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segunda-feira, 21 de março de 2011

Nietzsche vs. Líbia: o samba do crioulo doido e a luta contra a mentira.


Como é notório, o filósofo oficial do Império do mal é o alemão Friedrich Nietzsche, cujas obras foram compostas num estado de decomposição cerebral causado pela sífilis muito parecido com o que atinge as populações e o governo desse mesmo Império.

Segundo Nietzsche,  tudo é interpretação, e a pergunta essencial para a compreensão do que se passa é sempre "Para quem?" ou seja, "Quem interpreta?" Não importa saber "o que" se passa, pergunta ilusória, mas sim que sentido é dado ao que se passa pelas diversas forças que lutam para dar sentido ao mundo.

Com as revoltas árabes que se vêm sucedendo, estamos diante de um exemplo particularmente evidente de conflito nietzschiano.

As revoltas no Egito e na Tunísia foram tranquilas. Poucas dúvidas há de que foram revoltas espontâneas, levadas adiante pelas populações oprimidas daqueles países.

O mesmo não acontece com o caso líbio. Já dei a minha interpretação do que se passa e não é disso que se trata aqui. Quero falar agora da confusão provocada entre os críticos do Império pela exegese da agressão imperial contra Kadhafi.

Há contradição em todos os níveis. É muito difícil imaginar que líderes políticos de estatura mundial como Hugo Chavez ou Sayed Nasrallah careçam de dados para avaliar a situação, mas o que vemos é um total desacordo entre eles na interpretação do que está acontecendo na Líbia. Se Chavez condena sem reticências a agressão ocidental, Sayed defende em termos inequívocos a guerra contra Kadhafi. Hezbollah e Likud, Sayed e Bernard-Henri Lévy, a mesma luta!  Alguns falam de Al Qaeda, Obama, Israel e Irã unidos contra o inimigo comum. É o samba do crioulo doido.

A chave para compreender tudo isso é a origem dos ataques à Líbia. Foi uma guerra bolada no alto comando filosófico do Império, pela clique de BHL, cujo guru é o sifílitico de Sils-Maria. A ideia é sobrepor às revoltas populares uma nova interpretação, para desviá-las de seus objetivos iniciais e, pela desinformação, provocar a cizânia entre os inimigos do Império. Mais do que um ataque militar, o bombardeio da Líbia é um bombardeio hermenêutico do povo líbio em sua luta anti-imperial.

O objetivo é apoderar-se do comando dos povos insurretos, reinterpretando a revolta.


É isso que faz do ataque à Líbia o primeiro caso clássico de uma guerra nietzschiana.

Cabe enfrentar o ataque nietzschiano como sempre se enfrenta essa débil filosofia, com um vigoroso realismo, sem perder de vista que o ataque a Kadhafi é um tabefe contra todo o mundo árabe e contra tudo o que se opõe ao império da mentira.

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