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sábado, 13 de novembro de 2010

Cruz e moralidade: a gravidade do mal

Georges Borges

Mesmo nas religiões monoteístas, com exceção do cristianismo, tende a se empanar a distinção entre o bem e o mal, uma vez que toda a criação tem como autor um só e mesmo Deus, o que impediria uma cisão radical no seio do real. Esse flou  ético é particularmente visível na história do judaísmo rabínico. Com a crucifixão do Verbo, porém, o sangue do Cordeiro vem ressaltar essa separação de um modo que nem o legalismo dos 613 preceitos de Maimônides nem a literalidade do ditado de Alá a Maomé no Corão têm o poder de fazer. Cristo resgata o mundo, mas torna ao mesmo tempo infinita e eterna a distância entre o eleito e o condenado, entre o Céu e o Inferno, entre Deus e a criatura. Tal é a espada que o Evangelho veio trazer: a lâmina afiada e nítida que separa infinitamente do Bem de Deus o Mal do Pecado.Entre um e outro, a Vida do mesmo Deus-Homem. Morrendo na Cruz, mostra Jesus a gravidade infinita do problema do mal.
(Georges Borges, La Métaphysique Catholique, p. 354).

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