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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Aristóteles e a neurologia


É bem provável que Aristóteles tenha sido o ser humano mais brilhante de todos os tempos - embora certamente não da eternidade. A mesma Igreja de Cristo presta-lhe homenagem por intermédio de seu doutor máximo, Santo Tomás de Aquino. Mente universal, dominou e ampliou toda a ciência de seu tempo, e em alguns domínios, como a metafísica, seu saber permanece insuperado.

Não há dúvida, porém, de que a neurologia não era o seu forte. A tese de que a sede do entendimento é o coração e o cérebro não passa de um refrigerador do corpo não chegou a entusiasmar a posteridade. Mas nem tudo está perdido.

Em seu livro Mind Wide Open (p 178ss), o escritor americano Steven Johnson submete-se a uma  ressonância magnética do cérebro. Bem no meio da sessão, ocorre-lhe uma grande ideia para um texto. Terminado o procedimento e conferidas as imagens do momento da inspiração, o que se via é que naquele momento o seu cérebro não apresentara nenhum foco especial de atividade. A imagem estava limpa, sem as "fagulhas" aqui e ali comuns no funcionamento normal do cérebro.

O que faz lembrar o texto clássico da Física do estagirita (VII, 247b):

"Não há alteração na parte dianoética da alma. (....) A aquisição inicial da ciência não é nem geração nem alteração: com efeito, o homem torna-se conhecedor e sábio mediante a quietude e a distensão da alma. Isso acontece do mesmo modo como o homem, quando desperta do sono ou se livra da embriaguez ou se restabelece de uma doença, nem por isso adquire a ciência; e embora antes não pudesse nem praticá-la nem atuá-la, só em seguida, removida a perturbação e de volta o pensamento à calma e à distensão, a potência ligada ao uso da ciência pode passar ao ato."

Talvez o susto tivesse sido menor se Johnson e a médica que o examinou tivessem antes lido a Física.

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