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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Os sacrifícios da vida religiosa



Dizia o grande Huysmans que o catolicismo não é uma religião de bom tom.
O sinal entre o cristão e o mundo será sempre um sinal de contradição. É o que a velha e santa Igreja jamais perdia de vista.
Aos olhos do mundo, o que mais aguado, mais insípido, mais incorrigivelmente "bonzinho" do que a vida da Religiosa consagrada?
E no entanto, que enorme grandeza se esconde por trás daquelas aparências suaves.
É o que deixa bem claro este majestoso primeiro capítulo de um velho manual de espiritualidade para freiras, o Tableau d'une Vraie Religieuse, escrito por M. d'Orléans de Lamote, bispo de Amiens, em medos do século XVIII:

Dos sacrifícios pelos quais a verdadeira Religiosa se imola continuamente e seu divino Esposo

São grandes, minha filha, são muito grandes esses sacrifícios; mas tu os fizeste e mui livremente; não te arrependes de tê-los feito, convém renová-los sem cessar. Pela profissão religiosa, morreste uma santa morte; a fórmula de teus votos é o gládio com que te traspassaste.

Onde fizeste essas promessas santas pelas quais te imolaste? Foi nesse santo templo, diante dos santos altares, sob os olhos dos anjos, na presença de Jesus Cristo. Ele recebeu tuas promessas; o ministro sagrado que representava Jesus Cristo te disse publicamente a que te comprometias; tu não te abateste com isso; tu te alegraste com isso; assinaste com júbilo essas promessas sagradas com o sangue do Cordeiro de Deus que acabava de se imolar por ti.

Concluo que não mais te pertences, que não deves ser senão vítima, que deves oferecer-te continuamente em holocausto. Morre, pois, todos os dias, minha querida filha, e permanece sempre morta.

Convém que permaneças nesse estado de morte, se quiseres ser uma verdadeira Religiosa.

Mas para que, exatamente, morreu a verdadeira Religiosa? Morreu para o mundo: a solidão a que o Senhor a conduziu é a para ela o seu túmulo.

Morreu para os bens da fortuna; a pobreza constitui todas as suas riquezas.

Morreu para a sua própria vontade: a obediência é a sua grande glória.

Morreu para as comodidades da vida; a mortificação faz as suas delícias.

Amada esposa do Senhor, consente em ser imolada. Sê vítima da solidão; alegra-te por aí habitar como num celeste asilo.

Sê vítima da pobreza: ama-a como precioso tesouro.

Sê vítima da obediência: seja ela tua guardiã, trata-a com carinho.

Enfim, sê vítima da mortificação: tenha ela para ti mil encantos.

Estes são os quatro grandes sacrifícios que Deus te pede; eles contêm todos os outros; deves renová-los sem cessar.

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