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sábado, 31 de dezembro de 2011

Hino "Lucis Creator optime"



A execução é do coral da Schola Gregoriana Monostorinensis da Romênia.

Feliz ano novo para todos!


Lucis Creator optime,
lucem dierum proferens,
primordiis lucis novae
mundi parans originem;

Qui mane iunctum vesperi
diem vocari praecipis:
tetrum chaos illabitur,
audi preces cum fletibus.

Ne mens gravata crimine,
vitae sit exsul munere,
dum nil perenne cogitat
seseque culpis illigat.

Caeleste pulset ostium,
vitale tollat praemium;
vitemus omne noxium,
purgemus omne pessimum.

Praesta, Pater piissime,
Patrique compar Unice,
cum Spiritu Paraclito
regnans per omne saeculum.
Amen.

Sobre a liberdade religiosa e o Magistério


Quanto à contradição apontada pelos lefebvristas entre, por um lado, a doutrina sobre a liberdade religiosa tal como é apresentada na Declaração Dignitatis Humanae do Concílio Vaticano II e por outro, o que o Magistério ensina nas encíclicas Mirari Vos de Gregório XVI e Quanta Cura de Pio IX, tenho uma dúvida, sem dúvida provocada por minha indubitável ignorância. É sabido que o Magistério é infalível em questões de fé e de moral. Será também infalível em questões de política, ou estas se definiriam como matéria contingente, aberta ao debate? Pois parece claro que a liberdade de que trata Dignitatis Humanae é "a liberdade de coação na sociedade civil" (Compêndio, 1535), o que não parece ser uma questão de moral, mas de política. Salvo erro, naturalmente.

De qualquer forma, o problema parece vir de mais longe e não se limitar à Dignitatis Humanae, pois o mesmo Pio XII, de saudosa memória,  em "Con sempre nuova freschezza", mensagem de Natal de 1942, cita a liberdade religiosa entre os direitos da pessoa humana, num dos cinco pontos fundamentais para a ordem e a pacificação da sociedade humana dilacerada pela guerra:

"[Quem quiser que a estrela da paz desponte e se detenha sobre a sociedade] apoie o respeito e a prática atuação dos seguintes direitos fundamentais da pessoa: o direito a manter e desenvolver a vida corporal, intelectual e moral e, em particular, o direito à formação e educação religiosa; o direito ao culto de Deus privado e público, inclusive a ação caritativa religiosa; o direito, em princípio, ao matrimônio etc."
[Enchiridion delle Encicliche 6, Pio XII, EDB, p. 1376, pár. 1704)

Além disso, vale lembrar que também no caso dos textos conciliares, como na leitura da Bíblia, não cabe o princípio da Sola Scriptura, ou seja uma relação direta entre a escrita e o leitor. Também aí a Igreja tem a exclusividade da interpretação de seus próprios textos. Não é porque o Concílio significou certa abertura em relação às seitas protestantes que devemos usar na hermenêutica do corpus conciliar de uma chave de leitura ortodoxamente protestante.

Quem já discutiu alguma vez com os evangélicos sabe que eles vêm sempre com uma listinha pronta de versículos bíblicos que à primeira vista contradizem o dogma católico, e é nestes casos que se faz necessário o recurso à interpretação da Igreja. Exatamente o que reivindica Bento XVI para os textos do CV2.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A excelência da Virgindade



Quando queremos estabelecer uma verdade que é do âmbito da fé, procedemos sempre por via de autoridade; se em seguida os raciocínios vêm reunir-se, por assim dizer, ao redor da verdade já estabelecida sobre um fundamento inabalável, tais raciocínios são uma homenagem prestada à autoridade divina pela pobre razão humana; são úteis a grande número de homens que precisam de uma demonstração qualquer para se dar conta do acordo perfeito da razão com a fé; este é um grande bem para sua fraqueza, é uma glória para a Igreja, sempre pronta para desafiar seus adversários a descobrirem a menor oposição entre as verdades por ela ensinadas e as puras luzes da razão, que o homem considera com justiça o mais belo apanágio de sua natureza.

Aplicando-se tal princípio à verdade já anunciada mais acima, ou seja, a EXCELÊNCIA DA VIRGINDADE, ele me leva naturalmente ao exame desta importante questão: Que pensa Deus da virgindade?

É evidente que se Deus aprecia a virgindade, ela é realmente estimável; se Deus a ama, ela é digna de meu amor; se Deus a coloca acima de qualquer outro estado, se a prefere ao casamento, sou obrigado também eu a colocá-la, em minha estima, acima do estado contrário, a preferi-la, não praticando-a, pois a virgindade é apenas um conselho evangélico, mas em meu juízo, na especulação, a preferi-la, digo, a tudo o que lhe seja oposto; enfim, a não conceber nenhuma dúvida sobre a sua excelência.

Pois bem! Para saber o que Deus acha da virgindade, devo perguntá-lo a Jesus Cristo.

Jesus Cristo é a sabedoria eterna que se revestiu de nossa natureza; é o filho de Deus, a luz do mundo, É A VERDADE (João XIV). A autoridade de Jesus Cristo é, portanto, a pedra fundamental sobre a qual cumpre erguer o edifício a construir em honra da virgindade.

Jesus Cristo, considerado em sua santa humanidade, era virgem? Ninguém ousará pôr em dúvida esta verdade. Seria preciso ser capaz de uma blasfêmia diante da qual o mesmo Satanás recuou, para ousar questionar a pureza infinita da pessoa adorável do Filho de Deus feito homem; a eminente santidade de Deus exclui radicalmente a ideia de um estado oposto à santa virgindade. Ora, Jesus Cristo era DEUS! Por isso lá se vão já dezoito séculos que se erguem para proclamar a virgindade do Salvador dos homens; e de todas as bocas sai este grito de admiração cheio de fé e de amor: Jesus é o rei dos virgens! Jesus é o amador da virgindade! Jesus é a pureza dos virgens!

Mas não bastava que Jesus Cristo fosse virgem para nos mostrar o seu amor, a sua predileção pela virgindade. Teriam podido dizer que como a natureza divina se opõe no Homem-Deus ao estado e à condição do matrimônio, a virgindade do Salvador nada provava para nós mesmos e para a nossa conduta; Jesus Cristo devia explicar-se de outra maneira para revelar aos homens a sua estima pela virgindade, o que Ele fez.

No momento de se fazer homem, o Filho de Deus escolheu uma mãe; este é o primeiro e mais magnífico triunfo da virgindade. Quem será a Mãe do Salvador, a Mãe de Deus? Uma VIRGEM. Mas como? Não foi Deus que disse no começo do mundo, dirigindo-se a um homem e a uma mulher: crescei e multiplicai-vos? E, com essas palavras, não estabeleceu o casamento como o único meio de propagar a espécie humana? Será que alguém, desde o Paraíso terrestre, foi louco o bastante para pedir ao céu um filho, um rebento de Adão, recusando-se a se valer do único meio, necessário, desejado por Deus, o casamento?

Pois bem! O Filho de Deus vai tornar-se o Filho do homem, filho de Adão, homem verdadeiro no tempo, como é Deus verdadeiro desde toda eternidade. Será concebido, carregado durante nove meses no seio de uma mulher, nascerá, mamará o leite destinado às crianças, será em tudo semelhante a nós, exceto o pecado, exclama o grande Apóstolo (Hebr. IV).

Ora , o que prova essa inversão de todas as leis, essa reviravolta de todas as ideias do homem animal que não seria capaz de escrutar  as profundezas de Deus, esse prodígio dos prodígios, esse milagre dos milagres? Podemos ver nele outra coisa do que a estima da virgindade, o amor da virgindade, a glorificação da virgindade, digo até, a deificação da virgindade?

