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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Jesus Cristo e o ódio ao mundo


Os recente acontecimentos no Norte de África - que se somam a muitos outros em todo o mundo - não deixam dúvida de que a outra grande religião monoteísta, o Islã, está em alta.

Não é de surpreender. Na Sodoma globalizada de hoje, é islâmica quase sempre a voz que resiste. Ao contrário do cristianismo infiltrado por Macedos e Bofs, o Islã tem lutado por manter pura a sua fé. E é isso que faz a sua força. Não resta dúvida de que nisso nós, cristãos, só podemos tirar o chapéu para eles.

Mas esse é também um sinal de que o mundo está ansioso por ouvir de novo a grande Voz que se fez ouvir na Galileia, a voz que em nome do Eterno condenava o mundo, julgava o mundo e derrotava o mundo na glória da Cruz.

Voz que a Grande Avacalhação pós-conciliar tentou calar, mas em vão, pregando uma falsa reconciliação entre o mundo e Cristo.

Cumpre voltar a proclamar em Voz alta o que a verdadeira Igreja sempre proclamou: o ódio ao mundo e a tudo que nele há.

É o que este texto do genial padre Crasset, o rei da clareza Evangélica, exprime com todo o brilho da Fé do século XVII:

Sobre o ódio ao mundo

É preciso desprezar o mundo, é preciso odiar o mundo: é preciso evitar o mundo em todos os tempos; mas sobretudo neste, em que ele se declara inimigo de Jesus Cristo.

É preciso desprezar o mundo, porque é um  enganador que promete muito e não cumpre o que promete. Seus prazeres não são verdadeiros, não são sólidos, não são puros, não são duradouros; não podem contentar o espírito; não podem preencher o coração; escapam-nos quando pensamos em gozá-los. Quanto desgosto dão à alma! Quanta inquietação ao espírito! Quanta dor e remorsos à consciência! Tivestes repouso alguma vez quando a seu serviço? A que levam essas diversões e esses festins dos maus? Às cinzas da morte e a uma Quaresma eterna que terão de passar no inferno.

É preciso odiar o mundo, porque é o inimigo de Jesus Cristo, o escravo e o partidário do demônio, o tirano da virtude, senhor, pai e autor de todos os vícios. Quem ama o mundo, crê nas máximas do mundo; caso contrário, não o amaria. Não crê, portanto, no Evangelho, que lhe é contrário. É Cristão de nome e infiel de coração. Os demônios creem haver um Deus e essa crença os faz tremer; mas não creem em Deus, pois não fazem a Sua Vontade; é o que os torna miseráveis. O mundano crê haver um Deus, como o demônio: mas não crê nEle, pois não obedece aos seus Mandamentos; e é o que os torna piores do que o demônio; pois Satanás crê e treme, como diz São Tiago, mas o mundano crê haver um Deus e zomba dEle. Numa palavra, quem é amigo do mundo se declara inimigo de Deus. Que partido tomais? Quereis ser inimigo de Jesus ou de Satanás?

É preciso fugir do mundo, de espírito, de coração e de corpo, se possível. Sua companhia é perigosa; suas máximas são detestáveis; seus costumes são perniciosos; seus exemplos são escandalosos; suas assembleias são contagiosas; seus partidários são soberbos, avaros, sensuais, traidores, pérfidos e inimigos de Deus. O mundo foi julgado; o mundo foi condenado; o mundo foi maldito; o mundo foi excomungado. Cumpre, portanto, evitar a sua companhia e não podemos frequentá-lo. Mais vale ser odiado pelos maus que ser amado por eles. Se sois do mundo, diz Nosso Senhor, morrereis em vossos pecados.

(Pe. Jean Crasset, Considérations chrétiennes, t. I, p. 331-333). Translated by Yours Truly.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

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