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sábado, 29 de janeiro de 2011

A Excelência da Fé no Século XVII

Jean Crasset

Dizia o grande historiador católico e reacionário Philippe Ariès, a Era de Ouro do catolicismo na França não foi, como se supunha, a Idade Média, mas o século XVII. Foi ali que a pura doutrina de Cristo brilhou com maior clareza, com  a difusão das luzes emanadas dos cânones de Trento, e conseguiu penetrar mais fundo na alma popular. É isso que torna insubstituível a leitura dos grandes clássicos, muitos totalmente esquecidos, da espiritualidade da Âge d'Or, como o magnífico padre Crasset. Jesuíta e rival dos jansenistas, compartilhava com estes a profundidade e a seriedade na Fé, apanágio comum dos católicos do seu século, que os reúne a todos num mesmo ar de família.

Sobre a excelência da Fé

A Fé é luz divina que nos descobre a verdade; nos conduz à santidade; nos conserva na unidade; nos mantém na humildade; esteia nossas esperanças; anima a nossa caridade; nos dispõe à graça e nos faz merecer a glória.

Sem a Fé o espírito é profano e não tem religião; desnorteia-se nos conhecimentos; perde-se nos raciocínios; não se eleva acima dos sentidos e das luzes da natureza; não tem méritos para o Céu; não trabalha para a eternidade; não se submete ao seu princípio; não obedece ao seu Soberano; não gozará portanto jamais de sua presença e não verá claramente o que não quis crer humilde e cegamente.

Tens a Fé? Vives segundo suas regras e máximas? É humilde tua Fé? É firme? É geral? Ah! Então por que tens tantas dúvidas e tantas curiosidades? Por que não crês que Deus esteja presente a ti, se não O vês e não O sentes? Por que duvidas do Seu amor, quando Ele te envia aflições? Por que fazes distinções em tua crença? Por que nas tentações tremes e perdes a coragem, como se não houvesse Deus para ajudar-te?

Para obedecer á Lei de Deus, é preciso renunciar à sua própria vontade; e para obedecer à fé Cristã, é preciso renunciar às suas próprias luzes. Não é súdito de Deus o homem que só quer fazer o que lhe agrada; não é Seu discípulo o homem que quer crer só o que entende. Para ser súdito de Nosso Senhor, é preciso elevar-se acima das inclinações; e para ser Seu discípulo, é preciso elevar-se acima da própria razão.

Meu Deus! Creio o que não entendo, como amo o que não me agrada. Adoro-Vos pela submissão de meus pensamentos, como Vos amo pela submissão de meus desejos. Creio tudo o que revelastes, como quero fazer tudo o que ordenastes. Creio tudo sem reserva; creio tudo sem nenhuma dúvida; creio tudo sem curiosidade. Não quero outra razão nem outra caução para a minha crença senão a palavra de um Deus.

(Considérations Chrétiennes pour Tous les Jours de l'Année avec les Evangiles de Tous les Dimanches)

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