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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Negatividade e marginalidade no anticristianismo hodierno



Muito já se falou sobre o caráter negativo da civilização anticristã em que vivemos. Pela primeira vez na história o elã civilizacional tem sinal negativo: a nossa não é uma civilização, é uma anticivilização, que vive da negação do cristianismo. Por isso o único nome que lhe cabe é o de anticristianismo. Só que justamente o seu caráter negativo a impede de aceitar o nome, pois a negação está entranhada até mesmo no reconhecimento que ela tem de si mesma. Daí a sucessão de denominações vazia e meramente temporais que adota para si mesma: modernidade, contemporaneidade ou pós-modernidade.

Mesmo assim, essa negação é visível em toda a sua história. Ele começa com o Protestantismo, como negação explícita. P protestante protesta, não pode ser compreendido sem aquilo a que se opõe: a Igreja. Este foi o momento de sinceridade do anticristianismo ocidental. Mais tarde, esse primado do negativo chega à sua formulação teórica explícita na dialética hegeliana e na prática revolucionária de Marx, Lênin e Stalin.

Até aí morreu Neves.

Mas o que me parece interessante é que tal negatividade implica também  certa marginalidade. A posição central ocupada durante séculos pelo cristianismo, sem rivais dignos de nota, permitiu-lhe tomar para si todas as posições centrais do espaço vital humano. Como uma família que se instala sozinha numa casa, ela escolhe para si os melhores lugares, deixando vagos só os espaços secundários ou marginais do edifício. Foi o que aconteceu com o cristianismo. Tudo o que é essencial para o homem foi absorvido por ele. O que forçou as forças anticristãs a partirem de espaços secundários, deixados desocupados pela Igreja, por supérfluos.

Isso pode ser percebido em muitas coisas, como o primado do quantitativo, metafisicamente irrelevante, e o rechaço do ontológico. A subordinação do ontológico ao quantitativo não pode ir além de um pensamento claudicante, que, elevado à hegemonia, só pode produzir o desastre civilizacional.

É o que estamos testemunhando hoje em dia.

Kurie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

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