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sábado, 3 de setembro de 2011

Cruz, espelho admirável


Assim como os vaidosos e mundanos, obcecados com a paixão de agradar, estão sempre diante do espelho, para consultá-lo, para observar as manchas no rosto, para apagá-las, ou os defeitos no traje, para repará-los; assim os que sentem vivamente o desejo de agradar a Deus devem voltar com frequência o olhar para o crucifixo, como para um espelho admirável, que lhes mostrará e lhes censurará seus defeitos e ao mesmo tempo lhes inspirará o desejo de corrigi-los. Esse corpo todo coberto de chagas lhes mostrará e ao mesmo tempo lhes censurará a preguiça, a sensualidade e o apego excessivo ao prazer. Os opróbrios e as ignomínias desse estado de aniquilamento a que o Salvador foi reduzido mostrar-lhes-ão e lhes censurarão os desregramentos do orgulho, da ambição e do apego às grandezas, às honras e à estima dos homens. Essa espantosa pobreza, essa nudez tão vergonhosa de um Deus sobre a cruz mostrar-lhes-á e lhes censurará o desregramento da avareza e desse apego excessivo aos bens da terra e às comodidades da vida. A paciência heróica demonstrada por Jesus Cristo em tão cruéis tormentos mostrar-lhes-á e lhes censurará o desregramento da delicadeza e da sensibilidade aos mínimos males. A facilidade por Ele demonstrada em perdoar aos inimigos e aos carrascos as mais atrozes injúrias, em desculpá-los pelo crime e em rezar e até morrer por eles mostrar-lhes-á e ao mesmo tempo lhes censurará as animosidades venenosas e a dificuldade em perdoar as mais ligeiras injúrias, muitas vezes até imaginárias. Eis os efeitos benéficos que produzirá a visão desse admirável espelho, Jesus crucificado, se o consultarmos com frequência, se tivermos sempre os olhos a ele voltados.
(Pe. François Nepveu,  L'Esprit du Christianisme, 1700)

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