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domingo, 30 de janeiro de 2011

A Grande Avacalhação pós-conciliar, o amor da pobreza e a opção preferencial pelos pobres


Durante a Grande Avacalhação pós-conciliar, apregoou-se como um "progresso" da Igreja a sua "opção preferencial pelos pobres". Essa fórmula, como todas as que foram ventiladas pelo Fantasma do Concílio, não passava de uma deturpação. A autêntica opção da Igreja não é pelos pobres, mas pela pobreza: eis o que as orelhas apóstatas da contemporaneidade não conseguem ouvir sem  enfurecer-se. O desprezo pelas coisas do mundo em nome da eternidade  é a verdadeira pobreza evangélica. A opção preferencial pelos pobres não passou de um desvio ideológico da mensagem cristã, quer no sentido das mornas e vomitivas águas da filantropia maçônica, quer no sentido das marés de sangue do comunismo marxista.

O cristão em sua vocação pela Cruz tem de passar também pela pobreza. O cristianismo não é um esforço para enriquecer em bens sensíveis a vida do homem, mas um chamado à espiritualidade eterna de Deus pelo despojamento desses bens.

Foi o que os povos das grandes épocas da Cristandade compreenderam tão bem: um gesto emblemático foi o destino dados pelos espanhóis ao primeiro ouro que lhes chegou de Potosí e foi usado para a decoração dos tetos das igrejas. A única função concebível da riqueza para o verdadeiro cristão é a Glória de Deus. Só mesmo a corrupção protestante pôde inventar o espírito capitalista de poupança e investimento que, se entregue a si mesmo, acabará levando rapidamente o mundo à catástrofe definitiva, que já está à vista.

Na Verdade, se há um objetivo econômico cristão, não é a erradicação da pobreza no mundo (plano cuja inanidade é explicitamente declarada pelo mesmo Lógos), mas sim a disseminação da Pobreza evangélica por todo o planeta.

Segue um texto magnífico do não menos magnífico padre Crasset sobre a pobreza tal como entendida no Cristianismo:

Sobre a pobreza


Para que a palavra de Deus frutifique em nossos corações, cumpre tirar-lhe os espinhos, que são a cupidez das riquezas, pelo amor da pobreza.
O pobre de espírito de nada se ocupa; o pobre de coração nada deseja. . Contenta-se com o necessário; não o incomoda que lhe falte às vezes o necessário. Pouca coisa falta ao pobre contente; tudo falta ao rico avaro. Pouco basta à necessidade; nada basta à cupidez.
Como é rico o homem que tem Deus! Como é pobre o que perdeu a Deus! Como é feliz o homem que não deseja senão a Deus! Como é miserável o homem que não se contenta com Deus!
O todo só se estabelece no nada. Deus não pode preencher um coração que não estiver vazio. Temos tudo quando nada desejamos, teremos tudo quando nada mais tivermos.
Dizes ser rico e não precisar de nada, e não vês, diz Nosso Senhor, que és cego, pobre e miserável. Quem diz um homem rico, diz quase sempre um homem que carece de tudo; de fé, de esperança, de caridade, de doçura, de paciência, de misericórdia, de paz, de repouso, de consolação e de humildade. Só os pobres de espírito podem dizer: Sou rico, não preciso de nada e não desejo nada, porque Deus me basta.
Meu Salvador, que rica herança é a pobreza! Que bem não fazeis aos que largam tudo por vosso amor! É o tesouro Evangélico que torna feliz o homem e o faz vender tudo o que tem para comprá-lo. Quem temerá perder-se, seguindo vossos passos? Pode-se nascer mais pobre do que nascestes? Pode-se viver mais pobre do que vivestes? Pode-se morre mais pobre do que morrestes?
Éreis rico e vos fizestes pobre: eu sou pobre e quero ficar rico. Tínheis tudo e quisestes carecer de tudo: eu nada tenho e não quero carecer de nada. Sou eu que estou enganado ou sois Vós o errado? Ah! Sou eu o herético, pois julgo felizes os que declarais miseráveis e julgo miseráveis os que declarais felizes.

(Considérations Chrétiennes, t. I)

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