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sábado, 24 de setembro de 2011

O padre Louis-François d'Argentan, capuchinho, e a teologia da prosperidade


"Quanto menos possuímos as criaturas, mais possuímos o Criador; pois a posse de uma coisa e estar a ela apegado é para nós o mesmo nesta vida corrupta. A suprema pobreza das criaturas dá a suprema pureza de coração. Tendamos, portanto, a nos empobrecer o máximo possível de tudo o que não é Deus. Alegremo-nos quando nos tiram as criaturas. Aceitemos com amor essa feliz perda que Deus concede aos amigos  por sua Providência. Os que não O amam, Ele os enche de criaturas, e eles permanecem totalmente vazios de Deus, pois a maior das misérias é ser privado de Deus e do precioso tesouro de Sua graça. Como é a morte eterna da alma perder a vida da glória, seu verdadeiro inferno neste mundo é perder a vida da graça, para viver só a vida da natureza. A riqueza das criaturas e a pobreza de Deus leva-os a essa condição. Ah, como são admiráveis as riquezas da pobreza das criaturas, mas poucos conhecem sua beleza!

"Uma alma realmente pobre só procura e ama a  Deus. Sua única vontade é o bel-prazer dEle, sua única pretensão, Sua pura glória. Nas criaturas, ela só quer a Deus e só a Ele aprecia, quando é ordem dEle não abandoná-las. Jamais se satisfaz tanto a alma como quando nada tem; pois, alegrando-se na pobreza, tudo possui e esse tudo é Deus. É por isso que há tão poucas pessoas interiores, porque não queremos afastar-nos das criaturas que possuímos, sob pretexto de servirmos a Deus. O mais alto serviço que Lhe prestamos é amá-Lo unicamente; e é isto o que não fazemos quando possuímos alguma criatura".

(Pe. Louis-François d'Argentan, capuchinho, ( 1615-1680), Le Chrétien interieur ou la Conformité interieure qui doivent avoir les Chrétiens avec Jésus-Christ, t. 2, 1696, pp 26-27).

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