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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Bento XVI e os preservativos



Não é de admirar a atual repercussão sobre as palavras do papa Bento XVI acerca do uso de preservativos. Por um lado, como sempre, existe a mídia mundial, de índole notoriamente satânica, sempre empenhada em deturpar ao máximo as palavras do Sumo Pontífice. Por outro, pseudotradicionalistas sempre loucos para ver nas palavras do Papa - a quem tradicionalmente os católicos devem obediência, por definição - algum desvio da doutrina tradicional. E ainda os tristes "progressistas", que veem um "avanço" na suposta liberalização do discurso papal acerca das camisinhas.

Sem querer entrar no mérito da questão acerca da possibilidade de um discurso propriamente tradicional acerca de um assunto como este, parece-me que o que o Papa falou não sai dos limites do mais "bem repartido" dos bons sensos, como diria o velho Renato dos Mapas, ou não diria, se visse o mau senso descabelado que tem prevalecido em nossos tristes tempos..

No uso da camisinha nas relações sexuais pecaminosas que caracterizam o dia-a-dia do homem moderno misturam-se dois atos: 1) o ato intrinsecamente mau da fornicação por mero cabritismo; 2) o ato de proteger  o parceiro ou a parceira de um contágio possivelmente mortal. Estes dois atos são logicamente independentes, embora se misturem numa mesma ação, a relação sexual propriamente dita. Ora, o uso da camisinha faz parte do primeiro ato, intrinsecamente mau, e do segundo, de proteção, que é obviamente bom. Ou será que existe algum ensinamento tradicional na Igreja que diga que procurar preservar a saúde de alguém seja algo mau? Dado isso, o que resta a fazer é a mera combinatória dessa situação complexa.

Se o ato mau da fornicação for cometido, é mal menor que se use a proteção para evitar a transmissão da doença. O que é tão óbvio que dá até vergonha de enunciar. E evidentemente só pode ser delírio dizer que isto se oponha à doutrina católica tradicional.

Não é difícil encontrar exemplos de situações semelhantes. Digamos que um homem queira matar outro homem que esteja num restaurante lotado. Ele pode escolher entre tentar acertá-lo com um tiro de revólver ou com um tiro de canhão. Evidentemente a escolha do revólver é, por um lado, um mau, já que é instrumento de crime, mas por outro é um bem ou mal menor, se comparado com o tiro de canhão que mataria o restaurante inteiro. O uso da camisinha é um mal, por um lado, mas é um mal menor do que fornicar sem proteção nenhuma. Senso comum no seu sentido mais comum mesmo.

É evidente que se o assassino tivesse o costume de matar com canhão e passasse a matar com revólver, estaria dando um passo na direção da moralização. OBVIAMENTE. Ou não? Ou tanto faz moralmente fornicar e matar, por um lado, e fornicar sem matar, por outro??

Aos que acusam o papa, perguntaria: o fato de um portador do vírus da AIDS usar ou não usar preservativo nos seus atos sexuais é moralmente irrelevante? Se for, isto quer dizer que existem assassinatos moralmente irrelevantes. Se não for, o Papa está certo. Pronto. Façam suas escolhas.


Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

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