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quarta-feira, 25 de maio de 2011

A vida eterna em Deus segundo o padre Baudrand SJ (1701-1787)


"Mas quando no grande dia da eternidade as almas tiverem chegado à beatitude perfeita, ao extremo de suas esperanças, ao cúmulo de seus desejos, então admitidas no santuário eterno, elas entrarão na alegria do Senhor, serão instaladas na morada dos eleitos, farão parte do Reino de Deus, elas o possuirão. Compreendamos, se possível, tudo o que essas palavras contêm de inefável e de grande. Sim, elas possuirão Deus e em Deus todos os bens; e em Deus todos os bens ao mesmo tempo; e em Deus todos os bens sem mistura de males; e em Deus todos os bens sem interrupção; e em Deus todos os bens para sempre, a alegria, a paz, a tranquilidade, a segurança, toda a glória, todos os tesouros, todas as delícias, ou seja, tudo o que o espírito mais amplo pode conceber, tudo o que o coração mais vasto pode experimentar, tudo o que a alma mais ávida pode desejar; todos estes bens, e bens infinitamente maiores, serão para sempre sua parte. Então não haverá mais para elas nem nuvens, nem escuridão, mas luz pura e serenidade constante; então todos os sofrimentos terão cessado, todas as lágrimas enxugadas, todos os desejos saciados, satisfeitos e infinitamente superados; toda a ocupação será contemplar a infinita beleza de Deus, amar sua infinita bondade, comprazer-se para sempre nessa contemplação eterna de suas perfeições adoráveis, sempre possuindo e sempre desejando; sempre saciados e jamais enojados, entrando ao contrário sem cessar em novos arroubos e novos transportes à vista do inefável objeto que contemplam.

Tudo o que digo é grande e no entanto tudo o que digo e tudo o que se poderá jamais dizer e conceber ainda não passa de uma pobre imagem, não é mesmo absolutamente nada em comparação com o que Deus nos prepara no seio de sua glória; pois, segundo o oráculo de São Paulo,transportado ao terceiro céu, o olho jamais viu, a orelha jamais ouviu, o coração do homem jamais concebeu e não conceberá jamais neste mundo as alegrias que Deus lhe preparou no outro: Nec oculus vidit, nec auris audivit, etc,. (1 Cor, 2.)

(Pe. Barthelemy Baudrand SJ, L'ame contemplant les grandeurs de Dieu).

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