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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O que é a castidade cristã e como preservá-la e conservá-la



A alma que se empenha como deve para conservar a castidade considera-a como um espelho bem polido, que, porém, o menor sopro pode embaçar; como uma bela flor, tão delicada, porém, que um nada a faz murchar; como um cristal precioso de infinito brilho, mas muito frágíl. Tem horror extremo de todas as faltas que chocam esta virtude e as evita com igual fidelidade, porque lhe parecem todas gravíssimas. (...)

Adoremos Nosso Senhor Jesus Cristo sob a bela qualidade de amante da castidade que Lhe dá a Igreja. Foi Ele que, ao descer do céu, trouxe à terra essa virtude, mostrou suas belezas e, pela graça que espalha nas almas, faz que seus fiéis a cultivem e lhes dá meios de conservá-las por toda a vida. Unamo-nos a todas as almas castas da terra e do Céu, para Lhe rendermos homenagem.

Examinemos se fomos fiéis ao nos servirmos dos meios que os Santos nos dão para conservarmos a castidade.

1. Temos essa humildade profunda que eles chamam guardiã da castidade? Não foi a opinião boa demais de nós mesmos que atraiu a ira de Deus sobre nós e mereceu que Ele nos deixasse cair na impureza, que é, segundo o Apóstolo, o castigo comum do orgulho?

2. Evitamos todos os excessos no beber e no comer e seguimos sobre isso as regras que a temperança prescreve, para que a carne, estando demasiado satisfeita, não leve o espírito à revolta e provoque com isso o vício?
Evitamos, para tanto, a mesa farta e os banquetes, que são os maiores inimigos da castidade e onde, entre a abundância e a delicadeza das carnes, é muito difícil conservá-la?

3. Temos amado o trabalho e evitado o ócio, sem o que a alma, tornando-se frouxa e efeminada, não consegue resistir por muito tempo às tentações da impureza?

4. Fomos fiéis à oração, que, atraindo o socorro do Céu e enchendo o espírito de bons pensamentos e o coração de santos afetos, faz que o espírito de impureza não consiga entrar na alma e que a castidade ali permaneça em segurança?

5. Apreciamos a solidão, o asilo da castidade a que Jesus Cristo chama as almas puras? Temos grande aversão pelos espetáculos, pelas reuniões e pelas diversões mundanas, capazes de corromper as pessoas mais santas?

6. Praticamos com coragem os jejuns, as mortificações de que se serviram os Santos contra os ataques do espírito imundo, que adora tentar aqueles que tratam a própria carne com delicadeza e se afasta dos que vivem na austeridade e na penitência?

7. Temos tido uma devoção especial pela Santíssima Virgem, que, sendo puríssima, imaculada e virgem por excelência, costuma dar atenção especial aos que se põem sob a sua proteção?
Enfim, frequentamos o sacramento da Penitência e sobretudo o da santa Eucaristia, considerada pelos Santos como um soberano remédio contra a impureza e que dizem eles ser o frumento dos eleitos e o vinho que faz as virgens?

Meu Deus, pouco nos servirão os meios que os Santos nos propõem para sermos castas, se não tivermos o vosso amor, que é todo o valor e todo o mérito da castidade. Abrasai, portanto, por favor, os nossos corações com esse fogo divino. É a graça que vos rogamos com toda a Igreja: Abrasai nossos espíritos e nossos corações com o fogo de vosso santo amor, para que vos sirvamos com um corpo casto e vos sejamos agradáveis pela pureza dos nossos corações. Amém.


(Examens particuliers sur divers sujets à l'usage de toutes les soeurs consacrées à Dieu, Lyon, chez Pélagaud et Lesne, 1838, p 393-397)

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