Virgens, elevai vosso espírito, elevai vosso coração e começai a compreender o que sois no pensamento de Deus!

Compreendera tão bem Santo Ambrósio as relações íntimas de Deus com a virgindade, que exclama num sentimento de profunda admiração: Não, uma virgem que dá à luz, só pode dar à luz um Deus; um Deus que nasce, só pode nascer de uma virgem!

Será isso o bastante para nos fazer compreender a excelência da virgindade? Mas Jesus Cristo continua a nos provar por seus atos a estima que tem pela virgindade e o amor que devora o seu coração por essa sublime prerrogativa.

O Filho de Deus que vem visitar a terra precisa de um precursor, um profeta que o designe ao povo como o Messias, que o nomeie solenemente: o Cordeiro de Deus que veio para tirar o pecado do mundo. Pois bem! De que boca deve escapar essa palavra admirável? Quem será digno de revelar o grande mistério? Nós o sabemos: é escolhido um homem virgem, o santo Precursor é virgem, a imitação dAquele que anuncia; os lábios de João Batista participam da pureza dos de Jesus; João Batista, o primeiro apóstolo da lei evangélica, parece uma fronte que irradia pureza; João Batsita é virgem, foi Jesus que o quis!

No fim da vida, o divino Salvador escolheu entre os discípulos um homem que deve ser objeto de um favor todo especial. Tal favor não é um grande poder, uma autoridade, uma dignidade que o eleve acima dos irmãos, é algo mais extraordinário, algo mais precioso, é a AMIZADE do Mestre, um amor especialíssimo que fez o Espírito Santo dizer: O DISCÍPULO QUE JESUS AMAVA (Jo XXI), o que significa o amigo do coração de Jesus, aquele pelo qual Jesus sentia um afeto particular, um amor mais terno, um amor de predileção, de preferência.

Esse discípulo recebe na última Ceia, um favor que só a ele é concedido; descansa a cabeça no peito de Jesus. Que dizer da excelência de tal privilégio? Quem pode sondar o coração de Jesus, para nos dizer a força de seu amor por João, o Discípulo bem-amado?

Mas se somos incapazes de bem apreciar o amor de Jesus por João, podemos dizer a causa dessa preferência, desses favores que Jesus Cristo quis conceder a um só entre tantos discípulos fiéis. Conhecemos essa causa. Os mais ilustres doutores da Igreja, São Jerônimo e Santo Agostinho, afirmam que a razão pela qual São João foi o discípulo bem-amado é que ele era virgem. Diz a Igreja o mesmo no ofício desse apóstolo e canta estas belas palavras: Jesus amava João porque a prerrogativa da pureza o tornara digno de ser amado mais ternamente que os outros; pois tendo sido chamado ao apostolado quando ainda era virgem. permaneceu virgem a vida inteira.

Foi muito inspirado aquele que aplicou a João, ao discípulo do amor, estas palavras ditadas pelo Santo Espírito: "Quem ama a pureza do coração terá o Rei por amigo." (Prov.)

Pois bem! Que pensava Jesus Cristo da virgindade? Que pensa sobre ela Deus? É possível ter a mínima dúvida acerca da excelência dessa virtude, depois de um juízo divino tão formal, tão eloquente, tão solene?

Posso concluir de tudo o que acaba de ser dito que São João Crisóstomo não exagerava nem um pouco quando exclamava que a virgindade supera o matrimônio pela excelência tanto quanto o céu está acima da terra!

Feliz a alma fiel que compreende estas coisas! Ai daquela que, por não ter forças para se elevar à altura sublime de uma virgindade perpétua, se recusa a se humilhar e a reconhecer que seu estado é menos perfeito que o das virgens.

Virgens, considerai Jesus Cristo, considerai sua divina Mãe, olhai para o santo Precursor, para José o esposo virgem da Rainha das virgens; contemplai João que repousa sobre o peito de Jesus e dizei então se vosso estado não é digno de inveja. Eis a sociedade a que pertenceis; eis o vosso lugar.

(Abbé Coulin, La Virginité, Paris, Casterman, 1863, pp. 3-9).

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Mundo às avessas

Santa Catarina de Sena

O problema não é provar que Deus existe. Muito mais difícil é provar que o mundo exista.
Como dizia o Verbo a uma grande santa:
- Eu sou o que sou, tu és o que não é.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ciência e Fé


A ciência é uma câmara de tortura, onde os cientistas extraem pela violência as confissões da natureza. Eles a forçam a falar com seus métodos e equipamentos.
Quando se voltam, porém, para Deus, seus esforços são vãos. Deus não se deixa capturar pelas astúcias da técnica, nem mesmo permite que os cientistas o vejam.
Se Cristo se deixou flagelar e crucificar, foi por nossa salvação pela Fé, não para nossa vã e orgulhosa curiosidade.

sábado, 24 de dezembro de 2011

São Bernardo de Claraval e o Natal


Acabamos de ouvir uma notícia cheia de graça e digna de ser aceita com júbilo: Jesus Cristo, Filho de Deus, nasceu em Belém da Judeia. Funde-se a minha alma a estas palavras; meu espírito ferve em mim, louco que estou de vos anunciar tal felicidade. Jesus quer dizer Salvador. Que há de mais necessário que um Salvador para os que estavam perdidos, de mais desejável aos desgraçados, de mais vantajoso aos que o desespero afligia? Onde estava a salvação, onde estava até a esperança de salvação, por mais tênue que fosse, sob essa lei de pecado, nesse corpo de morte, em meio a essa perversidade, nesse lugar de aflição, se tal salvação não não tivesse nascido de repente e contra toda esperança? Homem, desejas é verdade, tua cura; mas tendo consciência de sua fraqueza e fragilidade, temes o rigor do tratamento. Não temas; Cristo é suave e manso; é imensa a sua misericórdia; como Cristo, recebeu para Si o óleo, mas para passá-lo em tuas feridas. E se te digo que Ele é manso, não vá pensar que teu Salvador careça de poder; pois Ele é também o Filho de Deus. Estremeçamos, portanto, ruminando em nós mesmos e proclamando fora de nós esta doce sentença, esta suave palavra: Jesus Cristo, Filho de Deus, nasceu em Belém da Judeia.

São Gregório de Nazianzo, Teólogo, sobre o Natal



Nasce Cristo; glorificai-O. Cristo desce dos céus; ide ao Seu encontro. Cristo está sobre a terra; homens, elevai-vos. Cante toda a terra ao Senhor! E para reunir tudo numa só palavra: Rejubilem os céus e estremeça a terra, por Aquele que é ao mesmo tempo do céu e da terra. Cristo reveste-se de nossa carne; comovei-vos de temor e alegria; temor, por causa do pecado; alegria, por causa da esperança. Cristo nasce de uma Virgem: mulheres, honrai a virgindade, para se tornarem mães de Cristo.

Quem não adoraria Aquele que era desde o começo? Quem não louvaria e celebraria Aquele que acaba de nascer? Eis que as trevas se dissipam; cria-se a luz; o Egito permanece sob as sombras, e Israel é iluminado pela coluna de luz. O povo, que estava sentando nas trevas da ignorância, vê o brilho de uma ciência profunda. Acabaram as coisas antigas; tudo é novo. Foge a letra, triunfa o espírito; passaram-se as sombras, entra a verdade. A natureza vê suas leis serem violadas: chegou a hora de povoar o mundo celeste: Cristo manda; não resistamos.

Batam palmas todas as nações: pois uma criancinha nasceu, um Filho nos foi dado. A marca do seu principado é sobre o ombro: pois a Cruz será o meio de Sua elevação; seu nome é o Anjo do grande conselho, ou seja, do conselho paternal.

