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sábado, 27 de novembro de 2010

O desespero do poder público no Rio de Janeiro

Grande chefe do tráfico internacional
Foto O Globo
Querer acabar com o tráfico de drogas matando esse pessoalzinho dos morros é o mesmo que querer destruir a indústria do petróleo matando os frentistas dos postos. O tráfico é uma indústria mundial,  trilionária, sofisticadíssima, mas querem empurrar para o público ignaro que os seus chefes são esses pobres rapazes de bermuda, havaianas e camiseta que vemos nas fotos da reportagem policial. É uma piada.

Os verdadeiros chefes da droga são obviamente gente da mais alta sofisticação, com livre trânsito no plano internacional, intelectualmente capaz de bolar e administrar toda essa rede infinitamente complexa de produção, propaganda e distribuição de entorpecentes, isto tudo sem usar os canais normais do comércio e da indústria, dada a ilegalidade do que fazem, o que multiplica essa complexidade ainda mais. Só gente da mais fina das elites é capaz disso. Mas esses, é claro, não são nem um pouco incomodados por esta operação carnavalesca que se desenvolve agora em terras cariocas.

E o governo do Rio de Janeiro ainda tem a cara de pau de dizer que essa balbúrdia toda é sinal de desespero do tráfico, que se sentiria acuado pela polícia. Outra piada. Essa operação toda, que teve de ir buscar ajuda nos tropas de elite da Marinha e do Exército para dar conta dos mais comezinhos problemas de segurança pública nos morros, mostra o desespero, isso sim, dos governos estadual e federal, que prometeram mundos e fundos para conseguirem as Olimpíadas e a Copa no Rio, e não podem cumprir, a não ser que mais uma vez façam um acordo por baixo do pano com o crime organizado.

Esta é mais uma demonstração de que a mentira é o ambiente natural em que se move o poder no Brasil. E no mundo, soit dit en passant.

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