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sábado, 25 de dezembro de 2010

O Menino Jesus e a grandeza de Deus


MANIFESTAÇÃO DE TERNURA
PARA COM O MENINO JESUS

Deus de sabedoria, que escolhestes um estábulo como palácio de vossa Grandeza e a manjedoura como Trono de vossa Glória! Onde me esconderei de vossa presença?  Que confusão para um soberbo ver seu Deus deitado na palha! Que insolência para uma minhoca querer elevar-se, ao ver a Majestade de seu Deus aniquilada e humilhada? Vós nos enganais ou é o mundo que se engana? Pode a sabedoria de Deus nos enganar ou se enganar a si mesma? É, pois, o mundo que nos ilude, quando estima o que desprezais e despreza o que estimais.

Deus de bondade, como ocultastes vossa Grandeza ao tornar-vos criança! Mas como fizestes brilhar a vossa bondade e a vossa misericórdia! Jamais Vos fizestes mais amável do que quando Vos mostrastes pobre e miserável como nós. Jamais a vossa bondade pareceu maior do que quando aniquilastes a vossa Majestade. Sempre Vos temi sob a forma de Deus, mas sou forçado a Vos amar sob a forma de homem e de criancinha. O Senhor é grande, quem pode deixar de louvá-Lo? O Senhor é pequeno, quem pode deixar de amá-Lo?

Quem pode temer uma criancinha? Quem não se enternece com as lágrimas de uma criancinha? Vosso choro causa-me compaixão, não medo. Revigoram a minha esperança abatida, em vez de me fazer desconfiar de vossa bondade. Se pudestes fazer-Vos filho dos homens, não podeis fazer-me filho de Deus? E se pudestes tornar-Vos miserável, não podeis tornar-me feliz?

Divina Criança! Amor de todos os séculos! Mais belo dos homens! Alegria do Paraíso! Como sinto enternecer-se o meu coração quando Vos vejo chorar, quando Vos escuto gemer e suspirar! Resisti por muito tempo a Vossa Potência; mas Vossa fraqueza me desarma e me faz cativo. Desprezei Vossa Grandeza, por terrível que seja, mas Vossa humildade me deslumbra e conquista. Eu Vos combati como Deus, mas triunfais sobre o meu coração como homem. Defendi-me durante muitos anos de Vossa cólera, mas não posso resistir ao Vosso amor.

Maior de todos os Reis, como sois admirável enquanto Deus e como sois amável enquanto homem! Surpreende-me mais ver-vos rebaixado do que ver-Vos elevado; ouvir-Vos chorar na terra do que troar no Céu. Uma só de vossas lágrimas provoca maior fogo de amor em meu coração, do que pôde fazer acender-se todo o esplendor da montanha do Sinai. Como tomastes meus males, não duvido de que me dais vossos bens e me elevais ao Céu, já que quisestes descer à terra para me buscar e me salvar.

Querido filho de Maria! Vinde entre os meus braços; repousai sobre o meu coração; banhai-me de vossas lágrimas; beijai-me com vossa boca sagrada: Esqueço-me do que sou, ao ver que Vos esquecestes do que sois. Se falto ao respeito que devo, a culpa é de vosso amor. Se não queríeis ser amado, por que vos tornastes tão amável?

Meu Juiz e meu Salvador! Como me apavoro ao Vos ver sobre o Trono de vossa Glória! Mas como me encho de alegria, de amor e de confiança quando Vos vejo enfaixado numa manjedoura! Fizeste-vos criança para fazer-vos temer? Fizeste-vos homem para me condenar? Ah! Se me perco, não será culpa vossa, mas minha: Não deixeis, divino Mestre, que tal desgraça me aconteça. Já que descestes do Céu à terra para me buscar, não fujais daquele que Vos busca. Não permitais que eu me dane, pois viestes ao mundo para me salvar.

(Pe. Jean Crasset SJ, Considérations Chrétiennes pour Tous les Jours de l'Année)

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