Exclame João: Preparai os caminhos do Senhor! Eu, por meu lado, quero fazer ecoar também o poder de tão grande dia: Aquele que é sem carne se encarna; o Verbo assume um corpo; o Invisível mostra-se aos olhos, o Impalpável deixa-se tocar; Aquele que não conhece o tempo tem um começo: o Filho de Deus se faz filho do homem. Jesus Cristo era ontem, é hoje, será para sempre. Ofenda-se o judeu; caçoe o grego; agite-se a língua do herético na boca impura. Crerão quando virem o Filho de Deus subir aos céus; e se mesmo então se recusarem, crerão quando Ele descer e aparecer como Juiz em seu tribunal.

Pavoroso equívoco


Não deve adaptar-se a Igreja aos tempos, mas adaptarem-se os tempos à Igreja.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Tauler e a ascese do espírito

Johannes Tauler
(1300-1361)

Pois a alma é criada entre o tempo e a eternidade. Por sua parte superior, ela pertence à eternidade; por sua parte inferior, pelas potências sensíveis e animais, pertence ao tempo. Ora, a alma, tanto pelas potências superiores como pelas inferiores, esparrama-se pelo tempo e pelas coisas temporais em razão da relação que as potências mais altas têm com as mais baixas; assim, ela não precisa ir muito longe; ela se dispõe a se dispersar nas coisas sensíveis e não dá mais a sua parte à eternidade.
Na verdade, é absolutamente necessário que haja o retorno para que ocorra esse nascimento [como filho de Deus na alma]; é preciso um enérgico retorno a si mesmo, um recolhimento, uma concentração interior de todas as potências, as mais altas e as mais baixas; é preciso reunir tudo o que estava disperso, pois são as coisas unidas as mais fortes. Quando o arqueiro quer acertar o alvo, fecha um olho para que o outro mire com maior exatidão; quem quer conhecer a fundo uma coisa, nela concentra todos os pensamentos e força suas potências a retornar à alma de onde se espalharam para fora, como os galhos saem do tronco da árvore. Quando todas as potências sensíveis, afetivas e ativas se reúnem nas potências superiores, no fundo, é a entrada em si mesmo.
Para que aconteça a saída, e até mesmo a ultrapassagem para fora e por sobre nós mesmos, temos de aniquilar todo querer, todo desejo, todo agir próprios; temos de só deixar subsistir uma pura e simples atenção a Deus, sem procurar de modo nenhum tornarmo-nos ou adquirirmos algo para nós mesmos; só ser e Lhe dar lugar, da maneira mais alta e mais íntima, para que possa executar sua obra e seu nascimento em ti sem que O impeças. Pois quando dois devem tornar-se um, é preciso que um seja passivo e o outro ativo: para que os meus olhos percebam as imagens na parede ou em algum outro objeto, têm de se despojar de toda imagem; pois se tiverem alguma imagem com certo colorido, não verão mais nenhuma cor. Ou ainda: se a orelha está cheia de som, não ouve nenhum outro som. Para podermos receber, temos de estar disponíveis, livres e despojados. É o que diz Santo Agostinho "Esvazia-te para que possas preencher-te; sai para que possas entrar".
(Johannes Tauler in Jeanne Ancelet-Hustache, Maître Eckhart et la mystique rhénane, Paris, Seuil, pp 149-150)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Eucaristia, a substância e o sensível



Deus já está substancialmente presente entre nós, pela Eucaristia. O que dEle nos separa é só uma película, o acidente sensível.
Não é de estranhar, portanto, que toda vida espiritual cristã esteja voltada contra a sensibilidade.

São Jerônimo a Santo Agostinho sobre a bem-aventurança eterna

São Jerônimo de José de Ribera

Determinado tinha Santo Agostinho consultar a seu amigo São Jerônimo sobre o que sentia da glória dos Bem-aventurados. Foi este no mesmo tempo chamado ao felicíssimo número destes; e, por dispensação divina, veio a dar-lhe a resposta desejada da consulta ainda não feita; e o que disse, melhor será ouvi-lo ao mesmo Santo Agostinho.
Estava eu (diz o Santo) sossegado no retiro da minha celinha, revolvendo no pensamento quanta seria a glória e alegria das almas bem-aventuradas, porque desejava compor sobre esta matéria um breve tratado. Pegando, pois, do papel e pena para escrever a Jerônimo santíssimo uma carta, em que lhe pedisse me dissesse neste particular o que sentia, subitamente entrou no aposento um resplendor ou claridade inefável, nunca vista cá no século e que excede a explicação das nossas línguas; e juntamente uma fragrância, que semelhança sua nunca experimentou o sentido. E logo do meio daquela luz saiu uma voz, que dizia: Agostinho, Agostinho, que fazes? Intentas, porventura, encerrar em breve vaso as profundezas do mar todo? Cuidas, porventura, que poderás entender o que nem subir pode ao coração humano? De coisa que é infinita, qual será o fim; e da que é imensa, qual será a medida? Sabe que mais facilmente fecharás no punho a redondeza da terra e farás que os celestes orbes cessem de seu perpétuo movimento do que da glória dos Bem-aventurados possas dizer ou entender a mínima parte, até que não sejas, como eu, ensinado pela experiência.  Neste ponto desapareceu a visão, na qual todos (ainda os que logramos só por este reflexo) temos juntamente a consolação e o desengano de que é tão grande o bem da glória que esperamos que ninguém pode entendê-lo senão quando chegar a possuí-lo: Nemo scit, nisi qui accipit.

(Padre Manuel Bernardes, Nova Floresta, II, 79)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Lutero e a proibição das imagens


A história do protestantismo é a história de um trambolhão que desaba em queda livre da pura luz da Fé católica até o esgoto a céu aberto da teologia da prosperidade neopentecostal.
Podemos avaliar a distância percorrida ainda em vida de Lutero, numa discussão que travou com os anabatistas analfabetos e iconoclastas. Estes, retomando sem saber velhas heresias judaizantes do século VII, invocavam uma leitura simplória de Êxodo 20 para acusar a Igreja de idolatria, até hoje o cavalo de batalha principal na descristianização das massas.

Eis o texto tal como reportado na História de Lutero de Audin:

A discussão era viva e animada: o sapateiro gritava e gesticulava como um autêntico possuído, citando todos os farrapos da palavra santa que lhes vinham à cabeça:
- Você é cristão? diz ele a Lutero em tom furioso; já que rejeita Moisés, há pelo menos de aceitar o Evangelho que você mesmo traduziu.
- Vamos lá, o que ensina o Evangelho?
- Jesus diz no Evangelho, não sei bem o lugar, mas meus irmãos sabem por mim: Que a mulher casada deve despir-se e tirar até a camisa quando quer dormir com o esposo.
Lutero que estava de pé, sentou-se ao ouvir a estranha citação e tapou o rosto para esconder a louca hilaridade:
- Espere aí, diz ele depois de uma longa gargalhada, é verdade, isso significa mesmo que devemos abolir as imagens: é admirável mesmo!
- Sim, é claro, diz outro assistente, que Deus quer que a alma se dispa de toda ideia terrestre. Quando colocamos nosso deleite numa criatura terrestre, nosso coração se enche de sua imagem. Com mais forte razão, nossa alma é conspurcada quando se detém em imagens proibidas.
Trouxeram os livros de Moisés traduzidos em alemão por Lutero e alguém leu os capítulos 20 do Êxodo e 4 do Deuteronômio, e concluiu, desses dois textos, que as imagens e todas as outras figuras eram proibidas por Deus e que um cristão não poderia fazê-las ou guardá-las.
- Mas leiam o que está escrito, repetia o doutor; trata-se de ídolos que são adorados.
- Não há ídolo nenhum no texto, diz um dos ouvintes. "Não fareis nem guardareis nenhuma imagem".
- Mas o texto do Deuteronômio é claro e preciso, insistia o sapateiro. "Cuidai de vossas almas; o dia em que o Senhor vos falou, não vistes nenhuma semelhança, para que não vos corrompêsseis e não fizésseis nenhuma imagem talhada ou representação sob a forma de macho ou fêmea". Não está claro?
- Prossiga na leitura, por favor.
- "Para que não eleveis os olhos para o céu e, vendo o sol e a lua, não adoreis, por um erro grosseiro, os astros do céu."
- Pois bem, prosseguiu Lutero, por que não excluís da criação o sol e a lua?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cruz para a eternidade


A cruz é o dardo que rompe e arromba as portas da eternidade.

