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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cristo e o batismo de crianças


A América Latina vem sofrendo um massacre espiritual sem precedentes, com a campanha de descristianização lançada pela máfia que manda no planeta financiando associações ditas "evangélicas" para enfraquecerem a Igreja por meio do carpet bombing mediático das massas. Entre as grandes armas desse massacre está a recusa en masse do batismo de crianças. Multidões de crianças das classe populares estão deixando de ser batizadas. É bem bolado. Satã não poderia achar método mais eficiente para superlotar o inferno, pois está claro na Bíblia que o batismo é condição para a salvação eterna.

Entre os argumentos usados em defesa dessa doutrina claramente demoníaca, os "evangélicos" citam o seguinte trecho das Escrituras:

"Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isto, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará." (Lucas 18,15-17)


O problema é que o trecho se refere a crianças vivas, não a crianças mortas. O certo é que a Tradição sempre leu o texto bíblico de maneira exatamente oposta, como um convite ao batismo, o nascimento em Cristo do homem novo. 


Mas o que importa que seja assim. Se o Verbo encarnado chama a Si as criancinhas pelo batismo, mais uma razão para que as quadrilhas mafiosas que regem o assalto à Igreja se empenhem em difundir a doutrina oposta. O patrão exige.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Requiescat in pace


Morreu o coronel Kadhafi. Com todos os seus defeitos, uma das poucas vozes independentes neste planeta lobotomizado e cada vez mais irrespirável.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

domingo, 9 de outubro de 2011

Descrição da Virgem Maria por Joris-Karl Huysmans


Para o dia de Nossa Senhora de Aparecida, próxima quarta-feira, esta descrição da Virgem Santíssima feita pelo magistral Joris-Karl Huysmans:

Santo Epifânio no-la descreve alta, de olhos esverdeados, sobrancelhas arqueadas, bem negras, nariz aquilino, boca rosada e pele dourada: uma visão de homem do Oriente.

Tomemos, por outro lado, Maria de Agreda. Para ela, a Virgem é alta e magra, de cabelos e sobrancelhas negras, olhos tendendo ao verde escuro, nariz reto, lábios vermelhos e pele morena. Reconhece-se aí o ideal espanhol de graça concebido por essa abadessa.

Consultemos, por fim, a Irmã Emmerich. Segundo ela, Maria é loura, tem olhos grandes, nariz longo, queixo um pouco pontudo, pele clara e não é muito alta. Lidamos aqui com uma alemã que a beleza morena não satisfaz.

E tanto uma como outra dessas duas mulheres são duas videntes a que a Madona apareceu, assumindo justamente a única forma que as podia seduzir, assim como se mostra com uma beleza um tanto insípida, a única que elas podiam compreender, a Mélanie de La Salette e a Bernadette de Lourdes.

Eu, por meu lado, que não sou visionário e tenho de recorrer à imaginação para figurá-la, parece-me percebê-la nos contornos, na expressão mesma da catedral; os traços são pouco nítidos no pálido deslumbre da grande rosa que fulgura por trás de sua cabeça, como um nimbo. Ela sorri, e seus olhos, todos luz, têm o brilho incomparável dessas safiras claras que iluminam a entrada da nave. Seu corpo fluido exala-se num traje cândido de chamas, estriado, listrado, como o traje da falsa Berthe. O rosto tem uma brancura nacarada, e a cabeleira, como tecida por um fuso de sol, voa em fios de ouro; Ela é a Esposa do Cântico:" Pulchra ut luna, electa ut sol." A basílica onde reside e que com Ela se confunde, ilumina-se com suas graças; as gemas dos vitrais cantam suas virtudes; as colunas magras e delicadas que se estiram num só jato, das lajes até os cimos, desvelam suas aspirações e seus desejos; o assoalho conta sua humildade; as abóbadas que se reúnem, como um dossel, sobre Ela, narram sua caridade; as pedras e os vidros repetem suas ladainhas; e tudo, o aspecto belicoso de alguns pormenores do santuário, essa maneira cavalheiresca que lembra as Cruzadas, com as lâminas das espadas e os escudos das janelas e das rosas, o casco das ogivas, as cotas de malha do campanário velho, a grade de ferro de certas janelas, que evocam a recordação do capítulo de Primas e da ladainha de Laudes de seu pequeno ofício, traduz a "terribilis ut castrorum acies ordinata", relata esse privilégio que Ela tem, quando quer, de ser "como um exército em batalha, terrível".

