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domingo, 13 de novembro de 2011

Tomismo e barbárie


Dizia o grande Gustavo Corção que é nas classes de filosofia que se travam as batalhas decisivas. O problema é que essas batalhas nem sempre são travadas  com lealdade. Nos últimos séculos, vemos o "proletariado externo" (Toynbee) do agnosticismo e do materialismo tomar de assalto as cidadelas  infinitamente sutis e luminosas da pura doutrina de Santo Tomás. O ponto culminante nessa invasão bárbara ocorreu na Grande Avacalhação pós-conciliar, com  o abandono do tomismo pelas mais altas instâncias da Igreja mesma de Jesus Cristo.

Dado o desastre, que fazer?

Suponhamos que invasão semelhante ocorresse nas ciências naturais, e barbárie igual à que hoje impera na filosofia tomasse conta dos departamentos de Física das universidades. Que os conhecimentos matemáticos voltassem a ser equivalentes aos dos bororos e o mais douto professor não conseguisse contar além do número dez. Que fazer em tal situação para restaurar os estudos físicos a seu antigo brilho? De nada adiantaria falar de equações do movimento de Heisenberg ou da teoria da relatividade ou de supercordas para alunos que não compreendem direito o "vai um".

Mutatis mutandis, é o que vem acontecendo com o tomismo. Doutrina altamente sofisticada, dá-se ao luxo de  pressupor um conhecimento aprofundado de Aristóteles, filósofo que por si só exige muitos anos de labuta intelectual para começar a ser compreendido.

Começar a ensinar Santo Tomás a leitores entusiastas de Richard Dawkins ou Peter Singer é o mesmo que tentar lecionar física quântica numa classe de alfabetização de adultos.

O que se faz necessário hoje é um trabalho muito mais básico, de recuperação das verdades mais fundamentais da Fé católica. Só a partir daí, depois de longo trabalho, será possível falar com algum proveito do ensino do tomismo.

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