A Grande Avacalhação e a doutrina católica


Os doutores da Grande Avacalhação pós-conciliar amarraram a doutrina católica e a arrastaram a uma lúgubre sala de cirurgia, onde executaram sobre ela os mais cruéis experimentos: extraíam-lhe um órgão e anotavam as reações. Ora a fé na ressurreição, ora a imortalidade da alma, ora os novíssimos, ora o valor da castidade lhe foram amputados.
Não é de estranhar que o paciente passasse mal.
Aliás, já estaria morto se uma migalha da hóstia consagrada não pudesse infinitamente mais do que todos os batalhões de teólogos modernistas somados.

São Bernardo acerca da solidão



Além disso, só nos prescrevem a solidão de espírito e de alma. Estamos sós quando nosso pensamento não está voltado para as preocupações comuns, quando nos separamos do presente e desdenhamos o que busca a multidão.
Também sós quando não temos nenhum gosto pelo que se costuma desejar, quando evitamos as discussões, permanecemos insensíveis aos prejuízos sofridos e nos esquecemos das injúrias.
Senão, mesmo na solidão do corpo não estaremos sós.
Entendam bem que podemos estar sós em meio à multidão e misturados à gente na solidão.
Somos solitários, seja qual for a aglomeração ao nosso redor, desde que evitemos examinar com demasiada curiosidade a conduta do outro ou julgá-la temerariamente.
(São Bernardo de Claraval)

domingo, 18 de dezembro de 2011

A Cruz, o tempo e a eternidade

Georges Borges

A morte é a contradição entre o tempo e a eternidade. A mesma contradição é elevada ao infinito na Cruz, e com isso superada.
(Georges Borges)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Max Jacob e o pecado de Judas


Do escritor surrealista francês, homossexual de origem judaica, convertido ao catolicismo:
"Você se julga menos culpado do que Judas, você, que recebeu a Hóstia de manhã e não se prepara para recebê-La de novo amanhã? Nossa! Este é o crime de Judas: receber seu Senhor e ir tratar de seus próprios negócios, traindo-O."
(Max Jacob, Méditations religieuses, Paris, Gallimard, 1947, p. 51)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Natal, Herodes e Ben 10



Em comemoração ao nascimento de Cristo, a máfia que domina nosso pobre planetinha bolou um novo esquema de recepção para as criancinhas que chegam ao mundo. Ainda mal sabem falar e já entopem suas mentes indefesas com todo tipo de porcaria: é Ben 10, Princesas, Moranguinho, Barbie, Homem Aranha e por aí vai... Uma recepção digna de Herodes!
É assim que desde a mais tenra idade nossos brasileirinhos já se acostumam a ser imbecilizados, manipulados e explorados pela elite iluminada que nos guia no caminho da luz.
Bem-vindas ao planeta laico, crianças!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Encontros de Assis



Uma feijoada, uma canja de galinha, um uísque, um copo de veneno de cobra e um churrasquinho de gato.
Bater no liquidificador. Servir frio.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A caixa preta de Darwin, cada vez mais preta


A coisa está cada vez mais preta para a polícia neodarwinista que monopoliza pela força os estudos de biologia nas universidades do mundo inteiro e em especial dos EUA.

Pesquisas recentes têm mostrado que os processos básicos da vida tidos até agora como "simples" e "diretos" são na verdade muito mais complexo do que se supunha. Uma delas mostra que o DNA é capaz de reconhecer o spin das partículas atômicas; outra, que o processo de fotossíntese também supõe estranhos efeitos quânticos jamais sonhados nos tempos de Darwin.

Leia os comentários no site Uncommon Descent, aliás, parada obrigatória para todos os que pretendem pensar com inteligência os grandes debates metafísicos que subjazem à ciência de hoje.

A caixa preta de Darwin está cada vez mais preta!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tempo e eternidade, again


Importante: não há relação temporal entre o tempo e a eternidade: porque Deus é o senhor do tempo.

O Infante Dom Henrique e a teologia do Símbolo dos Apóstolos


Não percam a bela edição de Horologium Fidei - Diálogo com o Infante Dom Henrique, de Mestre André do Prado, lançada alguns anos atrás pela Casa da Moeda de Portugal. Trata-se de uma exposição do Símbolo dos Apóstolos em forma de diálogo entre o teólogo franciscano e o príncipe navegador. O texto é bilingue, latim/português.

Nele vemos a verdadeira face do Infante, e o lugar essencial que a pura doutrina católica ocupava em seu universo intelectual.

Muito útil em épocas em que a figura do grande príncipe se vê desvirtuada pela infame propaganda que quer transformá-lo numa espécie de protomaçom templário, burro e esotérico.


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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Escrever, verbo intransitivo


Tentaram fazer do verbo escrever um verbo intransitivo. Conseguiram. Tiveram menos sucesso em evitar que o resultado fosse  parar automaticamente na lata de lixo.

Kant e a manipulação das massas


Que a escolástica laica inaugurada por Kant abriu todas as porteiras para a manipulação ("construção") da realidade via mass media é inegável. Era o que o grande Dom Besse já via  em 1913:

"Le subjectivisme kantien a achevé d'émasculer la raison pour livrer enfin l'homme par ses sentiments et ses instincts à tous les entrepreneurs de suggestion."
(Dom Besse, les Religions laiques, Paris, Nouvelle Librairie Nationale, 1913, pp 92-3).

Proféticas palavras.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Vitral da Virgem no Mosteiro de São Bento em São Paulo

Foto www.mosteiro.org.br

Deixando de lado o profundo efeito devocional para só falar do valor estético, o vitral da Virgem no Mosteiro de São Bento é, com sobras, a mais bela obra de arte existente em São Paulo. Masp compris.
Pena que não tenha conseguido ainda achar uma foto decente dele.

domingo, 13 de novembro de 2011

Eutanásia e consciência

Maurice Barrès

Não deixa de ser curioso - e revelador - que numa época que tem em tão pouca conta a consciência ("La conscience, cette petite chose à la surface de moi", como dizia Barrès), os defensores da eutanásia deem a ela um valor absoluto, a ponto de transformar sua ausência em sentença de morte.

Tomismo e barbárie


Dizia o grande Gustavo Corção que é nas classes de filosofia que se travam as batalhas decisivas. O problema é que essas batalhas nem sempre são travadas  com lealdade. Nos últimos séculos, vemos o "proletariado externo" (Toynbee) do agnosticismo e do materialismo tomar de assalto as cidadelas  infinitamente sutis e luminosas da pura doutrina de Santo Tomás. O ponto culminante nessa invasão bárbara ocorreu na Grande Avacalhação pós-conciliar, com  o abandono do tomismo pelas mais altas instâncias da Igreja mesma de Jesus Cristo.

Dado o desastre, que fazer?

Suponhamos que invasão semelhante ocorresse nas ciências naturais, e barbárie igual à que hoje impera na filosofia tomasse conta dos departamentos de Física das universidades. Que os conhecimentos matemáticos voltassem a ser equivalentes aos dos bororos e o mais douto professor não conseguisse contar além do número dez. Que fazer em tal situação para restaurar os estudos físicos a seu antigo brilho? De nada adiantaria falar de equações do movimento de Heisenberg ou da teoria da relatividade ou de supercordas para alunos que não compreendem direito o "vai um".

