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sábado, 28 de maio de 2011

Castidade e corpo sarado segundo Bourdaloue

O padre Louis Bourdaloue SJ (1632-1704)

Pois onde se encontra a sabedoria e em que lugar do mundo ela habita? Sapientia ubi invenitur et quis est locus intelligentia? Não é, diz o Espírito Santo, entre aqueles que vivem no prazer e nas delícias; ali só vemos luxo e impureza: Nec invenitur in terra suaviter viventium. E como poderíamos considerar sábio aquele que  sustenta delicadamente um escravo e lhe dá forças para se revoltar e sacudir o jugo? Ora, esse escravo é o corpo; e se não o tratarmos como escravo, se o pouparmos, se lhe dermos tudo o que quer, nutriremos um rebelde; ele se erguerá contra as ordens de Deus, terá ascendência sobre o espírito, tornar-se-á senhor e nos perderá. Por isso os santos sempre se armaram da penitência para reduzi-lo e mantê-lo na servidão. João Batista era o precursor de Jesus Cristo, fora santificado no ventre de sua mãe, Deus lhe concedera suas mais poderosas graças; de todos os homens, terá havido algum que, ao que parece, tivesse menos a temer das revoltas da carne? E, no entanto, que vida levava ele em seu deserto? Houve jamais uma abstinência mais rigorosa, e o Filho de Deus não disse dele: Venit Joannes, neque manducans, neque bibens. Sem isso, pretender que o corpo seja dócil à razão, prometer ficar longe das tentações impuras, enquanto  atiçamos sem cessar o fogo da impureza é um segredo que ainda não aprendemos na religião e que por certo tampouco é conhecido no mundo.

(Bourdaloue, Sermons sur la tempérance chrétienne)

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