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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Reflexão sobre a epístola da Quinta-Feira Santa


Foi neste dia que foi instaurada a eucaristia, o sacramento da caridade, o mistério da unidade e da paz. Foi neste dia que começou o sacrifício que aboliu todos os outros sacrifícios, que renova sem cessar o da cruz, que nos torna presente a morte de Jesus Cristo em todos os lugares e em todos os séculos, e que subsistirá na Igreja até seu segundo advento. Foi neste dia que Jesus Cristo nos deu seu corpo e seu sangue para ser nosso alimento e nossa bebida, enquanto estamos no deserto desta vida; e o mais surpreendente é que ele nos cumulou de tantos favores no momento em que seus inimigos tramavam juntos o modo de fazê-Lo morrer. Que amor, divino Salvador, tivestes por ingratos e por pecadores, que, longe de se servirem de vossos dons para se santificarem, deles abusam para se tornarem ainda mais culpados! Eles só se aproximam do sacramento da caridade com um coração cheio de cupidez e de desejos seculares. Vêm ao mistério da unidade e da paz sem estarem reunidos com os irmãos, e conservam todo amargor do ódio e do ressentimento pelas injúrias que receberam. Assistem a esse sacrifício adorável sem recolhimento, sem atenção, sem se oferecerem com o Divino Pontífice que pede misericórdia por eles. Recebem o corpo e o sangue de Jesus Cristo, não como carne que lhes dá vida, mas como veneno que lhes dá a morte; não para obterem a graça, mas para agravarem seu julgamento e sua condenação; não depois de se terem examinado e purificado, mas com uma consciência cheia de paixões criminosas. Por isso, diz São Paulo, e quem não tremerá ante esta palavra? "Muitos há entre vós que estão doentes e fracos, e muitos que dormem o sono da morte". Castigo justo, mas terrível, que Deus exercia já desde os primeiros tempos da Igreja com os profanadores dos santos mistérios, e que Deus tem ainda mais motivos para renovar em nossos dias, quando os sacrilégios são mais frequentes e os cristãos, mais temerários.
(Epitres et Évangiles pour tous les dimanches et fêtes de l'année, avec des réflexions, imprimées par ordre de Monseigneur de Pierre de Bernis, Rouen, 1821, pp 435-436)

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