Mutatis mutandis, é o que vem acontecendo com o tomismo. Doutrina altamente sofisticada, dá-se ao luxo de  pressupor um conhecimento aprofundado de Aristóteles, filósofo que por si só exige muitos anos de labuta intelectual para começar a ser compreendido.

Começar a ensinar Santo Tomás a leitores entusiastas de Richard Dawkins ou Peter Singer é o mesmo que tentar lecionar física quântica numa classe de alfabetização de adultos.

O que se faz necessário hoje é um trabalho muito mais básico, de recuperação das verdades mais fundamentais da Fé católica. Só a partir daí, depois de longo trabalho, será possível falar com algum proveito do ensino do tomismo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Química, arte e Fé


Mostro a Virgem dos Rochedos do Louvre e digo:

- Aí está a Virgem radiosa, que traz a Luz às trevas da caverna platônica onde vivemos.

Meu convidado instala uma sofisticada aparelhagem científica diante do quadro e depois de alguns instantes:

- Impossível. Minhas análises demonstram a presença de substância químicas incompatíveis com a vida humana na sua suposta "Virgem".

É mais ou menos isso que faz toda crítica "científica" da Bíblia. Com a diferença de que nas Escrituras Deus se serve de duas tintas: a que os evangelistas usam para escrever e a que Ele-Mesmo usou no momento do fiat.

- Ah, então é tudo ficção!

- Se você pensa que toda relação de significação seja ficcional, sinta-se à vontade para tirar a conclusão que quiser.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Finados: Sermão do Mestre Eckhart sobre a morte e o ser



Para o dia de Finados, aqui vai a tradução de um belíssimo sermão do Mestre Eckhart, esse catolicíssimo dominicano, discípulo de Santo Tomás, tantas vezes mal compreendido.

Sermão In occisione gladii mortui sunt


Lemos a respeito dos mártires: "São mortos sob a espada." Nosso Senhor diz a seus discípulos; "Bem-aventurados sois por sofrerdes algo por meu nome."


É dito: "Eles são mortos." Eles são mortos significa em primeiro lugar que o que sofremos neste mundo e neste corpo tem um fim. Diz Santo Agostinho: toda aflição, toda obra sofrida tem um fim, mas é eterna a recompensa que Deus dá em troca. A segunda coisa a considerar é que toda vida é mortal, que não devemos temer nenhuma aflição e nenhum sofrimento que nos cabe, porque eles terão fim. Em terceiro lugar, devemos comportar-nos como se já estivéssemos mortos, de modo que nem prazer, nem repulsa nos toquem. Diz um mestre: Nada pode tocar o céu, isto é: é um ser celeste o ser humano para o qual todas as coisas não têm importância bastante para tocá-lo. Diz um mestre: Já que todas as criaturas são tão indigentes, por que elas afastam tão facilmente de Deus o ser humano? A alma, no que tem de mais indigente, tem porém mais valor que o céu e todas as criaturas. Responde ele: Isso acontece porque o homem presta pouca atenção em Deus. Se o homem prestasse atenção em Deus como deveria, seria quase impossível cair. Que o homem deve comportar-se neste mundo como se estivesse morto, eis aí um bom ensinamento. Diz São Gregório que ninguém pode possuir muito de Deus se não estiver completamente morto para este mundo.


O quarto ensinamento é o melhor de todos. É dito: "Eles são mortos." A morte dá-lhes um ser. Diz um mestre: A natureza nada destrói sem dar algo melhor. Quando o ar vira fogo, é algo de melhor, mas quando vira água, é uma destruição e uma perda. Se a natureza age assim, Deus faz bem mais: jamais destrói sem dar algo melhor. Os mártires são mortos, perderam uma vida e receberam um ser. Diz um mestre que o ser, a vida e o conhecimento são o que há de mais nobre. O conhecimento é mais elevado do que a vida ou o ser, pois, em razão de conhecer, tem vida e ser. Por outro lado, porém, a vida é mais nobre que o ser ou o conhecimento, pois se a árvore vive, a pedra tem um ser. Ora, se considerarmos o ser mais puro e nobre tal como é em si mesmo, o ser é mais elevado que o conhecimento ou  a vida, pois por ter o ser, tem conhecimento e vida. Eles perderam a vida e encontraram um ser. Diz um mestre que nada é tão semelhante a Deus como o ser; quanto mais ser tem uma coisa, mais é semelhante a Deus. Diz um mestre: "ser" é tão puro e tão alto que tudo o que é Deus é ser. Deus nada conhece senão o ser, nada sabe senão o ser, ser é sua órbita. Deus nada ama senão seu ser, nada pensa senão seu ser. Digo: todas as criaturas são um só ser. Diz um mestre que certas criaturas são tão próximas de Deus e têm tanta luz divina impressa nelas que dão o ser a outras criaturas. Não é verdade, pois o ser é tão alto e tão puro e tão aparentado a Deus que ninguém pode conferir o ser senão Deus em si mesmo. A natureza própria de Deus é "ser". Diz um mestre: uma criatura pode muito bem dar vida à outra. É por isso que tudo o que é é fundado unicamente no ser. Ser é um nome primeiro (Ego sum qui sum). Tudo o que é deficiente é perda do ser. Toda a nossa vida devia ser um ser. Na medida em que a nossa vida é um ser, nessa mesma medida ela é em Deus. Na medida em que a nossa vida está inserida no ser, nessa mesma medida ela é aparentada a Deus. Por mais débil que seja a vida, para aquele que a considera enquanto ela é "ser", ela é mais nobre do que tudo o que ganhou a vida. Tenho certeza: se uma alma conhecesse a mínima coisa que tem o ser, ela jamais se afastaria dela nem por um instante. A mínima coisa que conhecemos em Deus, mesmo que seja conhecer uma florzinha enquanto tem um ser em Deus, seria mais nobre que o mundo inteiro. A mínima coisa que é em Deus, enquanto ela tem um ser, vale mais do que se conhecêssemos um anjo.


Se o anjo se voltasse para o conhecimento das criaturas, seria a noite. Diz Santo Agostinho: Quando os anjos conhecem as criaturas sem Deus, é uma luz vespertina, mas quando as conhecem em Deus, é uma luz matinal. Quando conhecem Deus tal como é, puro ser em si mesmo, é o luminoso meio-dia. Digo: o homem deveria compreender e reconhecer que o ser é tão nobre. Nenhuma criatura é tão mínima que não aspire ao ser. As taturanas, quando caem da árvore, arrastam-se muro acima para manter seu ser. Tão nobre é o ser. Exaltamos a morte em Deus para que Ele nos transfira para um ser melhor que a vida: um ser em que vive a nossa vida, em que nossa vida se torna ser. O homem deve aceitar de bom grado a morte e morrer, para que um melhor ser seja o seu quinhão.


Digo às vezes que a madeira é mais nobre que o ouro: é muito estranho. A pedra, enquanto tem ser, é mais nobre que Deus e Sua Deidade sem ser, se pudéssemos Lhe retirar o ser. Deve ser muito poderosa a vida em que as coisas mortas se tornam vivas e em que a morte mesma se torna uma vida. Para Deus, nada morre; todas as coisas nEle vivem. "Eles são mortos", diz a Escritura a respeito dos mártires, e são transferidos para uma vida eterna, para essa vida em que a vida é um ser. É preciso estar completamente morto para que nem a alegria, nem a dor nos toquem. O que se deve conhecer, deve ser conhecido em sua causa. Não conhecer uma coisa em sua causa manifesta não pode nunca ser conhecimento. Assim também a vida não pode nunca realizar-se a menos que seja trazida à sua causa manifesta, ali onde a vida é um ser que acolhe a alma quando ela morre até em seu fundo, para que vivamos nessa vida em que a vida é um ser. O que nos impede de lá permanecermos constantemente, um mestre o prova dizendo: a razão é que tocamos o tempo. O que toca o tempo é mortal. Diz um mestre: o movimento do céu é eterno; sem dúvida, é verdade que o tempo é dele emanado, mas isso acontece numa queda. Em seu movimento, ele é eterno, ignora o tempo e indica que a alma deve ser transferida para um ser puro. O segundo obstáculo é a a oposição que a coisa traz em si. Que é oposição? Alegria e dor, branco e preto estão em posição e ela não permanece no ser.