Aqui, porém, poucas vezes ela o quer, acho; por isso esta catedral é sobretudo o reflexo de sua inesgotável mansidão, o eco de sua incomparável glória!

(Joris-Karl Huysmans; tradução Yours Truly)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pedofilia e pedofilia: Dawkins, Tatchell e a hipocrisia anticatólica


Richard Dawkins é um zoólogo britânico, especialista no comportamento das galinhas. Foi esse o tema de sua tese de doutorado. Mais tarde, animado com o sucesso de suas pesquisas sobre as poedeiras, Dawkins, valente como um galinho de briga, se julgou preparado para saltar do galinheiro à eternidade e dedicar-se a bicar ninguém menos do que o Deus do universo. Os resultados foram os esperados.

Dawkins foi também um dos principais animadores dos protestos contra a visita do papa à Grã-Bretanha no ano passado, ao lado de figuras importantes do movimento gay local, como Peter Tatchell. Na foto acima,  Tatchell aparece atrás de Dawkins num comício antipapal. É o moçoilo que segura um cartaz convidando o Papa a renunciar por causa dos abusos sexuais contra crianças.

Que nobre indignação! Quanta grandeza em sua luta contra a podridão sexual dos católicos e na defesa da pureza das criancinhas!

Mas será?

O fato é que vazou pela Internet uma carta escrita por esse mesmíssimo Tatchell e publicada em 1997 no Guardian, jornal inglês. Nessa carta, o valente protetor da pureza infantil defende, como sadia e positiva, nada menos do que... a prática de pedofilia. Após afirmar que numa tribo da Nova Guiné todos os meninos têm relações sexuais com guerreiros adultos e "longe de se sentirem mal com isso, crescem e se tornam adultos felizes, bons maridos e pais", ele prossegue dizendo:

A natureza positiva de algumas relações sexuais entre adultos e crianças não está restrita às culturas não Ocidentais. Muitos amigos meus - homossexuais e heterossexuais - fizeram sexo com adultos quando tinham de 9 a 13 anos. Nenhum deles se sentiu abusado. Todos dizem que foi uma escolha consciente, que lhes deu grande alegria... Já é hora de a sociedade reconhecer a verdade de que nem todo sexo que envolve crianças é indesejado, abusivo e prejudicial.


Nem todo. Sem dúvida, a pedofilia só é ruim quando praticada por padres. 



Paul Davies, a sintonia fina do Universo e Santo Agostinho



Lendo o livro de Paul Davies, Cosmic Jackpot - Why our Universe is Just Right for Life, muito interessante, apesar da inevitável ignorância teológica e filosófica do autor. É uma espécie de maldição que acompanha como uma sombra a arrogância dos profissionais da soi-disant "ciência". Já dizia Garrigou-Lagrange que um livro de filosofia assinado por cientista é garantia quase certa de um festival de bobagens. De lá para cá, as coisas só pioraram.

Em seu livro, o famoso físico britânico trata do problema da sintonia fina do Universo, que se presta, contra toda probabilidade, a carregar vida em seu seio. Problema que tem dado muita dor de cabeça aos energúmenos do evolucionismo e até trazido de volta à luz muitas  velhas almas perdidas antes perdidas no anticristianismo.

O interessante é que na hora H, para explicar um dos problemas mais importantes da teoria do Big Bang, o autor tem de recorrer, não a Kant, Hegel, Marx, Nietzsche ou algum boçal do positivismo lógico, mas... ao velho e bom Santo Agostinho.

O dia em que um físico recorrer enfim a Santo Tomás para explicar os resultados de suas teorias, a ciência estará perto do seu acabamento.