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domingo, 7 de novembro de 2010

Oração à Santíssima Trindade da Bem-Aventurada Elizabeth da Trindade


Elisabeth de la Trinitè (1880-1906) foi uma altíssima mística carmelita. Em sua breve vida, compôs diversos escritos espirituais, dentre os quais a oração que abaixo traduzimos:

Meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a me esquecer completamente de mim mesma para me estabelecer em Vós, imóvel e calma como se a minha alma já estivesse na eternidade! Nada possa perturbar a minha paz, nem me fazer sair de Vós, meu Imutável, mas me leve cada minuto mais adiante na profundidade do vosso Mistério.

Pacificai a minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada amada e o lugar do vosso repouso; que eu jamais Vos deixe  sozinho, mas lá esteja por inteiro, toda desperta em minha fé, toda adorante, toda entregue à vossa ação criadora.

Meu Cristo amado, crucificado por amor, eu gostaria de ser uma esposa para o vosso coração, gostaria de Vos cobrir de glória, de Vos amar... até morrer! Mas sinto a minha incapacidade e Vos peço que me cubrais de Vós mesmo, identificai a minha alma com todos os movimentos de vossa Alma,  me submerjais, me invadais, me substituais, para que a minha vida não seja senão uma irradiação de vossa Vida. Vinde em mim como Adorador, como Reparador e como Salvador.

Verbo eterno, Palavra do meu Deus, quero passar a vida a Vos escutar, quero fazer-me toda dócil ao ensinamento para aprender tudo de Vós ; depois, através de todas as noites, de todos os vácuos, de todas as incapacidades, quero fitar-Vos sempre e permanecer sob vossa grande luz. Meu Astro amado, fascinai-me para que eu não possa mais sair de vosso esplendor.

Fogo consumidor, Espírito de Amor, sobrevinde a mim para que se faça em minha alma como uma encarnação do Verbo; seja-lhe eu uma humanidade a mais, na qual Ele renove todo o seu Mistério. E Vós, ó Pai, inclinai-vos para a vossa criaturinha, vede nela apenas o Bem-Amado em que pusestes todas as vossas complacências.

Meus Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidão onde me perco, entrego-me a Vós como presa; sepultai-Vos em mim, para que eu me sepulte em Vós, na espera de ir contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.
21 de novembro de 1904
Manuscrito da oração à Trindade

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