Diz um mestre: a alma é dada ao corpo para ser purificada. A alma, quando separada do corpo, não tem nem intelecto, nem vontade, está só, não poderia dispor da força necessária para se voltar para Deus; ela possui, é claro, essas potências em seu fundo que é a raiz delas, mas não na operação. A alma é purificada no corpo, para que ela reúna o que está disperso e foi levado para fora. Quando  volta para a alma o que os cinco sentidos levam para fora, ela tem uma potência em que tudo se torna um. Por outro lado, a alma é purificada no exercício das virtudes, ou seja, quando a alma se eleva para uma vida unificada. A pureza da alma reside em ser purificada de uma vida dividida e em entrar numa vida unificada. Tudo o que é dividido nas coisas baixas é unificado quando a alma se eleva a uma vida em que não há oposições. Quando a alma chega à luz do intelecto, nada sabe da oposição. O que escapa a essa luz cai na mortalidade e morre. Em terceiro lugar, a pureza da alma reside em não ter queda para nada. O que tem uma queda para qualquer outra coisa morre e não pode subsistir.


Rogamos a Deus, nosso querido Senhor. que Ele nos ajude a passar de uma vida dividida a uma vida unificada. Que Deus nos ajude. Amém.

(® da Tradução de Yours Truly. Só pode ser copiado com a referência expressa desta URL original).

Liberalismo, idolatria


O mercado é o sujeito de uma classificação quantitativa dos bens e serviços da coletividade. A adoração a ele, o liberalismo, pretende transformá-lo num princípio cósmico. Que o carpinteiro da Galileia, dois mil anos atrás, tenha em duas palavras posto essa aberração metafísica em seu devido lugar é mais um sinal da Sua infinita sabedoria.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vaticano II e Realpolitik


Pensando em termos estritamente realistas, quem tem alguma noção do equilíbrio das potências no pós-guerra há de convir que, sem o Concílio Vaticano II ou algo parecido, a Igreja Católica já teria deixado de existir.
Por outro lado, vale lembrar que considerações muito parecidas foram tecidas por Pedro no caminho para Jerusalém.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cristo e o batismo de crianças


A América Latina vem sofrendo um massacre espiritual sem precedentes, com a campanha de descristianização lançada pela máfia que manda no planeta financiando associações ditas "evangélicas" para enfraquecerem a Igreja por meio do carpet bombing mediático das massas. Entre as grandes armas desse massacre está a recusa en masse do batismo de crianças. Multidões de crianças das classe populares estão deixando de ser batizadas. É bem bolado. Satã não poderia achar método mais eficiente para superlotar o inferno, pois está claro na Bíblia que o batismo é condição para a salvação eterna.

Entre os argumentos usados em defesa dessa doutrina claramente demoníaca, os "evangélicos" citam o seguinte trecho das Escrituras:

"Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isto, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará." (Lucas 18,15-17)


O problema é que o trecho se refere a crianças vivas, não a crianças mortas. O certo é que a Tradição sempre leu o texto bíblico de maneira exatamente oposta, como um convite ao batismo, o nascimento em Cristo do homem novo. 


Mas o que importa que seja assim. Se o Verbo encarnado chama a Si as criancinhas pelo batismo, mais uma razão para que as quadrilhas mafiosas que regem o assalto à Igreja se empenhem em difundir a doutrina oposta. O patrão exige.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Requiescat in pace


Morreu o coronel Kadhafi. Com todos os seus defeitos, uma das poucas vozes independentes neste planeta lobotomizado e cada vez mais irrespirável.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

domingo, 9 de outubro de 2011

Descrição da Virgem Maria por Joris-Karl Huysmans


Para o dia de Nossa Senhora de Aparecida, próxima quarta-feira, esta descrição da Virgem Santíssima feita pelo magistral Joris-Karl Huysmans:

Santo Epifânio no-la descreve alta, de olhos esverdeados, sobrancelhas arqueadas, bem negras, nariz aquilino, boca rosada e pele dourada: uma visão de homem do Oriente.

Tomemos, por outro lado, Maria de Agreda. Para ela, a Virgem é alta e magra, de cabelos e sobrancelhas negras, olhos tendendo ao verde escuro, nariz reto, lábios vermelhos e pele morena. Reconhece-se aí o ideal espanhol de graça concebido por essa abadessa.

Consultemos, por fim, a Irmã Emmerich. Segundo ela, Maria é loura, tem olhos grandes, nariz longo, queixo um pouco pontudo, pele clara e não é muito alta. Lidamos aqui com uma alemã que a beleza morena não satisfaz.

E tanto uma como outra dessas duas mulheres são duas videntes a que a Madona apareceu, assumindo justamente a única forma que as podia seduzir, assim como se mostra com uma beleza um tanto insípida, a única que elas podiam compreender, a Mélanie de La Salette e a Bernadette de Lourdes.

Eu, por meu lado, que não sou visionário e tenho de recorrer à imaginação para figurá-la, parece-me percebê-la nos contornos, na expressão mesma da catedral; os traços são pouco nítidos no pálido deslumbre da grande rosa que fulgura por trás de sua cabeça, como um nimbo. Ela sorri, e seus olhos, todos luz, têm o brilho incomparável dessas safiras claras que iluminam a entrada da nave. Seu corpo fluido exala-se num traje cândido de chamas, estriado, listrado, como o traje da falsa Berthe. O rosto tem uma brancura nacarada, e a cabeleira, como tecida por um fuso de sol, voa em fios de ouro; Ela é a Esposa do Cântico:" Pulchra ut luna, electa ut sol." A basílica onde reside e que com Ela se confunde, ilumina-se com suas graças; as gemas dos vitrais cantam suas virtudes; as colunas magras e delicadas que se estiram num só jato, das lajes até os cimos, desvelam suas aspirações e seus desejos; o assoalho conta sua humildade; as abóbadas que se reúnem, como um dossel, sobre Ela, narram sua caridade; as pedras e os vidros repetem suas ladainhas; e tudo, o aspecto belicoso de alguns pormenores do santuário, essa maneira cavalheiresca que lembra as Cruzadas, com as lâminas das espadas e os escudos das janelas e das rosas, o casco das ogivas, as cotas de malha do campanário velho, a grade de ferro de certas janelas, que evocam a recordação do capítulo de Primas e da ladainha de Laudes de seu pequeno ofício, traduz a "terribilis ut castrorum acies ordinata", relata esse privilégio que Ela tem, quando quer, de ser "como um exército em batalha, terrível".

Aqui, porém, poucas vezes ela o quer, acho; por isso esta catedral é sobretudo o reflexo de sua inesgotável mansidão, o eco de sua incomparável glória!

(Joris-Karl Huysmans; tradução Yours Truly)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pedofilia e pedofilia: Dawkins, Tatchell e a hipocrisia anticatólica


Richard Dawkins é um zoólogo britânico, especialista no comportamento das galinhas. Foi esse o tema de sua tese de doutorado. Mais tarde, animado com o sucesso de suas pesquisas sobre as poedeiras, Dawkins, valente como um galinho de briga, se julgou preparado para saltar do galinheiro à eternidade e dedicar-se a bicar ninguém menos do que o Deus do universo. Os resultados foram os esperados.

