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sábado, 23 de abril de 2011

Meditação sobre o Sábado de Aleluia


Despregam Jesus da Cruz. Ele só desce depois da morte e por obediência a Deus seu Pai e aos homens, que o despregam. Convém permanecer na Cruz durante toda a vida e nela morrer e só descer depois da morte. Não sois vós que deveis despregar-vos, cabe a Deus separar-vos dela. Sede como corpo morto, sem movimento e sem sentimento, que fica onde o põem e nunca se queixa de nada.

Jesus é levado da cruz ao túmulo. É o fim de todos os sofrimentos. É o termo das duras viagens que veio fazer no mundo. Depois de ter-se esforçado, é preciso chegar lá. Encontrareis repouso em vosso túmulo, contanto que não o tenhais encontrado durante a vida e que tenhais morrido sobre uma Cruz. Os Discípulos quase perderam a fé e a esperança; sua caridade está bem minguada, se é que não morreu completamente. Estão tristes e abatidos, porque perderam a presença sensível do Mestre; porque não O veem mais, não O ouvem mais. Como isso é comum de acontecer!

Que consolo dar à Santa Virgem ao receber seu Filho Jesus entre os braços? Que dor vê-Lo coberto de sangue e de chagas, da cabeça aos pés! Que rios de lágrimas derramou ela sobre esse corpo sagrado! Quantos beijos deu em seus pés, em suas mãos e em seu sagrado lado! Que dor sentiu ao vê-Lo sepultarem e levarem ao túmulo! Que aflição quando foi preciso separar-se dEle! Que diz, que pensa ela, tendo diante dos olhos esse triste espetáculo e vendo em que estado haviam reduzido seu querido Filho! Ela, porém, não se entrega à dor. Não se deixa levar pela impaciência. Separa-se do que mais amava, porque essa era a vontade de Deus. Suportai a exemplo dela a privação de tudo o que tendes de mais caro no mundo, e sacrificai tudo às ordens da divina Providência, que de tudo dispõe para vosso bem.

Feliz quem recebe no coração o Benditíssimo Jesus descido da Cruz! O grão de frumento deve morrer e ser escondido na terra, para frutificar. Jesus está entre os braços do Sacerdote no Altar, como entre os braços da Cruz. O Altar é o calvário; vosso coração, o túmulo onde Ele quer repousar depois desse grande sacrifício de seu amor. É o lugar da sepultura que Ele escolheu, e que deve estar novo por uma renovação de graça e penitência. Nicodemos deu seu sepulcro a Jesus, recusar-Lhe-eis o vosso? Como Ele o tornará precioso e glorioso, se ali O receberdes com perfumes de piedade e devoção!

Feliz quem é crucificado com Jesus, morto e sepultado com Ele; quem é enterrado, escondido aos olhos dos homens, ignorado e contado entre os mortos de que não se tem mais lembrança! Logo ressuscitará com Jesus, imortal e impassível como Ele. Feliz quem conserva a fé na escuridão dos sentidos, não perde a esperança, tendo perdido seu apoio; quem não deixa de amar na privação de tudo o que pode consolá-lo!

Jesus, meu Salvador, é agora que sois verdadeiramente um Deus oculto, pois eis-Vos envolto num sudário, sepultado num túmulo e contado entre os mortos. Escondei-me em vosso seio; sepultai-me em vossa sepultura. Não seja eu nem conhecido, nem amado pelos homens; morra eu a todos os meus conhecidos; seja separado de tudo o que amo; seja privado de tudo o que desejo. Estou pronto para seguir-Vos e ir conVosco até o centro da terra. Contanto que esteja em vossa companhia, nada tenho que temer. O Inferno me seria conVosco um Paraíso, e o Paraíso sem Vós, um Inferno.

(R.P. Crasset, Considérations chrétiennes pour tous les jours de l'année, II, pp. 137-140.)

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