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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Vitral da Virgem no Mosteiro de São Bento em São Paulo

Foto www.mosteiro.org.br

Deixando de lado o profundo efeito devocional para só falar do valor estético, o vitral da Virgem no Mosteiro de São Bento é, com sobras, a mais bela obra de arte existente em São Paulo. Masp compris.
Pena que não tenha conseguido ainda achar uma foto decente dele.

domingo, 13 de novembro de 2011

Eutanásia e consciência

Maurice Barrès

Não deixa de ser curioso - e revelador - que numa época que tem em tão pouca conta a consciência ("La conscience, cette petite chose à la surface de moi", como dizia Barrès), os defensores da eutanásia deem a ela um valor absoluto, a ponto de transformar sua ausência em sentença de morte.

Tomismo e barbárie


Dizia o grande Gustavo Corção que é nas classes de filosofia que se travam as batalhas decisivas. O problema é que essas batalhas nem sempre são travadas  com lealdade. Nos últimos séculos, vemos o "proletariado externo" (Toynbee) do agnosticismo e do materialismo tomar de assalto as cidadelas  infinitamente sutis e luminosas da pura doutrina de Santo Tomás. O ponto culminante nessa invasão bárbara ocorreu na Grande Avacalhação pós-conciliar, com  o abandono do tomismo pelas mais altas instâncias da Igreja mesma de Jesus Cristo.

Dado o desastre, que fazer?

Suponhamos que invasão semelhante ocorresse nas ciências naturais, e barbárie igual à que hoje impera na filosofia tomasse conta dos departamentos de Física das universidades. Que os conhecimentos matemáticos voltassem a ser equivalentes aos dos bororos e o mais douto professor não conseguisse contar além do número dez. Que fazer em tal situação para restaurar os estudos físicos a seu antigo brilho? De nada adiantaria falar de equações do movimento de Heisenberg ou da teoria da relatividade ou de supercordas para alunos que não compreendem direito o "vai um".

Mutatis mutandis, é o que vem acontecendo com o tomismo. Doutrina altamente sofisticada, dá-se ao luxo de  pressupor um conhecimento aprofundado de Aristóteles, filósofo que por si só exige muitos anos de labuta intelectual para começar a ser compreendido.

Começar a ensinar Santo Tomás a leitores entusiastas de Richard Dawkins ou Peter Singer é o mesmo que tentar lecionar física quântica numa classe de alfabetização de adultos.

O que se faz necessário hoje é um trabalho muito mais básico, de recuperação das verdades mais fundamentais da Fé católica. Só a partir daí, depois de longo trabalho, será possível falar com algum proveito do ensino do tomismo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Química, arte e Fé


Mostro a Virgem dos Rochedos do Louvre e digo:

- Aí está a Virgem radiosa, que traz a Luz às trevas da caverna platônica onde vivemos.

Meu convidado instala uma sofisticada aparelhagem científica diante do quadro e depois de alguns instantes:

- Impossível. Minhas análises demonstram a presença de substância químicas incompatíveis com a vida humana na sua suposta "Virgem".

É mais ou menos isso que faz toda crítica "científica" da Bíblia. Com a diferença de que nas Escrituras Deus se serve de duas tintas: a que os evangelistas usam para escrever e a que Ele-Mesmo usou no momento do fiat.

- Ah, então é tudo ficção!

- Se você pensa que toda relação de significação seja ficcional, sinta-se à vontade para tirar a conclusão que quiser.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Finados: Sermão do Mestre Eckhart sobre a morte e o ser



Para o dia de Finados, aqui vai a tradução de um belíssimo sermão do Mestre Eckhart, esse catolicíssimo dominicano, discípulo de Santo Tomás, tantas vezes mal compreendido.

Sermão In occisione gladii mortui sunt


Lemos a respeito dos mártires: "São mortos sob a espada." Nosso Senhor diz a seus discípulos; "Bem-aventurados sois por sofrerdes algo por meu nome."