Dawkins foi também um dos principais animadores dos protestos contra a visita do papa à Grã-Bretanha no ano passado, ao lado de figuras importantes do movimento gay local, como Peter Tatchell. Na foto acima,  Tatchell aparece atrás de Dawkins num comício antipapal. É o moçoilo que segura um cartaz convidando o Papa a renunciar por causa dos abusos sexuais contra crianças.

Que nobre indignação! Quanta grandeza em sua luta contra a podridão sexual dos católicos e na defesa da pureza das criancinhas!

Mas será?

O fato é que vazou pela Internet uma carta escrita por esse mesmíssimo Tatchell e publicada em 1997 no Guardian, jornal inglês. Nessa carta, o valente protetor da pureza infantil defende, como sadia e positiva, nada menos do que... a prática de pedofilia. Após afirmar que numa tribo da Nova Guiné todos os meninos têm relações sexuais com guerreiros adultos e "longe de se sentirem mal com isso, crescem e se tornam adultos felizes, bons maridos e pais", ele prossegue dizendo:

A natureza positiva de algumas relações sexuais entre adultos e crianças não está restrita às culturas não Ocidentais. Muitos amigos meus - homossexuais e heterossexuais - fizeram sexo com adultos quando tinham de 9 a 13 anos. Nenhum deles se sentiu abusado. Todos dizem que foi uma escolha consciente, que lhes deu grande alegria... Já é hora de a sociedade reconhecer a verdade de que nem todo sexo que envolve crianças é indesejado, abusivo e prejudicial.


Nem todo. Sem dúvida, a pedofilia só é ruim quando praticada por padres. 



Paul Davies, a sintonia fina do Universo e Santo Agostinho



Lendo o livro de Paul Davies, Cosmic Jackpot - Why our Universe is Just Right for Life, muito interessante, apesar da inevitável ignorância teológica e filosófica do autor. É uma espécie de maldição que acompanha como uma sombra a arrogância dos profissionais da soi-disant "ciência". Já dizia Garrigou-Lagrange que um livro de filosofia assinado por cientista é garantia quase certa de um festival de bobagens. De lá para cá, as coisas só pioraram.

Em seu livro, o famoso físico britânico trata do problema da sintonia fina do Universo, que se presta, contra toda probabilidade, a carregar vida em seu seio. Problema que tem dado muita dor de cabeça aos energúmenos do evolucionismo e até trazido de volta à luz muitas  velhas almas perdidas antes perdidas no anticristianismo.

O interessante é que na hora H, para explicar um dos problemas mais importantes da teoria do Big Bang, o autor tem de recorrer, não a Kant, Hegel, Marx, Nietzsche ou algum boçal do positivismo lógico, mas... ao velho e bom Santo Agostinho.

O dia em que um físico recorrer enfim a Santo Tomás para explicar os resultados de suas teorias, a ciência estará perto do seu acabamento.

sábado, 24 de setembro de 2011

O padre Louis-François d'Argentan, capuchinho, e a teologia da prosperidade


"Quanto menos possuímos as criaturas, mais possuímos o Criador; pois a posse de uma coisa e estar a ela apegado é para nós o mesmo nesta vida corrupta. A suprema pobreza das criaturas dá a suprema pureza de coração. Tendamos, portanto, a nos empobrecer o máximo possível de tudo o que não é Deus. Alegremo-nos quando nos tiram as criaturas. Aceitemos com amor essa feliz perda que Deus concede aos amigos  por sua Providência. Os que não O amam, Ele os enche de criaturas, e eles permanecem totalmente vazios de Deus, pois a maior das misérias é ser privado de Deus e do precioso tesouro de Sua graça. Como é a morte eterna da alma perder a vida da glória, seu verdadeiro inferno neste mundo é perder a vida da graça, para viver só a vida da natureza. A riqueza das criaturas e a pobreza de Deus leva-os a essa condição. Ah, como são admiráveis as riquezas da pobreza das criaturas, mas poucos conhecem sua beleza!

"Uma alma realmente pobre só procura e ama a  Deus. Sua única vontade é o bel-prazer dEle, sua única pretensão, Sua pura glória. Nas criaturas, ela só quer a Deus e só a Ele aprecia, quando é ordem dEle não abandoná-las. Jamais se satisfaz tanto a alma como quando nada tem; pois, alegrando-se na pobreza, tudo possui e esse tudo é Deus. É por isso que há tão poucas pessoas interiores, porque não queremos afastar-nos das criaturas que possuímos, sob pretexto de servirmos a Deus. O mais alto serviço que Lhe prestamos é amá-Lo unicamente; e é isto o que não fazemos quando possuímos alguma criatura".

(Pe. Louis-François d'Argentan, capuchinho, ( 1615-1680), Le Chrétien interieur ou la Conformité interieure qui doivent avoir les Chrétiens avec Jésus-Christ, t. 2, 1696, pp 26-27).

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Teoria da Relatividade em xeque



Entrevista com Dr. Antonio Ereditato, físico italiano, chefe do Opera, grupo de cientistas do Cern (Suíça) que realizou a experiência sobre a velocidade dos neutrinos. Os resultados da experiência contradizem, ao que tudo indica, os fundamentos mesmos da teoria da Relatividade.

A experiência consiste em enviar um feixe de neutrinos entre dois laboratórios, um na Suíça e outro na Itália, e em seguida medir a velocidade com que foi feito o trajeto. Segundo a experiência do prof. Ereditato, numa hipotética corrida entre os neutrinos e os fótons de luz, os neutrinos teriam chegado com 20 metros de vantagem.

Como qualquer criança de mais de 5 anos está careca de saber, a teoria da Relatividade restrita de Einstein fundamenta-se inteiramente no axioma de que a velocidade da luz é o limite de toda velocidade. Confirmado o resultado do prof. Ereditato, todo o trabalho de Einstein poderá ser tranquilamente arquivado no almoxarifado das teorias perdidas. Como mais cedo ou mais tarde sói acontecer com todos os resultados da ciência, apesar da infinita arrogância dos cientistas.

Bento XVI defende aproximação com o Islã


Em pronunciamento feito hoje, Bento XVI defendeu a aproximação com o Islã.
Uma boa pedida. A manipulação da opinião pública e os interesses de terceiros têm levado a terríveis males, como o genocídio muçulmano no Iraque, no Afeganistão e na Palestina, perpetrado por "cristãos", e a decorrente resposta equivocada do Islã contra alvos cristãos.
Um diálogo decente pode remediar esse estado de coisa. Sem hipocrisias, manipulação, nem, é claro, beijinhos no Alcorão.

Paradoxo de Assis


Todos os participantes do encontro inter-religioso de Assis são cretenses.

domingo, 18 de setembro de 2011

Lista dos Dogmas católicos XI: A Penitência



Dando sequência à enumeração dos dogmas de fide segundo Ludwig Ott, aqui vai a lista dos dogmas relativos ao sacramento da Penitência, com um apêndice sobre as indulgências.

