gozam de muito prestígio entre os tomistas. Não resta dúvida, porém, de que a descoberta de Santo Anselmo marca um dos momentos capitais da história da filosofia. Basta dizer que Descartes, Leibniz e Gödel - três dos maiores matemáticos de todos os tempos - deram sua adesão a ele.
No mínimo, a prova ontológica é um dos mais interessantes e férteis raciocínios já elaborados pela mente humana. Deu origem a uma inumerável prole de outros raciocínios poderosos, tanto a favor como contra, desde Gaunilo, um contemporâneo de Anselmo do século XI, até Alvin Plantinga, um dos maiores filósofos americanos da atualidade, criador e defensor de uma nova variante da prova a priori..
Ao lado desse intenso debate filosófico, houve também bom número de desenvolvimentos anedóticos do argumento
Aqui vai a tradução de uma dessas curiosidades, uma paródia de autoria de um professor de filosofia australiano, Douglas Gaskin. O original inglês pode ser encontrado no artigo sobre os argumentos ontológicos da Stanford Encyclopedia of Philosophy, cujo autor é Graham Oppy:
  1. A criação do mundo é a maior façanha imaginável.
  2. O mérito de uma façanha é o produto de (a) sua qualidade intrínseca e (b) da habilidade do seu criador.
  3. Quanto maior a falta de habilidade ou deficiência do criador, mais impressionante a façanha.
  4. A mais formidável deficiência para um criador é a não existência.
  5. Portanto, se supusermos que o universo é o produto de um criador existente, podemos conceber um ser maior — a saber, um que tenha criado tudo sem existir.
  6. Um deus existente, portanto, não seria um ser de que um maior não se pode conceber, pois um criador ainda mais formidável e incrível seria um deus que não existe.
  7. (Portanto) Deus não existe.
Realmente. Se um mundo criado por uma minhoca já seria absolutamente espantoso e inverossímil, que não dizer de um mundo ateu, criado por algo ainda mais insignificante do que a minhoca: o não-existente?
Como diz Gasking, isso é incrível - ou seja, impossível de se crer.

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