É dito: "Eles são mortos." Eles são mortos significa em primeiro lugar que o que sofremos neste mundo e neste corpo tem um fim. Diz Santo Agostinho: toda aflição, toda obra sofrida tem um fim, mas é eterna a recompensa que Deus dá em troca. A segunda coisa a considerar é que toda vida é mortal, que não devemos temer nenhuma aflição e nenhum sofrimento que nos cabe, porque eles terão fim. Em terceiro lugar, devemos comportar-nos como se já estivéssemos mortos, de modo que nem prazer, nem repulsa nos toquem. Diz um mestre: Nada pode tocar o céu, isto é: é um ser celeste o ser humano para o qual todas as coisas não têm importância bastante para tocá-lo. Diz um mestre: Já que todas as criaturas são tão indigentes, por que elas afastam tão facilmente de Deus o ser humano? A alma, no que tem de mais indigente, tem porém mais valor que o céu e todas as criaturas. Responde ele: Isso acontece porque o homem presta pouca atenção em Deus. Se o homem prestasse atenção em Deus como deveria, seria quase impossível cair. Que o homem deve comportar-se neste mundo como se estivesse morto, eis aí um bom ensinamento. Diz São Gregório que ninguém pode possuir muito de Deus se não estiver completamente morto para este mundo.


O quarto ensinamento é o melhor de todos. É dito: "Eles são mortos." A morte dá-lhes um ser. Diz um mestre: A natureza nada destrói sem dar algo melhor. Quando o ar vira fogo, é algo de melhor, mas quando vira água, é uma destruição e uma perda. Se a natureza age assim, Deus faz bem mais: jamais destrói sem dar algo melhor. Os mártires são mortos, perderam uma vida e receberam um ser. Diz um mestre que o ser, a vida e o conhecimento são o que há de mais nobre. O conhecimento é mais elevado do que a vida ou o ser, pois, em razão de conhecer, tem vida e ser. Por outro lado, porém, a vida é mais nobre que o ser ou o conhecimento, pois se a árvore vive, a pedra tem um ser. Ora, se considerarmos o ser mais puro e nobre tal como é em si mesmo, o ser é mais elevado que o conhecimento ou  a vida, pois por ter o ser, tem conhecimento e vida. Eles perderam a vida e encontraram um ser. Diz um mestre que nada é tão semelhante a Deus como o ser; quanto mais ser tem uma coisa, mais é semelhante a Deus. Diz um mestre: "ser" é tão puro e tão alto que tudo o que é Deus é ser. Deus nada conhece senão o ser, nada sabe senão o ser, ser é sua órbita. Deus nada ama senão seu ser, nada pensa senão seu ser. Digo: todas as criaturas são um só ser. Diz um mestre que certas criaturas são tão próximas de Deus e têm tanta luz divina impressa nelas que dão o ser a outras criaturas. Não é verdade, pois o ser é tão alto e tão puro e tão aparentado a Deus que ninguém pode conferir o ser senão Deus em si mesmo. A natureza própria de Deus é "ser". Diz um mestre: uma criatura pode muito bem dar vida à outra. É por isso que tudo o que é é fundado unicamente no ser. Ser é um nome primeiro (Ego sum qui sum). Tudo o que é deficiente é perda do ser. Toda a nossa vida devia ser um ser. Na medida em que a nossa vida é um ser, nessa mesma medida ela é em Deus. Na medida em que a nossa vida está inserida no ser, nessa mesma medida ela é aparentada a Deus. Por mais débil que seja a vida, para aquele que a considera enquanto ela é "ser", ela é mais nobre do que tudo o que ganhou a vida. Tenho certeza: se uma alma conhecesse a mínima coisa que tem o ser, ela jamais se afastaria dela nem por um instante. A mínima coisa que conhecemos em Deus, mesmo que seja conhecer uma florzinha enquanto tem um ser em Deus, seria mais nobre que o mundo inteiro. A mínima coisa que é em Deus, enquanto ela tem um ser, vale mais do que se conhecêssemos um anjo.