A Penitência:

1. A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos depois do batismo.
2. Pela absolvição da Igreja, os pecados são verdadeira e diretamente perdoados.
3. O poder que tem a Igreja de perdoar os pecados estende-se a todos os pecados, sem exceção.
4. O exercício do poder de perdoar os pecados é um ato judiciário.
5. O perdão dos pecados que ocorre no tribunal da penitência é um sacramento verdadeiro e propriamente dito, distinto do batismo.
6. A justificação extrassacramental só é produzida pela contrição perfeita se esta estiver unida ao desejo do sacramento.
7. A contrição produzida por motivo de medo é ato moralmente bom e sobrenatural.
8. A confissão sacramental dos pecados é prescrita de direito divino e necessária à salvação.
9. Em virtude de uma ordem divina, estão sujeitos à obrigação da confissão todos os pecados graves, com sua natureza, seu número e as circunstâncias que mudam sua espécie.
10. A confissão dos pecados veniais não é necessária, mas permitida e útil.
11. Deus nem sempre perdoa, ao mesmo tempo que o pecado e a pena eterna, todas as penas temporais devidas ao pecado.
12. O sacerdote tem o direito e o dever de impor obras de satisfação salutares e apropriadas, segundo a natureza dos pecados e a capacidade do penitente.
13. As obras de penitência extrassacramentais, como a prática de exercícios voluntários de penitência e a aceitação paciente das provações enviadas por deus também têm valor satisfatório.
14. A forma do sacramento de penitência consiste nas palavras da absolvição.
15. A absolvição produz, em união com os atos do penitente, a remissão dos pecados.
16. O efeito principal do sacramento de penitência é a reconciliação do pecador com Deus.
17. O sacramento de penitência é necessário à salvação para os que, depois do batismo, cometeram pecado grave.
18. Só os bispos e os padres têm o poder de absolvição.
19. A absolvição dada por diáconos, clérigos inferiores e leigos não pode ser considerada absolvição sacramental.
20. O sacramento da penitência pode ser recebido por todo batizado que, depois do batismo, tiver cometido pecado grave ou venial.

Apêndice: as Indulgências

1. A Igreja tem o poder de conceder indulgências.
2. O uso das indulgências é útil e salutar para os fiéis.

As outras seções dos dogmas de fide neste site são:

sábado, 17 de setembro de 2011

Mestre André de Resende e frei Pedro, porteiro de São Domingos


Trecho do maravilhoso livrinho de Mestre André de Resende (1499-1573), A Santa vida e religiosa conversação de Frei Pedro, porteiro do Mosteiro de São Domingos de Évora. É o capítulo XXI:

Foi no mosteiro de São Domingos de Évora um padre, frei Fernando Amado, que muitos anos no ofício sacerdotal, e máxime em ouvir confissões, tinha servido a Deus e, por derradeiro, sendo já muito velho, entrevou. E, chegando-se o tempo que aprouve ao Senhor, com o seu passamento, se acabar aquela prolongada infirmidade, esteve três dias, ora fazendo termos, ora tornando em si.

Vigiavam e estavam com ele os religiosos, quando uns, quando outros.

O derradeiro dia, acabadas as matinas, o nosso mestre nos levou todos à enfermaria, que éramos então dezoito, todos moços, que nenhum passava de treze anos, e mandou-nos que vigiássemos com o padre e, se víssemos chegar-se a hora, dous de nós lho fôssemos dizer. Frei Pedro se foi pera nós e sentou-se a um cabo, calado. Nós, a coros, estivemos rezando os sete salmos e depois frei Antônio Farcto e eu, que concertávamos ambos bem, começamos a cantar os hinos Ave, Maris Stella e Quem terra pontus, aethera, dizendo nós um verso, e os outros todos, outro. Quando chegamos ao verso Maria, mater gratiae, mater misericordiae, tu nos ab hoste protege et hora mortis suscipe, o padre levantou os braços caídos e bateu as palmas, dizendo:

- Cantai, cantai, cantai!

Alçou frei Pedro os olhos por ver como acordara assim e logo se levantou subitamente e, pregando os olhos no ar, contra o pé do leito, começou a rir e alegrar-se, em estranha maneira, e levantar as mãos juntas, adorando. Nós, atônitos, olhando ora para ele, ora para o padre, que tangia as palmas, disse-nos frei Pedro:

- Levantai-vos, fradinhos, e fazei reverência à Madre de Deus.

Nós, levantando-nos, atentávamos pera onde frei Pedro tinha fixos os olhos, sem de ali os apartar, mas não merecemos ver o que ele via. Dous de nós foram chamar o mestre, o qual tangendo a tábua de espertar e bradando: - Credo! fez os religiosos acudir à enfermaria.

Os moços, que ficamos, todavia repetíamos:

- Maria, mater gratiae!

Nisto, frei Pedro abaixou os olhos e, volto ao padre que agonizava, lhe meteu um crucifixo nas mãos, dizendo:

- Credo, credo, credo, Jesu, Jesu, Jesu!

De maneira que, quando os religiosos chegaram, o padre era passado. E ouvindo o que acontecera, deram todos muitas graças a Deus e à gloriosa Virgem Nossa Senhora, sua madre que houve por bem visitar aquele religioso em seu trânsito e tomar frei Pedro por testemunha desta sua misericórdia. E eu tomo a Deus e a ela por testemunhas desta verdade, assim me ela visite, quando minha alma naquele passo se achar.

(Mestre André de Resende, A Santa vida e religiosa conversação de Frei Pedro, porteiro do Mosteiro de São Domingos de Évora, Rio, Dois Mundos, 1947, pp163-165).

Poucos mas bons ou muitos mas ruins?


Muitos católicos, mas ruins, ou poucos, mas bons?
Velho dilema que sempre reaparece na história da Igreja.
O curioso na alternativa é que a primeira opção, aparentemente menos exigente, pode ser a mais mística, pois daria maior peso ao sacramento em si. Mas este raramente é o caso, como sabemos pela experiência cotidiana.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Festival da Maconha na PUC de São Paulo


O grau de depravação reinante na PUCSP é tamanho, que o reitor se viu obrigado a suspender as aulas e fechar o campus para evitar a realização de um encontro de mais de 6 mil maconheiros, programado para hoje à noite. Ele também prestou queixa na delegacia contra os organizadores.

Um dos fatores que levaram à adoção da medida  foi uma interpelação do Ministério Público. Houve também uma queixa da Prefeitura contra o barulho causado pelas frequentes festas regadas a álcool  e drogas que acontecem no campus daquela santa instituição.

Como já é notório, a degradação provocada na Igreja pela Grande Avacalhação pós-conciliar já ultrapassou em várias áreas o limiar do crime.

Se o amor de Cristo não é suficiente para que certo nível de decência seja mantido em instituições cujo fim último seria a pregação do Evangelho, talvez o medo da cana faça o papel que lhe cabe na repressão da criminalidade.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Vídeo instrutivo ensina como os padres não devem ser



Muita coisa na Igreja de hoje vem sendo mal-interpretada, mas, quando vista sob o ângulo correto, serve para edificação e instrução do cristão.

É o caso da música litúrgica de gafieira dos padres Huguinho, Fabinho e Zezinho, cuja audição pode servir de excelente instrumento de penitência e mortificação espiritual.

É também o caso da entrevista acima. Nela, o espectador pode ver in a nutshell tudo o que um bom padre NÃO deve ser nem fazer nem dizer. Esse vídeo, cheio de frescor, deveria ser matéria obrigatória nos seminários, como uma espécie de súmula dos erros a evitar na formação sacerdotal e das aberrações  provocadas pelo famoso "espírito" pós-conciliar, também chamado de Grande Avacalhação pós-conciliar.

Poder-se-ia argumentar que o vídeo é caricatural demais, que as aberrações nele mostradas são exageradas demais. Tal objeção, porém, não se sustenta. Trata-se evidentemente de um recurso pedagógico, para deixar bem claro o total absurdo da situação e a absoluta necessidade de se procurar evitar por todos os meios a formação de sacerdotes caricatos como o mostrado no vídeo.

A evitar com especial atenção o modo subserviente como o padre rasteja ante o porta-voz da anti-Igreja, sempre pronto a expor ao ridículo verdades de Fé cuja revelação custou a morte na Cruz do Filho de Deus.

Vídeo de grande valor heurístico. Recomendamos com ênfase.