Se o anjo se voltasse para o conhecimento das criaturas, seria a noite. Diz Santo Agostinho: Quando os anjos conhecem as criaturas sem Deus, é uma luz vespertina, mas quando as conhecem em Deus, é uma luz matinal. Quando conhecem Deus tal como é, puro ser em si mesmo, é o luminoso meio-dia. Digo: o homem deveria compreender e reconhecer que o ser é tão nobre. Nenhuma criatura é tão mínima que não aspire ao ser. As taturanas, quando caem da árvore, arrastam-se muro acima para manter seu ser. Tão nobre é o ser. Exaltamos a morte em Deus para que Ele nos transfira para um ser melhor que a vida: um ser em que vive a nossa vida, em que nossa vida se torna ser. O homem deve aceitar de bom grado a morte e morrer, para que um melhor ser seja o seu quinhão.


Digo às vezes que a madeira é mais nobre que o ouro: é muito estranho. A pedra, enquanto tem ser, é mais nobre que Deus e Sua Deidade sem ser, se pudéssemos Lhe retirar o ser. Deve ser muito poderosa a vida em que as coisas mortas se tornam vivas e em que a morte mesma se torna uma vida. Para Deus, nada morre; todas as coisas nEle vivem. "Eles são mortos", diz a Escritura a respeito dos mártires, e são transferidos para uma vida eterna, para essa vida em que a vida é um ser. É preciso estar completamente morto para que nem a alegria, nem a dor nos toquem. O que se deve conhecer, deve ser conhecido em sua causa. Não conhecer uma coisa em sua causa manifesta não pode nunca ser conhecimento. Assim também a vida não pode nunca realizar-se a menos que seja trazida à sua causa manifesta, ali onde a vida é um ser que acolhe a alma quando ela morre até em seu fundo, para que vivamos nessa vida em que a vida é um ser. O que nos impede de lá permanecermos constantemente, um mestre o prova dizendo: a razão é que tocamos o tempo. O que toca o tempo é mortal. Diz um mestre: o movimento do céu é eterno; sem dúvida, é verdade que o tempo é dele emanado, mas isso acontece numa queda. Em seu movimento, ele é eterno, ignora o tempo e indica que a alma deve ser transferida para um ser puro. O segundo obstáculo é a a oposição que a coisa traz em si. Que é oposição? Alegria e dor, branco e preto estão em posição e ela não permanece no ser.


Diz um mestre: a alma é dada ao corpo para ser purificada. A alma, quando separada do corpo, não tem nem intelecto, nem vontade, está só, não poderia dispor da força necessária para se voltar para Deus; ela possui, é claro, essas potências em seu fundo que é a raiz delas, mas não na operação. A alma é purificada no corpo, para que ela reúna o que está disperso e foi levado para fora. Quando  volta para a alma o que os cinco sentidos levam para fora, ela tem uma potência em que tudo se torna um. Por outro lado, a alma é purificada no exercício das virtudes, ou seja, quando a alma se eleva para uma vida unificada. A pureza da alma reside em ser purificada de uma vida dividida e em entrar numa vida unificada. Tudo o que é dividido nas coisas baixas é unificado quando a alma se eleva a uma vida em que não há oposições. Quando a alma chega à luz do intelecto, nada sabe da oposição. O que escapa a essa luz cai na mortalidade e morre. Em terceiro lugar, a pureza da alma reside em não ter queda para nada. O que tem uma queda para qualquer outra coisa morre e não pode subsistir.


Rogamos a Deus, nosso querido Senhor. que Ele nos ajude a passar de uma vida dividida a uma vida unificada. Que Deus nos ajude. Amém.

(® da Tradução de Yours Truly. Só pode ser copiado com a referência expressa desta URL original).

Liberalismo, idolatria


O mercado é o sujeito de uma classificação quantitativa dos bens e serviços da coletividade. A adoração a ele, o liberalismo, pretende transformá-lo num princípio cósmico. Que o carpinteiro da Galileia, dois mil anos atrás, tenha em duas palavras posto essa aberração metafísica em seu devido lugar é mais um sinal da Sua infinita sabedoria.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vaticano II e Realpolitik


Pensando em termos estritamente realistas, quem tem alguma noção do equilíbrio das potências no pós-guerra há de convir que, sem o Concílio Vaticano II ou algo parecido, a Igreja Católica já teria deixado de existir.
Por outro lado, vale lembrar que considerações muito parecidas foram tecidas por Pedro no caminho para Jerusalém.